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	<title>HistóriaZine</title>
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	<description>A História descomplicada!</description>
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		<title>As Questões Platinas: a Guerra da Cisplatina</title>
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		<pubDate>Mon, 07 May 2012 17:49:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vinicius Cabral</dc:creator>
				<category><![CDATA[História Contemporânea]]></category>
		<category><![CDATA[História do Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[História Geral]]></category>
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		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
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		<description><![CDATA[No século XIX a América do Sul presenciou uma série de conflitos armados que praticamente definiram a geopolítica da região do Cone-Sul. Estes conflitos em algum momento envolveram Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, causaram milhares de mortes e não ajudaram nem um pouco no desenvolvimento dos países participantes. Os conflitos foram, pela ordem: a Guerra [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>No século XIX a América do Sul presenciou uma série de conflitos armados que praticamente definiram a geopolítica da região do Cone-Sul. Estes conflitos em algum momento envolveram Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, causaram milhares de mortes e não ajudaram nem um pouco no desenvolvimento dos países participantes.</p>
<p>Os conflitos foram, pela ordem: a Guerra da Cisplatina, Guerra do Prata, a Guerra do Uruguai e a Guerra do Paraguai. E é sobre o primeiro conflito que nós vamos falar neste texto.</p>
<h3>A Guerra da Cisplatina:</h3>
<p>Historicamente, Brasil e Espanha disputavam a região onde hoje encontra-se o Uruguai desde o século XVII, quando Manuel Lobo, a mando da coroa portuguesa, fundou a Colônia de Sacramento em 1680. Os espanhóis não gostaram de ter em suas terras uma colônia portuguesa, e desde então os dois lados mantinham rusgas com relação a estas terras, mesmo com vários tratados assinados ao longo do tempo garantindo a posse da região aos espanhóis.</p>
<p>Mas no início do século XIX, com a vinda da Família Real para o Brasil em 1808, a região recebeu especial atenção da rainha Carlota Joaquina, esposa de D. João VI, que reclamou a posse das terras, pois ela era filha do rei D. Carlos IV da Espanha, e nesta época a Espanha estava sob o domínio de ninguém menos que o general francês Napoleão Bonaparte.</p>
<div id="attachment_1828" class="wp-caption aligncenter" style="width: 630px"><img class="size-full wp-image-1828" title="tropas-brasileiras-01" src="http://www.historiazine.com/wordpress/wp-content/uploads/2012/04/tropas-brasileiras-01.jpg" alt="" width="620" height="369" /><p class="wp-caption-text">Revista das Tropas Destinadas a Montevidéu na Praia Grande, quadro de Debret.</p></div>
<p>D. João então mandou que o general <strong>Carlos Frederico Lecor</strong> tomasse a província em nome de Portugal, tarefa que teve início em 1816 e durou até 1821. Nós podemos considerar este conflito como a Primeira Guerra Cisplatina, que teve vitória portuguesa contra os caudilhos comandados por <strong>José Gervasio Artigas</strong>, que lutou bravamente pela província mas não conseguiu superar as tropas portuguesas bem treinadas, que haviam inclusive lutado contra os exércitos de Napoleão na Península Ibérica.</p>
<p>Com a vitória, o Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves anexou a Província Cisplatina ao território do Brasil.</p>
<p>Mas engana-se quem pensa que manter a região foi fácil. Imaginem que ali era uma área colonizada por espanhóis há pelo menos um século e meio, ou seja: costumes e idioma eram completamente diferentes, e D. João aproveitou os movimentos pela <a title="Os Libertadores da América: texto sobre San Martin, que lutou pela independência da Argentina." href="http://www.historiazine.com/2010/08/os-libertadores-da-america-san-martin.html"><strong>independência da Argentina</strong></a>, em 1816, para atacar a região. Ocupados em libertar as províncias do Prata do domínio espanhol, os homens liderados por San Martin e Bernardo O&#8217;Higgins estavam muito ocupados do outro lado do rio para auxiliar os caudilhos uruguaios.</p>
<p>Mas em 1825, com o Brasil já independente e sob o reinado de D. Pedro I, os descontentamentos da região causaram o segundo conflito, que acabou culminando com a independência do Uruguai.</p>
<h3>Um apoio com segundas intenções:</h3>
<p><img class="alignleft size-medium wp-image-1829" title="cisplatina_mapa" src="http://www.historiazine.com/wordpress/wp-content/uploads/2012/04/cisplatina_mapa-291x300.gif" alt="" width="291" height="300" />Os argentinos desta vez apoiaram os cisplatinos que estavam descontentes e queriam o fim do domínio brasileiro na região, mas na verdade <strong>os argentinos também desejavam anexar a província aos seus domínios.</strong> A região onde hoje encontra-se o Uruguai é estratégica, pois é uma das margens do principal rio do Cone-Sul, que dá acesso até o Paraguai, transformando-se em uma importante rota naval dentro do continente.</p>
<p>Assim, os descontentes comandados por <strong>Juan Antonio Lavalleja</strong> e <strong>Fructuoso Rivera</strong> receberam apoio maciço de Buenos Aires, como mantimentos e armas, além do apoio humano de soldados que, experientes, já haviam lutado pela independência Argentina.</p>
<p>E o exército brasileiro ainda estava engatinhando! As tropas portuguesas que mantinham a ordem na Província Cisplatina voltaram para Portugal logo após a consolidação da <a title="O processo de independência do Brasil" href="http://www.historiazine.com/2009/09/o-processo-de-independencia-do-brasil.html"><strong>independência brasileira</strong></a>, e o império estava encontrando dificuldades para alistar e treinar novos soldados. O Brasil dependeria tanto em terra quanto em mar de homens que, em sua maioria, não estavam lá muito interessados em lutar, além de contar com os gaúchos, que na verdade também estavam defendendo suas fronteiras ali no sul.</p>
<p>O Brasil até tinha uma razoável esquadra &#8211; em relação a seus oponentes, diga-se de passagem &#8211; mas mesmo a vitória em algumas batalhas marítimas e terrestres não foram capazes de vencer a guerra de forma rápida.</p>
<div id="attachment_1830" class="wp-caption aligncenter" style="width: 630px"><img class="size-full wp-image-1830" title="batalha-de-juncal" src="http://www.historiazine.com/wordpress/wp-content/uploads/2012/04/batalha-de-juncal.png" alt="" width="620" height="369" /><p class="wp-caption-text">Batalha de Juncal, quadro de José Murature</p></div>
<p>Assim, os brasileiros &#8220;comuns&#8221; não apoiaram a guerra, já que eles sabiam que o império aumentaria impostos para financiar o conflito. Em dezembro de 1825 os cisplatinos declararam a independência da província, e o Brasil em janeiro de 1826 declarou guerra às Províncias Unidas &#8211; futura Argentina &#8211; e os conflitos se arrastaram até 1828, quando então o Brasil assinou a Convenção Preliminar de Paz, no Rio de Janeiro, aceitando o fim dos combates e assim nasceu a <strong>República Oriental do Uruguai.</strong></p>
<p>É importante citar que neste conflito existiu forte interferência <strong>Inglaterra</strong> nas questões diplomáticas. Lembra quando eu disse que a região era estratégica? Pois é&#8230; para os ingleses, não era interessante a manutenção de um conflito logo ali, nas portas de entrada do Cone-Sul. Como o conflito ia de encontro à segurança de suas embarcações comerciais, os ingleses trataram de costurar uma solução geográfica-diplomática, convencendo as partes que nem Brasil nem Argentina ficariam com a província. Claro que não foi só isso que estimulou o &#8220;nascimento&#8221; do Uruguai, já que os cisplatinos desejavam mesmo era a independência da região, mas o apoio inglês foi fundamental para que não existissem novas lutas.</p>
<h3>E o Brasil?</h3>
<p>D. Pedro I já passava por uma forte turbulência política que culminou com sua <a title="Período regencial: a abdicação de D. Pedro I" href="http://www.historiazine.com/2011/08/periodo-regencial-a-abdicacao-de-d-pedro-i.html"><strong>abdicação</strong></a> em 1831. Neste episódio específico, a pressão política somou-se à <strong>insatisfação pública</strong>. Realmente houve aumento de impostos, muito dinheiro e material humano foram &#8220;gastos&#8221; para mover a guerra e no fim o Brasil aceitou perder a província, o que aumentou o descontentamento geral.</p>
<p>O Brasil só entraria em outro conflito contra seus vizinhos em 1851, já com D. Pedro II no poder. Mas sobre a Guerra do Prata nós falaremos no próximo texto.<br />
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		<title>Quando &#8220;nasceu&#8221; o Capitalismo?</title>
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		<pubDate>Wed, 02 May 2012 23:06:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vinicius Cabral</dc:creator>
				<category><![CDATA[Colunas]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Capitalismo]]></category>

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		<description><![CDATA[O leitor Gabriel Gonçalves usou nosso formulário de contato para enviar uma pergunta. Vamos a ela: Olá Gostaria de me esclarecer sobre o fato do porque alguns historiadores e economistas considerarem o mercantilismo como a primeira fase do capitalismo, chamado de capitalismo comercial, enquanto outros não consideram o mercantilismo como um capitalismo e nem mesmo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O leitor Gabriel Gonçalves usou nosso <a href="http://www.historiazine.com/contato" target="_blank">formulário de contato</a> para enviar uma pergunta. Vamos a ela:</p>
<blockquote><p>Olá<br />
Gostaria de me esclarecer sobre o fato do porque alguns historiadores e economistas considerarem o mercantilismo como a primeira fase do capitalismo, chamado de capitalismo comercial, enquanto outros não consideram o mercantilismo como um capitalismo e nem mesmo a existência do capitalismo comercial, datando o nascimento desse sistema com o fim da Idade Moderna.</p></blockquote>
<p>Gabriel, sua pergunta pode ter muitas respostas, dependendo de quem te responde. Neste caso, creio que minha opinião foi pedida, então espero que você entenda minha resposta e aproveite para perguntar a outros professores, afinal de contas é importante ouvir várias opiniões para que você possa formar a sua.</p>
<p>No caso do &#8220;nascimento&#8221; do Capitalismo, eu mesmo considerei em um texto anterior que <a title="Mercantilismo, o pai do Capitalismo?" href="http://www.historiazine.com/2009/07/mercantilismo-o-pai-do-capitalismo.html"><strong>o Mercantilismo é o &#8220;pai do Capitalismo&#8221;</strong></a>, porque o Capitalismo como conhecemos hoje deu seus primeiros passos na época em que o Mercantilismo ditava as regras do comércio mundial.</p>
<p>Mas esta é a minha opinião, a partir do pouco que eu li sobre o assunto explicado por alguns autores. A &#8220;confusão&#8221; talvez exista porque nós normalmente consideramos que o Capitalismo tem várias modalidades e as principais são: industrial, monopolista-financeira e comercial. Estas divisões teóricas é que causam as discussões (sadias) sobre o Capitalismo e geram dúvidas como a sua.</p>
<h3>A questão não é só o Capitalismo, mas também o Poder!</h3>
<p><img class="alignleft size-medium wp-image-1849" title="capital" src="http://www.historiazine.com/wordpress/wp-content/uploads/2012/05/capital-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" />Se nós levarmos em conta que qualquer acúmulo de bens é uma forma de Capitalismo, então o homem pré-histórico foi capitalista, pois este acúmulo ajudou a gerar as primeiras sociedades complexas e suas classes dominantes. Só que tanto as primeiras civilizações da <a title="Textos sobre História Antiga" href="http://www.historiazine.com/category/geral/antiga" target="_blank"><strong>Antiguidade</strong></a> quanto os grandes Estados europeus da <a title="Textos sobre a Idade Moderna" href="http://www.historiazine.com/category/geral/moderna" target="_blank"><strong>Idade Moderna</strong></a> tinham algo em comum: <strong>a riqueza acabava concentrada na mão dos governantes.</strong> Eram eles que controlavam todo o resultado da produção.</p>
<p>Por isso nós dividimos tudo em Modos de Produção: o Asiático das sociedades do Crescente Fértil, o Escravista dos gregos e romanos, o Feudal de grande parte da Europa na Idade Média e por aí vai, justamente para evitar confusão com o Capitalismo de hoje.</p>
<p>Mas aí você pergunta: &#8220;Hoje o Poder também não está nas mãos dos ricos?&#8221; Está, só que houve uma mudança pós-revoluções europeias, que mantiveram o Poder na mão dos governantes mas estes passaram a proteger os capitalistas. O Estado passou a &#8220;comprar a briga&#8221; do burguês mundo afora, pois no fundo era o burguês quem trazia ou produzia mais lucro para o Estado.</p>
<p>Muitos pensadores consideram a <a title="A Revolução Francesa (1ª parte)" href="http://www.historiazine.com/2011/02/revolucao-francesa-1-parte.html"><strong>Revolução Francesa</strong></a>como o início do Capitalismo Moderno, quando os burgueses usam a população para vencer o Estado, decapitaram o rei e mudaram o sistema até então vigente. Como esta revolução influenciou outros povos, outros burgueses, nós podemos considerá-la como o ponto de partida da grande mudança.</p>
<div id="attachment_1847" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-1847" title="capitalismo2" src="http://www.historiazine.com/wordpress/wp-content/uploads/2012/05/capitalismo2.jpg" alt="" width="500" height="428" /><p class="wp-caption-text">Proteção do Estado aos burgueses: muitos consideram este o ponto chave para definir o Capitalismo</p></div>
<p>Gabriel, eu poderia ficar aqui falando sobre as diferenças sociais existentes no Capitalismo, mas eu considero que estas diferenças sempre existiram, elas só estão mais agudas nos tempos atuais. Podia também desfiar diversas teorias econômicas de pensadores como Marx, Engels, Smith, Hobbes e Keynes, mas prefiro não aprofundar tanto o assunto, sob pena do texto virar um &#8220;livro&#8221;. Não sei se te ajudei com este texto, mas caso você tenha alguma outra dúvida, pode perguntar que a gente tenta explicar melhor, ok?</p>
<p>E se alguém tiver mais alguma dúvida &#8211; até mesmo sobre outros assuntos -, pode usar nosso formulário de contato ou mandar um email clicando <a href="http://www.historiazine.com/contato" target="_blank">neste link</a>, ok?<br />
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</ul>
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		<title>Museu virtual da Inconfidência já está a disposição dos internautas!</title>
		<link>http://www.historiazine.com/2012/04/museu-virtual-da-inconfidencia.html</link>
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		<pubDate>Tue, 24 Apr 2012 21:53:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vinicius Cabral</dc:creator>
				<category><![CDATA[Colunas]]></category>
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		<description><![CDATA[Amigos, visitar museus é uma boa para quem curte História, mas na maioria das vezes nós não temos lá muita grana para viajar sempre até outras cidades para conhecer não só a cidade, claro, como também seu(s) museu(s). E aí é que entra esta ferramenta maravilhosa chamada internet. Os museus virtuais são uma boa pedida para [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Amigos, visitar museus é uma boa para quem curte História, mas na maioria das vezes nós não temos lá muita grana para viajar sempre até outras cidades para conhecer não só a cidade, claro, como também seu(s) museu(s). E aí é que entra esta ferramenta maravilhosa chamada internet. Os <strong>museus virtuais </strong>são uma boa pedida para quem quer visitar o lugar sem &#8220;sair do lugar&#8221;.</p>
<div id="attachment_1823" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><img class="size-medium wp-image-1823" title="Museu-da-Inconfidencia" src="http://www.historiazine.com/wordpress/wp-content/uploads/2012/04/Museu-da-Inconfidencia-300x225.jpg" alt="Museu-da-Inconfidencia" width="300" height="225" /><p class="wp-caption-text">Museu da Inconfidência</p></div>
<p>E a dica de hoje é o <strong>Museu da Inconfidência</strong>, que fica em Ouro Preto-MG e que foi inaugurado juntamente com o feriado em homenagem a <a title="Tiradentes e a Inconfidência Mineira" href="http://www.historiazine.com/2010/04/tiradentes-e-inconfidencia-mineira.html"><strong>Tiradentes</strong></a>, dia 21 de abril.</p>
<p>Como toda visita virtual, você tem que buscar pelas setas indicativas, mas não se preocupem porque a navegação é bem intuitiva. Bota o mouse para funcionar que vocês verão que a coisa é bem fácil.</p>
<p>No museu estão obras, documentos e objetos relativos, claro, à Inconfidência Mineira, aos responsáveis pelo movimento que pretendia libertar a província das Minas Gerais de Portugal e além de todo este material o museu ainda tem uma grande exposição de <strong>arte barroca</strong>.</p>
<p>Segundo o pessoal da <a href="http://www.eravirtual.org" target="_blank">Era Virtual</a>, responsável por transformar o espaço &#8220;virtual&#8221; do museu em realidade&#8230;</p>
<blockquote><p>&#8220;O Museu da Inconfidência nasceu da motivação do governo Getúlio Vargas e de alguns intelectuais da época de se resgatar a memória da luta por um Brasil autônomo, unido e independente. Assim, o sentido de liberdade poderia não apenas ser preservado, mas revivido por cada visitante que por aqui passasse. A missão foi cumprida e, depois de anos de existência, pesquisa e uma reforma que culminou no aparelhamento da instituição com as novidades do século XXI (vinte e um), o Museu da Inconfidência está aberto para o público para contar um pouco desta história para as pessoas.&#8221;</p></blockquote>
<p>Eu estava dando uma <em>navegada</em> para poder escrever o texto e como eu disse, a &#8220;visita&#8221; é bem fácil. Dá uma olhada no exemplo abaixo:</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-1824" title="m-i-01" src="http://www.historiazine.com/wordpress/wp-content/uploads/2012/04/m-i-01.jpg" alt="" width="620" height="300" /><br />
Você clica no &#8220;i&#8221; amarelo, onde as setas amarelas &#8211; que eu coloquei para facilitar a identificação &#8211; estão apontando, e as informações sobre os objetos abrem em uma outra janela:</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-1825" title="m-i-02" src="http://www.historiazine.com/wordpress/wp-content/uploads/2012/04/m-i-02.jpg" alt="" width="620" height="300" /></p>
<p>Bem legal, não? E dá inclusive para dar zoom em algumas imagens. Ah, e esta balança era usada para pesar o ouro naquela época.</p>
<p>Ficou curioso? Bom, acesse a galeria virtual do <a title="Museu da Inconfidência" href="http://www.eravirtual.org/inconfidencia_br/" target="_blank"><strong>Museu da Inconfidência</strong></a> e boa visita!<br />
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<li><a href='http://www.historiazine.com/2012/05/as-questoes-platinas-a-guerra-da-cisplatina.html' title='As Questões Platinas: a Guerra da Cisplatina'>As Questões Platinas: a Guerra da Cisplatina</a></li>
</ul>
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		<title>Ponto de vista: um problema histórico</title>
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		<pubDate>Thu, 19 Apr 2012 23:13:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vinicius Cabral</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[África]]></category>
		<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[História das Mulheres]]></category>

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		<description><![CDATA[Hoje eu vou aproveitar o espaço para meter o dedo em uma ferida. Aliás, em algumas feridas. Falaremos de arte, racismo, mutilação feminina e, depois de tudo exposto, falaremos sobre &#8220;pontos de vista&#8221;, que inclusive dá título a este texto. Preparados? Vamos lá: O dia 15 de abril de 2012 seria mais um dia na [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Hoje eu vou aproveitar o espaço para meter o dedo em uma ferida. Aliás, em algumas feridas. Falaremos de arte, racismo, mutilação feminina e, depois de tudo exposto, falaremos sobre &#8220;pontos de vista&#8221;, que inclusive dá título a este texto.</p>
<p>Preparados? Vamos lá:</p>
<p>O dia 15 de abril de 2012 seria mais um dia na vida da sra. <strong>Lena Adelsohn Liljeroth</strong>, ministra da Cultura da Suécia, não fosse por um ato, eu diria&#8230; peculiar. Ela foi convidada para discursar em um evento no <a title="Museu Nacional de Estocolmo - Suécia" href="http://www.nationalmuseum.se/" target="_blank">Museu Nacional de Estocolmo</a>. Na pauta do discurso, &#8220;a liberdade artística e o direito de provocar&#8221;, artimanha utilizada pela maioria dos artistas pós-modernos. Até aí, tudo bem&#8230; mas o que marcou sua presença no evento foi esta foto aqui embaixo.</p>
<div id="attachment_1817" class="wp-caption aligncenter" style="width: 610px"><img class="size-full wp-image-1817" title="polemica" src="http://www.historiazine.com/wordpress/wp-content/uploads/2012/04/polemica.jpg" alt="" width="600" height="300" /><p class="wp-caption-text">Resolvi juntar duas fotos, para que vocês possam visualizar e entender melhor o que aconteceu.</p></div>
<p>Peço que vocês leiam com calma pois a partir de agora qualquer deslize é perigoso para o entendimento do ato.</p>
<p>Um artista, <strong>Makode Linde</strong>, fez um bolo em formato do tronco de uma mulher negra e ele próprio foi a &#8220;cabeça&#8221; da mulher, ou melhor, do bolo. O detalhe é que ele gemia de dor toda vez que alguém cortava um pedaço do bolo, e a massa vermelha dava o tom de todo o simbolismo relativo ao brutal costume da <strong>mutilação genital feminina</strong> que ainda existe em alguns países africanos.</p>
<p>Antes de dar a minha opinião eu quero saber o seguinte: <strong>o que vocês acharam disso?</strong> E por favor, guardem este pensamento para vocês até o fim do texto, os comentários existem e serão lidos e debateremos lá, ok?</p>
<p>Agora, com suas licenças, a minha opinião sobre o assunto: a mulher vai em um evento para falar sobre arte, sobre &#8220;provocação artística&#8221;. E aí um artista bola uma obra que faz uma <strong>denúncia de um ato covarde</strong>, que ainda é, em pleno século XXI, <strong>costume entre algumas sociedades africanas</strong> e o pessoal critica a ministra, dizendo que <strong>o ato foi racista</strong>???</p>
<p>Eu sei que cada um tem seu ponto de vista &#8211; e sei também que talvez eu tenha escrito algo no parágrafo anterior que foi contrário ao que você pensou -, mas vamos entender a <strong>simbologia</strong> da arte em questão. Sim, porque isto é uma das melhores artes de protesto e provocação que eu já vi na vida!</p>
<p>Um bolo em formato de mulher &#8211; esqueça a cor, isto é o de menos&#8230; tenho certeza que se o costume da mutilação fosse de nativos americanos, o bolo teria uma pele mais &#8220;avermelhada&#8221; &#8211; que geme de dor toda vez que é cortado. Bolo. Guloseima. Uma coisa gostosa. Porque alguém que mutila, ou seja, corta o &#8220;bolo&#8221; &#8211; aspas de propósito, ok? &#8211; sente PRAZER em cortar, em mutilar os genitais femininos.</p>
<p>Repararam o tom do protesto travestido de arte? O ato da mutilação está entranhado, faz parte da cultura das sociedades africanas que o praticam, é até um costume aceito pelas vertentes religiosas &#8211; maioria islâmica &#8211; da região, mas isso não deixa de ser uma <strong>agressão aos</strong> <a title="A História dos Direitos Humanos" href="http://www.historiazine.com/2011/11/a-historia-dos-direitos-humanos.html"><strong>Direitos Humanos</strong></a>.</p>
<p>Então porque tem tanta gente criticando a ministra sueca? Sim, o que eu tenho lido por aí é de uma estupidez sem tamanho. Até andam dizendo que as pessoas em volta, que tiravam as fotos, estavam rindo e gostando do bolo. Mas parem para pensar no protesto, esqueçam as pessoas em volta, elas poderiam estar até rindo da genialidade do artista &#8211; e sim, ninguém que está lendo este texto estava lá para saber o real motivo das risadas, então eu também tenho o direito de fazer meus apontamentos e divagações.</p>
<p>Por isso que eu disse no título do texto que <strong>o ponto de vista é um problema histórico</strong>. Cada um tem o seu, mas ele fica cada vez mais <strong>disperso da realidade quando nosso nível de compreensão diminui</strong>. Muitas pessoas que comentaram [<a href="http://g1.globo.com/mundo/noticia/2012/04/ministra-da-cultura-sueca-e-alvo-de-criticas-apos-cortar-bolo-racista.html" target="_blank"><strong>aqui</strong></a> e <a href="http://noticias.terra.com.br/mundo/noticias/0,,OI5726059-EI8142,00-Ministra+sueca+causa+polemica+ao+cortar+bolo+em+forma+de+mulher+negra.html" target="_blank"><strong>aqui</strong></a>, só para citar dois exemplos rápidos] apenas se preocuparam em vociferar a palavra &#8220;racismo&#8221;, sem nem pensar na mensagem que o artista queria passar com sua obra. E o protesto contra as mutilações, que chegaram a <a href="http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI3410570-EI6580,00.html" target="_blank"><strong>atingir mais de 120 MILHÕES de mulheres africanas</strong></a> [dados de 2008, hein?], com cerca de 3 milhões de mulheres sofrendo por ano com este problema&#8230; este protesto não é válido?</p>
<p>E apesar dos esforços da ONU, que celebra em 2012 <a href="http://www.onu.org.br/duas-mil-comunidades-africanas-abandonam-mutilacao-genital-feminina-diz-relatorio-do-unicef-e-unfpa/" target="_blank"><strong>o fim da mutilação feminina em 2 mil comunidades africanas</strong></a>, a prática ainda não foi completamente banida nos países que estão acostumados à esta agressão, que é considerada tortura e abuso sexual pela Organização Mundial de Saúde.</p>
<p>É, tem o problema de saúde também, já que as condições higiênicas durante e depois do ato de mutilação não são das melhores.</p>
<p>É amigos, é complicado&#8230; e o espaço dos comentários está aí, fiquem à vontade!<br />
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		<title>Pequena aula de Frei Betto no Twitter</title>
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		<pubDate>Mon, 16 Apr 2012 21:26:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vinicius Cabral</dc:creator>
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		<description><![CDATA[As chamadas &#8220;redes sociais&#8221; existentes na internet servem para muitas coisas. A principal finalidade é, na minha opinião, espalhar informação. E de preferência informação de qualidade. Tudo bem que tem muita porcaria espalhada na rede, mas também tem muita coisa boa, basta saber &#8220;garimpar&#8221;. E nessa de &#8220;garimpar&#8221;, no sábado passado (14 de abril de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>As chamadas &#8220;redes sociais&#8221; existentes na internet servem para muitas coisas. A principal finalidade é, na minha opinião, espalhar informação. E de preferência informação de qualidade. Tudo bem que tem muita porcaria espalhada na rede, mas também tem muita coisa boa, basta saber &#8220;garimpar&#8221;.</p>
<p><img class="alignleft size-medium wp-image-1809" title="frei-betto" src="http://www.historiazine.com/wordpress/wp-content/uploads/2012/04/frei-betto-300x152.jpg" alt="" width="300" height="152" />E nessa de &#8220;garimpar&#8221;, no sábado passado (14 de abril de 2012) eu abri o Twitter e lá estavam algumas frases do <strong>Frei Betto</strong> sobre Capitalismo, Catolicismo, Comunismo e crise mundial, entre outras coisas.</p>
<p>Uma pequena aula, gratuita, em um sábado de manhã.</p>
<p>Não sei se vocês já seguem o Frei Betto no Twitter &#8211; e se não fazem, <strong><a title="Twitter do Frei Betto" href="https://twitter.com/freibetto" target="_blank">o link é este</a></strong>. E para quem não o conhece, Frei Betto foi um dos principais coordenadores do Programa Fome Zero e trabalhou como assessor do presidente Lula de 2003 a 2010. Além de ter sofrido na mão da Ditadura, ao lado de Frei Tito, que infelizmente não teve um final feliz  - um dia a gente conto esta história aqui, mas por enquanto vão lá no Google, eu espero).</p>
<p>E sem muita lenga-lenga, vamos às twittadas.</p>
<p><strong>NOTA:</strong> eu poderia ter printado as frases, mas preferi reproduzi-los diretamente, já que o link para o Twitter do Frei Betto está ali acima e é aquela coisa&#8230; é público, então acho que não teremos problemas em reproduzi-los aqui. E os grifos são meus.</p>
<blockquote><p>O papa Bento XVI tem razão: o marxismo não é mais útil. Sim, o marxismo conforme muitos na Igreja Católica o entendem: uma ideologia ateísta, que justificou os crimes de Stalin e as barbaridades da <a href="http://www.historiazine.com/2012/01/a-revolucao-chinesa.html" title="A Revolução Chinesa"><strong>Revolução Cultural Chinesa</strong></a>.</p>
<p>Aceitar q o marxismo conforme a ótica de Ratzinger é o mesmo marxismo conforme <a href="http://www.historiazine.com/2009/09/marx-tambem-foi-utopico.html" title="Marx também foi utópico?"><strong>a ótica de Marx</strong></a> seria identificar Catolicismo com Inquisição.</p>
<p>Pode-se dizer hoje: o catolicismo não é mais útil. Porque já não se justifica enviar mulheres tidas como bruxas à fogueira, nem torturar suspeitos de heresia.</p>
<p>Ora, felizmente o catolicismo não pode ser identificado com a Inquisição, nem com a pedofilia de padres e bispos. Do mesmo modo, <strong>o marxismo não se confunde com os marxistas que o utilizaram para disseminar o medo, o terror, e sufocar a liberdade religiosa.</strong> Há que voltar a Marx para saber o que é marxismo; assim como há que retornar aos Evangelhos e a Jesus para saber o que é cristianismo.</p>
<p>Ao longo da história, em nome das mais belas palavras foram cometidos os mais horrendos crimes. Em nome da <strong>democracia</strong>, os EUA se apoderaram de Porto Rico e da base cubana de Guantánamo. Em nome do <strong>progresso</strong>, países da Europa Ocidental colonizaram povos africanos e deixaram ali um rastro de miséria. Em nome da <strong>liberdade</strong>, a rainha Vitória, do Reino Unido, promoveu na China a devastadora <a title="A Guerra do Ópio" href="http://www.historiazine.com/2011/01/guerra-do-opio.html"><strong>Guerra do Ópio</strong></a>. Em nome da <strong>paz</strong>, a Casa Branca cometeu o mais ousado e genocida ato terrorista de toda a história: bombas atômicas sobre Hiroshima e Nagasaki. Em nome da <strong>liberdade</strong>, os EUA implantaram, em quase toda a América Latina, ditaduras sanguinárias ao longo de três décadas (1960-1980).</p>
<p><strong>O marxismo é um método de análise da realidade. E mais do que nunca útil para se compreender <a href="http://www.historiazine.com/2011/10/ocupem-wall-street.html" title="Ocupem Wall Street!"><strong>a atual crise do capitalismo</strong></a>.</strong> O capitalismo, sim, já não é útil, pois promoveu a mais acentuada desigualdade social entre a população do mundo; apoderou-se de riquezas naturais de outros povos; desenvolveu sua face imperialista e monopolista; centrou o equilíbrio do mundo em arsenais nucleares e disseminou a ideologia neoliberal, que reduz o ser humano a mero consumista.</p>
<p>Onde o cristianismo e o marxismo falam em solidariedade, o capitalismo introduziu a competição; onde falam em cooperação, ele introduziu a concorrência; onde falam em respeito à soberania dos povos, ele introduziu a globocolonização.</p>
<p>A ideologia neoliberal, que identifica capitalismo e democracia, hoje impera na consciência de muitos cristãos e os impede perceber q o capitalismo é intrinsecamente perverso. A Igreja Católica, muitas vezes, é conivente com o capitalismo porque este a cobre de privilégios e lhe franqueia uma liberdade que é negada, pela pobreza, a milhões de seres humanos.</p>
<p>Chave da economia solidária: dinheiro como meio de troca e não como capital.</p></blockquote>
<p>Falou e disse, frei&#8230; e obrigado pela aula! <img src='http://www.historiazine.com/wordpress/wp-includes/images/smilies/icon_smile.gif' alt=':)' class='wp-smiley' /><br />
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		<title>O mundo a partir de Gengis Khan</title>
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		<pubDate>Fri, 13 Apr 2012 19:28:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vinicius Cabral</dc:creator>
				<category><![CDATA[História Geral]]></category>
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		<description><![CDATA[Vocês já pararam para pensar o quanto o Ocidente &#8211; onde nós estamos &#8211; deixou de lado o Oriente e sequer citou seus maiores feitos ou, quando cita, faz de forma a desmerecer as conquistas e os avanços? Tivemos grandiosas civilizações ocidentais no passado e muitas ainda existem, pois nenhuma guerra ou ato imperialista conseguiram [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Vocês já pararam para pensar o quanto o Ocidente &#8211; onde nós estamos &#8211; deixou de lado o Oriente e sequer citou seus maiores feitos ou, quando cita, faz de forma a desmerecer as conquistas e os avanços? Tivemos grandiosas civilizações ocidentais no passado e muitas ainda existem, pois nenhuma guerra ou ato imperialista conseguiram destruí-las.</p>
<p>Eu estou lendo um livro chamado <strong>&#8220;Gengis Khan e a formação do mundo moderno&#8221;</strong>, onde o autor, Jack Weartheford, esmiúça a vida e as conquistas do maior líder mongol de todos os tempos. Esta parte abaixo eu tirei do livro. Percebam o quanto foram importantes os feitos de Gengis Khan:</p>
<blockquote><p><img src="http://www.historiazine.com/wordpress/wp-content/uploads/2012/04/Genghis-khan-300x200.jpg" alt="" title="Genghis-khan" width="300" height="200" class="alignleft size-medium wp-image-1801" />&#8220;A vida não entregou a Gengis Khan seu destino; ele prórpio a construiu. (&#8230;) O garoto que se tornou Gengis Khan cresceu em um mundo de excessiva violência tribal, incluindo assassinatos, raptos e escravização. Como filho de uma família banida e abandonada à própria sorte nas estepes, ele provavelmente não teve contato com mais do que algumas centenas de pessoas em toda sua infância e não recebeu uma educação formal. A partir desse duro cenário, aprendeu, com detalhes terríveis, o amplo alcance das emoções humanas: desejo, ambição e crueldade. Ainda criança matou seu meio-irmão mais velho, foi capturado e escravizado por um clã rival e conseguiu escapar dos seus captores.</p>
<p>Sob estas condições terríveis, o garoto demonstrou um instinto para sobrevivência e a autopreservação, mas revelou poucos sinais das conquistas que realizaria um dia. Quando criança, temia cachorros e chorava com facilidade. Seu irmão mais novo era mais forte, além de melhor arqueiro e lutador; seu meio-irmão o tiranizava e o provocava. Entretanto, a partir de circunstâncias degradantes de fome, humilhação, sequestro e escravidão, Gengis Khan começou sua longa escalada para o poder. Antes de chegar à puberdade, já tinha formado as duas relações mais importantes da sua vida. Jurou amizade e fidelidade eternas a um garoto ligeiramente mais velho que se tornou o amigo mais próximo da sua juventude, mas que se converteu no inimigo mais resoluto da sua vida adulta, e conheceu a garota que amaria para sempre e que se tornaria a mãe de imperadores. (&#8230;)</p>
<p>Ano após ano, Gengis Khan derrotou gradualmente todas as pessoas mais poderosas que ele até conquistar todas as tribos na estepe mongol. Com a idade de 50 anos, quando a maioria dos grandes conquistadores já deixara seus dias de luta, o Estandarte do Espírito de Gengis Khan instigou-o para longe da sua remota terra natal para enfrentar os exércitos dos povos civilizados que haviam hostilizado e escravizado as tribos nômades por séculos. (&#8230;)</p>
<div id="attachment_1802" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><img src="http://www.historiazine.com/wordpress/wp-content/uploads/2012/04/cavalaria-mongol.jpg" alt="cavalaria-mongol" title="cavalaria-mongol" width="500" height="353" class="size-full wp-image-1802" /><p class="wp-caption-text">Cavalaria mongol. Rápida e eficiente.</p></div>
<p>Em uma conquista após a outra, o exército mongol transformou a guerra em um acontecimento internacional de múltiplas frentes, que se estendiam por milhares de quilômetros. As técnicas de luta inovadoras de Gengis Khan tornaram obsoletos os cavaleiros da Europa Medieval com suas armaduras pesadas, substituídos por uma cavalaria disciplinada que se movimentava em unidades coordenadas. Em vez de confiar em fortificações defensivas, Gangis Khan fez uso brilhante da velocidade e da surpresa no campo de batalha, bem como aperfeiçoou a guerra de sítio a ponto de acabar com a Era das cidades muradas. (&#8230;)</p>
<p>Em 25 anos, o exército mongol subjugou mais terras e povos do que os romanos em 400. Gengis Khan, juntamente com seus filhos e netos, conquistou as civilizações mais densamente povoadas do século XIII. Sejam medidas pelo número total de povos derrotados, pela soma dos países anexados ou área total ocupada, as conquistas de Gengis Khan foram mais do que duas vezes maiores comparadas a qualquer outro homem na História. (&#8230;) No seu apogeu, o império cobriu entre 17 e 19 milhões de quilômetros quadrados contíguos, uma área quase do tamanho do continente africano e consideravelmente maior que as Américas do Norte e Central e as ilhas do Caribe juntas. (&#8230;) O aspecto mais espantoso dessa façanha é o fato de que toda a tribo mongol sob o reinado de Gangis Khan tinha por volta de um milhão de pessoas, menor que a força de trabalho de algumas corporações modernas. Desse número, recrutou seu exército, formado por não mais do que 100 mil guerreiros &#8211; um grupo que poderia caber confortavelmente nos estádios esportivos de hoje.</p>
<p>Em termos norte-americanos, a proeza de Gengis Khan poderia ser compreendida se os Estados Unidos, em vez de terem sido criados por um grupo de mercadores instruídos ou fazendeiros ricos, tivessem sido fundados por um de seus escravos analfabetos, o qual, pela mera força de sua personalidade, carisma e determinação, libertasse a região do domínio estrangeiro, unisse seu povo, criasse um alfabeto, escrevesse a Constituição, estabelecesse a liberdade religiosa universal, inventasse um novo sistema de luta armada, fizesse com que um exército marchasse do Canadá ao Brasil e abrisse rotas comerciais em uma zona de livre comércio espraiada por continentes. Em todos os níveis e sob qualquer perspectiva, a escala e o alcance das realizações de Gangis Khan desafiam os limites da imaginação e põem à prova os recursos de uma explanação acadêmica. (&#8230;)</p>
<p><img src="http://www.historiazine.com/wordpress/wp-content/uploads/2012/04/mongolmapa.jpg" alt="" title="mongolmapa" width="560" height="381" class="aligncenter size-full wp-image-1803" /></p>
<p>O império de Gengis Khan conectou e amalgamou as várias civilizações em torno de si em uma nova ordem mundial. Quando do seu nascimento em 1162, o Velho Mundo consistia em uma série de civilizações regionais, cada uma podendo afirmar desconhecer virtualmente qualquer civilização além de sua vizinha mais próxima. Ninguém na China havia ouvido falar da Europa, e ninguém na Europa havia ouvido falar da China e, até onde se sabe, nenhuma pessoa havia feito a jornada de um país ao outro. Quando da sua morte, em 1227, Gengis Khan havia ligado essas áreas por meio de contatos diplomáticos e comerciais que permanecem intactos até os dias de hoje.</p>
<p>À medida que destruía o sistema feudal de privilégio aristocrático e linhagem, Gengis Khan construía um excepcional sistema baseado no mérito individual, na lealdade e competência. Encontrou cidades mercantis desarticuladas e langorosas ao longo da Rota da Seda e organizou-as na maior zona de livre comércio da História. Baixou os impostos para todos e aboliu-os completamente para médicos, professores, padres e instituições educacionais. (&#8230;) Seu império não era de acumulação de riquezas e tesouros; em vez disso, distribuía amplamente as mercadorias obtidas em batalha para que pudessem retornar para a circulação comercial. Criou uma lei internacional e reconheceu a lei suprema máxima do Eterno Céu Azul sobre todas as pessoas. Em uma época em que a maioria dos governantes considerava-se acima da lei, Gengis Khan insistia em que as leis considerassem os governantes tão responsáveis quanto o pastor mais simples. (&#8230;) Gengis recusou-se a manter reféns e, em vez disso, instituiu a prática original de conceder imunidade diplomática para todos os embaixadores e emissários, incluindo aqueles de nações hostis contra as quais ele estava em guerra.</p>
<p>Gengis Khan deixou o império com uma fundação tão firme que ele continuou crescendo por mais 150 anos. (&#8230;) Os vestígios do império permaneceram sob o governo de seus descendentes por sete séculos. Alguns deles reinaram na Índia até 1857, quando os britânicos derrubaram o imperador Bahadur Xá II e decapitaram dois dos seus filhos e seu neto. O último descendente de Gengis Khan no poder, Alim Khan, emir de Bucara, seguiu no poder no Uzbequistão até ser deposto em 1920 pelo avanço de Revolução Soviética.</p>
<p>A História condenou a maioria de seus conquistadores à morte prematura e trágica. Com 33 anos, <a href="http://www.historiazine.com/2012/03/alexandre-o-grande.html" title="Alexandre, o Grande">Alexandre, O Grande</a>, morreu sob circunstâncias misteriosas na Babilônia, enquanto seus seguidores mataram sua família e partilharam suas terras entre si. Os companheiros aristocratas e antigos aliados de Júlio César apunhalaram-no até a morte na câmara do Senado romano. Após suportar a destruição e a reversão de todas as suas conquistas, Napoleão, solitário e amargo, encarou a morte como um prisioneiro em uma das ilhas mais remotas e inacessíveis do planeta. O quase septuagenário Gengis Khan, entretanto, faleceu em sua cama de campanha, cercado pela família que o amava, amigos fiéis e soldados leais prontos para arriscar a vida ao seu comando. No verão de 1227, durante a campanha contra a nação tangut junto às nascentes do rio Amarelo, Gengis Khan morreu &#8211; ou, nas palavras dos mongóis, que têm aversão a se referir à morte ou doença, &#8216;ascendeu aos céus&#8217;.&#8221;</p></blockquote>
<h3>Fonte:</h3>
<p>WEATHERFORD, Jack. <strong>&#8220;Gengis Khan e a formação do mundo moderno&#8221;</strong>. Editora Bertrand Brasil. Rio de Janeiro (págs. 17 a 22)<br />
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		<title>Os sumérios</title>
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		<pubDate>Thu, 12 Apr 2012 21:22:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vinicius Cabral</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Primeiro povo a ocupar e urbanizar as margens dos rios Tigre e Eufrates, os sumérios formaram uma das mais antigas civilizações da História. Originários do Planalto do Irã, mais ao norte, o povo sumério chegou na região conhecida como &#8220;Baixa Mesopotâmia&#8221; por volta do quarto milênio a.C., iniciando no local os primeiros grupos populacionais que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Primeiro povo a ocupar e urbanizar as margens dos rios Tigre e Eufrates, os <strong>sumérios</strong> formaram uma das mais antigas civilizações da História.</p>
<p>Originários do Planalto do Irã, mais ao norte, o povo sumério chegou na região conhecida como &#8220;Baixa Mesopotâmia&#8221; por volta do quarto milênio a.C., iniciando no local os primeiros grupos populacionais que algum tempo depois formariam as primeiras cidades-estados, lideradas pelas dinastias reais que perpetuavam-se no poder apoiadas pela burocracia sacerdotal.</p>
<div id="attachment_1792" class="wp-caption aligncenter" style="width: 628px"><img class="size-full wp-image-1792" title="sumeria-mapa" src="http://www.historiazine.com/wordpress/wp-content/uploads/2012/04/sumeria-mapa.jpg" alt="sumeria-mapa" width="618" height="402" /><p class="wp-caption-text">Mapa da Suméria (área em amarelo)</p></div>
<p>Mas o mais importante dos sumérios é o que foi deixado, o legado para os povos posteriores, pois muitas das realizações deste povo ficaram perpetuadas na História.</p>
<h3>Controlando o (até então) incontrolável:</h3>
<p>É uma &#8220;certeza histórica&#8221; que as sociedades mesopotâmicas só se desenvolveram porque conseguiram, em um determinado momento, domar as cheias dos rios Tigre e Eufrates, assim como a <a title="Egito" href="http://www.historiazine.com/tag/egito">sociedade egípcia</a> dominou as águas do rio Nilo e também construiu uma das maiores civilizações da <a title="Textos sobre História Antiga" href="http://www.historiazine.com/category/geral/antiga" target="_blank"><strong>Antiguidade</strong></a>.</p>
<p><img class="alignleft size-full wp-image-1793" title="Cidade-Sumeria" src="http://www.historiazine.com/wordpress/wp-content/uploads/2012/04/Cidade-Sumeria.jpg" alt="Cidade-Sumeria" width="283" height="319" />Só que no caso dos sumérios &#8211; e dos povos mesopotâmicos, de um modo geral -, <strong>domar as cheias</strong> dos dois rios da região <strong>significava mais do que boas colheitas</strong>, pois as cheias nesta região eram destrutivas. Explico: os dois rios eram muito caudalosos, apresentando um volume de água durante as cheias bem maior do que o rio Nilo, e mante-los sob controle garantia também a integridade das construções &#8211; casas, templos e espaços públicos.</p>
<p>Além, é claro, de garantir a irrigação dos campos cultiváveis por um período maior do ano, devido a construção de diques e represas, além dos canais para levar a água até localidades distantes das margens dos rios.</p>
<p>Quando dominadas, as águas proporcionaram abundância de alimentos, gerando sobras, acúmulo de alimentos e uma maior facilidade para o desenvolvimento de uma sociedade sedentária.</p>
<h3>Organização social dos sumérios:</h3>
<div id="attachment_1794" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><img class="size-medium wp-image-1794" title="zigurate" src="http://www.historiazine.com/wordpress/wp-content/uploads/2012/04/zigurate-300x199.jpg" alt="zigurate" width="300" height="199" /><p class="wp-caption-text">Ruínas de um zigurate sumério</p></div>
<p>Algumas das maiores cidades sumérias foram Uruk, Eridu, Lagash, Nippur, Kish, Ur e Umma. Todas elas, apesar de serem cidades-estados independentes, mantinham uma hierarquia social bem semelhante.</p>
<p>Inicialmente os <strong>sacerdotes</strong>, apoiados pelo &#8220;corpo eclesiástico&#8221; de cada cidade governavam o povo e as decisões principais partiam deste grupo sacerdotal. Em determinados momentos, quando uma cidade estava em guerra com outra, um general tomava a frente da administração, e gradativamente o eixo político responsável pelas principais decisões das cidades passou para o <strong>patesi</strong>, o líder principal, que passou a atuar apoiado pelos sacerdotes.</p>
<p>Não parece uma grande diferença, mas se olharmos com mais atenção, veremos que o modelo de administração passou a ser mais centralizado com o patesi, e a passagem do poder se dava por hereditariedade, configurando uma <strong>dinastia</strong>.</p>
<p>Toda a administração pública estava concentrada em torno dos <strong>zigurates</strong>, o único grande edifício das cidades, uma espécie de centro político-administrativo-religioso, que em algumas cidades servia até como depósito de grãos.</p>
<h3>Inventando a escrita, usando a matemática, fundindo o metal&#8230;</h3>
<p><img class="alignleft size-medium wp-image-1795" title="escrita-cuneiforme" src="http://www.historiazine.com/wordpress/wp-content/uploads/2012/04/escrita-cuneiforme-300x281.jpg" alt="escrita-cuneiforme" width="300" height="281" />Já falamos aqui sobre <a title="A " href="http://www.historiazine.com/2009/10/invencao-da-historia.html"><strong>a invenção da escrita</strong></a>, mas não custa citar que os sumérios foram os primeiros responsáveis por transformar os sons da fala em símbolos e gravá-los em tábuas de argila.</p>
<p>Pode parecer pouco, mas a escrita cuneiforme &#8211; primeiro método de escrita que se tem notícia &#8211; facilitou muito a administração pública e o comércio. Além de usarem a escrita, os sumérios ainda expandiram o costume para as regiões próximas, difundindo ainda mais a prática.</p>
<p>E os sumérios também aproveitaram a escrita para perpetuar suas tradições orais, seus poemas, cânticos, fábulas e até mesmo as leis das cidades.</p>
<p>Eles também sabiam fazer um bom uso da matemática em suas grandes obras públicas. Ou vocês acham que construir um zigurate é fácil? Além disto, os extensos canais de irrigação também necessitavam de conhecimento matemático para virarem realidade.</p>
<p>Uma outra função do zigurate era de servir como posto de observação das estrelas, afinal era um lugar alto e naquela época, sem a &#8220;poluição luminosa&#8221; que temos hoje nas cidades, imaginem como os astrônomos sumérios enxergavam o céu. Não é de se espantar que eles tinham um grande conhecimento astronômico para a época.</p>
<p>Em muitas cidades já havia o uso de carroças e animais para o arado. O uso poderia até ser considerado comum em várias outras sociedades da época, mas na Mesopotâmia ele tomou contornos de &#8220;larga escala&#8221;, facilitando ainda mais na expansão das áreas cultiváveis. Além disto os ferreiros já fundiam o cobre e o bronze, auxiliando na criação de armas e outros objetos de uso comum.</p>
<h3>Religião suméria:</h3>
<div id="attachment_1796" class="wp-caption alignleft" style="width: 202px"><img class="size-full wp-image-1796" title="nammu" src="http://www.historiazine.com/wordpress/wp-content/uploads/2012/04/nammu.jpg" alt="nammu" width="192" height="360" /><p class="wp-caption-text">Representação de Nammu</p></div>
<p>Eram <strong>politeístas</strong>, adorando várias divindades, como <strong>An</strong> e <strong>Nammu</strong>, respectivamente deuses pai e mãe do universo. Inanna era a deusa da guerra e Enlil o deus dos ventos, e existiam vários outros deuses, muitos deles tomavam lugar de destaque dependendo da cidade, que cultuava cada uma um deus &#8220;principal&#8221;.</p>
<p>Segundo os sumérios, os deuses expressavam seu &#8220;humor&#8221; com fenômenos da natureza. Quando estavam zangados com o povo, o castigo era um terremoto ou uma cheia muito forte. Este costume de associar desastres naturais aos deuses manteve muitos sacerdotes ocupados na Antiguidade&#8230;</p>
<h3>As lutas entre as cidades e o declínio dos sumérios:</h3>
<p>Não havia paz plena, mesmo entre os sumérios. Como estavam organizados em cidades-estados, era comum uma cidade declarar guerra à outra, seja por causa de território, ou por questões comerciais.</p>
<p>Isto acabava enfraquecendo as cidades, e foi justamente depois de uma guerra entre as cidades de Lagash e Ur que os semitas chegaram na região e iniciaram um processo de conquistas, partindo da cidade de Acad por volta do ano 2350 a.C. e tomando todo o território dos sumérios em alguns anos.</p>
<p>Não houve o &#8220;fim&#8221; dos sumérios, pois sua cultura e seus costumes continuavam vivos, mas houve uma assimilação de costumes entre os povos, e desta fusão de costumes nasceu o Império Acadiano, que praticamente unificou toda a região da Baixa Mesopotâmia e manteve o controle por alguns séculos.</p>
<p>Mas isso é assunto para outro texto&#8230;<br />
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		<title>Os guaranis</title>
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		<pubDate>Wed, 11 Apr 2012 22:12:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vinicius Cabral</dc:creator>
				<category><![CDATA[América Pré-Colombiana]]></category>
		<category><![CDATA[História do Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[América]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[guarani]]></category>

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		<description><![CDATA[Eles são considerados o maior grupo nativo brasileiro, e estão espalhados por vários outros países da América do Sul. Subdivididos em diversos grupos, de acordo com suas particularidades culturais e linguísticas, os guaranis chegaram a ter, por estimativa, cerca de 2 milhões de indivíduos antes da chegada dos europeus. Hoje são pouco mais de 46 [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eles são considerados o maior grupo nativo brasileiro, e estão espalhados por vários outros países da América do Sul. Subdivididos em diversos grupos, de acordo com suas particularidades culturais e linguísticas, os <strong>guaranis</strong> chegaram a ter, por estimativa, cerca de 2 milhões de indivíduos antes da chegada dos europeus. Hoje são pouco mais de 46 mil.</p>
<p>Mas para nossa sorte, sua cultura ainda continua &#8220;viva&#8221; em pequenas reservas espalhadas por vários estados brasileiros.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-1784" title="Guarani-Kaiowa" src="http://www.historiazine.com/wordpress/wp-content/uploads/2012/04/Guarani-Kaiowa.jpg" alt="" width="600" height="300" /></p>
<blockquote><p><strong>Atenção:</strong> por favor, antes de continuar o texto, esqueçam a denominação &#8220;índio&#8221; ou &#8220;indígena&#8221;. Por que nós chamamos os nativos norte-americanos de &#8220;nativos&#8221; e aqui chamamos de &#8220;índios&#8221;? São todos <strong>nativos</strong>, ok?</p></blockquote>
<h3>Características comuns dos guaranis:</h3>
<div id="attachment_1786" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><img class="size-full wp-image-1786" title="ceramicas_guarani" src="http://www.historiazine.com/wordpress/wp-content/uploads/2012/04/ceramicas_guarani.jpg" alt="Ceramicas guaranis" width="300" height="460" /><p class="wp-caption-text">Cerâmicas guaranis</p></div>
<p>Tirando as discussões históricas sobre a colonização do continente americano, existe a estimativa de que o homem migrou para cá por volta de 20 mil anos atrás. Durante este tempo, os que aqui chegaram foram gradativamente tomando conta do território e, espalhados, passaram a cultivar hábitos, costumes e linguagens diferentes.</p>
<p>Vários grupos humanos foram se formando continente afora, e alguns chegaram a um nível de civilização bem avançada &#8211; como é o caso dos <a title="Os Astecas" href="http://www.historiazine.com/2010/06/os-astecas.html"><strong>astecas</strong></a>, dos <a title="Os Maias" href="http://www.historiazine.com/2009/10/os-maias.html"><strong>maias</strong></a>, dos <a title="Os Incas" href="http://www.historiazine.com/2009/08/os-incas.html"><strong>incas</strong></a> ou dos <a title="Os Chimus" href="http://www.historiazine.com/2011/07/os-chimus.html"><strong>chimus</strong></a>.</p>
<p>Mas no atual território brasileiro, considera-se que as &#8220;tribos&#8221; que migraram para esta parte do continente ainda viviam como se estivessem no Paleolítico, ou seja: eram <strong>semi-nômades</strong>, coletores, pescadores, costumavam cultivar pequenas roças onde plantavam mandioca, milho, batata e feijão, além de fabricarem pequenas peças artesanais como cestas, vasos de barro etc&#8230;</p>
<p>Os guaranis não fugiram a esta regra. Apesar de existirem diversos grupos diferentes, no geral eles compartilhavam outras características em comum: não faziam uso da linguagem escrita e transmitiam suas tradições de forma oral. E eles não se referiam como guaranis &#8211; que significa &#8220;guerreiro&#8221; -, mas cada grupo se identificava de acordo com os elementos da natureza onde estavam próximos, como rios, lagos, ou então um aspecto particular da &#8220;tribo&#8221;, geralmente nomes dados por outras tribos. E quando estes nomes foram conhecidos pelos portugueses e espanhóis, eles passaram também a reconhecer e identificar os nativos da mesma forma.</p>
<p>O termo &#8220;guarani&#8221; só foi usado séculos depois, quando os nativos passaram a ser identificados pela sua raiz linguística, a tupi-guarani.</p>
<h3>Diferenças entre as &#8220;tribos&#8221; guaranis:</h3>
<p>Apesar de muitas particularidades em comum &#8211; que inclusive definem os guaranis como um povo, até mesmo uma &#8220;nação guarani&#8221; -, os grupos geralmente mantém costumes que muita das vezes não são bem aceitos por outros grupos. Alguns aceitam a poligamia, por exemplo, já outros não a toleram. Dos 3 grandes grupos existentes nos dias atuais, os Nhandevas, os Mbya e os Kaiowás, existem diferenças fundamentais que os identificam e os separam, mesmo todos pertencendo à grande &#8220;nação guarani&#8221;.</p>
<h3>Mitologia guarani:</h3>
<p>Segundo as tradições &#8211; com uma ou outra pequena divergência &#8211; o responsável pela criação do mundo é o deus <strong>Tupã</strong>, também conhecido como Nhanderu, representado pelo trovão. Ele e a deusa <strong>Araci</strong>, representada pela Lua, desceram na região de Areguá, no atual Paraguai, e de lá criaram os rios, as florestas, os mares, os animais, as estrelas e o primeiro casal, Rupave e Sipave, respectivamente, &#8220;pai e mãe dos povos&#8221;. Deste casal &#8211; analogia bem semelhante ao casal Adão e Eva, concordam &#8211; nasceram vários filhos, que &#8220;fundaram&#8221; o povo guarani.</p>
<p>Como eles costumam associar fenômenos da natureza com deuses, existem várias entidades representando fenômenos naturais ou acidentes geográficos. <strong>Ao Ao</strong>, por exemplo, é relacionado às montanhas, <strong>Kurupi</strong> à fertilidade, <strong>Teju Jagua</strong> às cavernas, <strong>Jaci Jaterê</strong> ao sono, <strong>Pitajovái</strong> à guerra, entre outras entidades.</p>
<h3>Os guaranis na atualidade:</h3>
<div id="attachment_1785" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><img class="size-medium wp-image-1785" title="guarani_mbya" src="http://www.historiazine.com/wordpress/wp-content/uploads/2012/04/guarani_mbya-300x195.jpg" alt="" width="300" height="195" /><p class="wp-caption-text">Moradia de uma tribo guarani-mbya</p></div>
<p>O povo guarani, assim como todos os outros povos pré-colombianos que viviam isolados do restante do mundo passaram por grandes problemas por conta da chegada dos europeus. Houve violência em muitos casos, mas infelizmente até mesmo os grupos que preferiam tratar os europeus de forma amistosa acabavam sofrendo com as doenças trazidas de outros continentes.</p>
<p>Mas nem o processo civilizatório e a galopante evangelização dos nativos &#8211; promovida principalmente pelos jesuítas &#8211; ocorridos após o &#8220;descobrimento&#8221; da América, conseguiram apagar certas tradições nativas. O que temos hoje é um sincretismo religioso ali, uma desaculturação acolá, mas muitos grupos ainda mantém seus costumes, suas tradições, mesmo tão próximos aos costumes do &#8220;homem branco&#8221;.</p>
<p>Os guaranis ficaram conhecidos pela sua <strong>resistência à aculturação</strong> promovida pelos europeus, e muitos grupos não aceitam a miscigenação de seus integrantes.</p>
<p>Hoje o Paraguai é considerado o país com a maior população guarani, seguido por Bolívia, Brasil e bem menos na Argentina e no Uruguai. Os grupos guaranis brasileiros estão espalhados pelos estados do Mato Grosso, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Pará, Rio de Janeiro, São Paulo e Espírito Santo. A maioria destes grupos ocupam suas regiões originais da época do &#8220;descobrimento&#8221;, em reservas protegidas por lei.</p>
<div id="attachment_1787" class="wp-caption aligncenter" style="width: 576px"><img class="size-full wp-image-1787" title="guaranis" src="http://www.historiazine.com/wordpress/wp-content/uploads/2012/04/guaranis.jpg" alt="guaranis" width="566" height="398" /><p class="wp-caption-text">Tribo guarani atual mantendo vivas suas tradições ao executar uma das diversas danças rituais.</p></div>
<h3>Fontes</h3>
<p>O <a href="http://www.funai.gov.br/" target="_blank">Portal da Funai</a> é uma &#8220;zona&#8221;. Lá eles ainda chamam o nativo brasileiro de &#8220;índio&#8221;. Visitem por sua conta e risco (pelo menos tem os dados do Censo 2010).</p>
<p><a href="http://anarcopedagogicoatemporais.blogspot.com.br/2011/05/anarco-visita-ao-muarq.html" target="_blank">Fonte</a> da foto das cerâmicas.<br />
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		<title>Constantinopla, &#8220;capital&#8221; do mundo</title>
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		<pubDate>Thu, 05 Apr 2012 22:07:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vinicius Cabral</dc:creator>
				<category><![CDATA[História Geral]]></category>
		<category><![CDATA[História Medieval]]></category>
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		<description><![CDATA[Enquanto o Império Romano do Ocidente tornava-se cada vez mais fragmentado, principalmente por causa das invasões bárbaras e do crescente processo de feudalização da região, o Império Romano do Oriente tornava-se cada vez mais próspero. Sediado na antiga cidade de Bizâncio e controlado segundo a hierarquia herdada do antigo Império Romano &#8211; aquele dos césares, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Enquanto o Império Romano do Ocidente tornava-se cada vez mais fragmentado, principalmente por causa das invasões bárbaras e do crescente processo de feudalização da região, o <strong>Império Romano do Oriente</strong> tornava-se cada vez mais próspero. Sediado na antiga cidade de Bizâncio e controlado segundo a hierarquia herdada do antigo Império Romano &#8211; aquele dos césares, sem divisões -, o império oriental durou mais de mil anos e tornou-se um dos principais pontos culturais do período.</p>
<p>O título coloca <strong>Constantinopla</strong>- a &#8220;cidade de Constantino&#8221; &#8211; como o centro do mundo, apesar do período ter assistido a outras grandes cidades florescerem e tornarem-se tão ou mais importantes, mas o fato é que além da posição geográfica privilegiada, a capital do Império Romano do Oriente merece, mesmo que por um tempo específico, ser tratada desta forma.</p>
<div id="attachment_1775" class="wp-caption aligncenter" style="width: 610px"><img class="size-full wp-image-1775" title="Constantinopla" src="http://www.historiazine.com/wordpress/wp-content/uploads/2012/04/constantinopla.jpg" alt="Constantinopla" width="600" height="350" /><p class="wp-caption-text">Uma cidade que fica na passagem entre dois continentes, impossível não evoluir em vários aspectos sociais e culturais</p></div>
<h3>Herdeira de Roma:</h3>
<p>Constantinopla surgiu quando Constantino I resolveu mudar a capital da Nicomédia (região da Anatólia) para <strong>Bizâncio</strong> no ano de 330. O imperador então mandou que fosse dada a devida importância a <strong>uma cidade muito bem localizada geograficamente</strong>, passagem obrigatória de várias caravanas comerciais da época, e promoveu diversas melhorias estruturais na cidade. Em importância, Constantinopla passou a rivalizar com Roma, então capital de todo o Império Romano.</p>
<p>No ano de 395, o imperador Teodósio I faleceu e deixou o império nas mãos de seus dois filhos. Assim, Flávio Honório ficou responsável pela parte ocidental &#8211; com capital em Roma -, enquanto Arcádio tomou conta da parte oriental, governando em Constantinopla.</p>
<p>A divisão do Império Romano não foi algo parecido com o Grande Cisma da Igreja Católica, quando houve uma ruptura total causada por desavenças internas da igreja. A coisa aconteceu de forma lenta e gradual. As <strong>invasões bárbaras</strong> também chegaram a incomodar os romanos orientais, mas as defesas e os modos de manter os &#8220;bárbaros&#8221; longe deste lado do império foram mais eficientes. Teodósio II, por exemplo, construiu uma grande muralha em torno da cidade, o que manteve os ataques dos bárbaros e posteriormente dos persas e islâmicos longe por um bom tempo.</p>
<p>Depois do início das invasões bárbaras, a autoridade romana ocidental caiu, também de forma gradual, até o ano de 476, quando Odoacro depôs o último dos imperadores ocidentais, Rômulo Augusto, e meio que &#8220;inaugurou&#8221; a <a title="Textos sobre a Idade Média" href="http://www.historiazine.com/category/geral/media" target="_blank"><strong>Idade Média</strong></a>. Sobrou apenas o Império Romano do Oriente, mais ligado à cultura grega, assim como no início do Império Romano. E devido às suas defesas e à diplomacia de seus imperadores, cada vez mais desenvolvido social, cultural e economicamente, enquanto a antiga Europa ocidental tornava-se cada vez mais ligada à cultura latina e retraída em suas fronteiras.</p>
<p>Mas o principal período de crescimento do Império Romano do Oriente aconteceu sob o reinado de Justiniano I.</p>
<h3>Justiniano, &#8220;filho&#8221; da Revolta de Nika:</h3>
<div id="attachment_1777" class="wp-caption alignleft" style="width: 222px"><img class="size-medium wp-image-1777" title="justiniano" src="http://www.historiazine.com/wordpress/wp-content/uploads/2012/04/justiniano-212x300.jpg" alt="" width="212" height="300" /><p class="wp-caption-text">Justiniano I</p></div>
<p>O governo de Justiniano I ocorria sem muitos percalços até que no dia 13 de janeiro de 532 uma corrida de cavalos mudou os rumos e a orientação de seu reinado. Nika era o cavalo preferido da população, mas Justiniano acabou decretando o outro cavalo &#8211; que havia perdido por pouco para Nika &#8211; vencedor do páreo daquele dia.</p>
<p>A população, enfurecida, aproveitou a insatisfação que já existia com os altos impostos &#8211; entre outras &#8211; para iniciar uma revolta que durou cerca de uma semana. Vários setores da sociedade, que não concordavam em aspectos diversos da política local, acabaram juntos bradando pelas mesmas reivindicações. Os revoltosos chegaram a matar diversos guardas imperiais e tomaram grande parte da cidade &#8211; inclusive nomeando um novo imperador -, mas Justiniano, apoiado moralmente pela sua esposa Teodora e bélicamente por um de seus principais generais, Belisário, conseguiu abafar a revolta. Estima-se que cerca de 30 mil pessoas foram mortas após o fim da revolta. Assim, Justiniano passou a governar definitivamente como um autocrata, mais aos moldes dos antigos imperadores romanos.</p>
<p>Justiniano conseguiu uma grande expansão territorial durante seu governo, reconquistando territórios perdidos pelos outros imperadores e ampliando seus limites na África e na Península Itálica. <strong>Belisário</strong>, seu principal general, foi tão genial no campo de batalha quanto Júlio César, e foi o principal responsável pela expansão do império.</p>
<p>No campo jurídico, foi durante o reinado de Justiniano que foi elaborado o <strong>Corpus Juris Civilis</strong>, o conjunto de leis que passou a reger o império. O código continha novas leis, mas a grande maioria era formada por leis antigas e que passaram por uma revisão, atualizando a legislação. Culturalmente, Constantinopla fervilhava na época. Afinal, era rota comercial entre a Ásia e a Europa, e com territórios europeus e africanos do antigo Império do Ocidente subordinados ao oriente, o intercâmbio cultural entre estas regiões foi muito grande. Mesmo assim, já havia uma certa queda das influências greco-romanas nos trabalhos culturais, já que a teologia cristã oriental ganhava força e personalidade própria, já se diferenciando da cristandade ocidental.</p>
<p>Justiniano também incentivou a reconstrução da bela basílica de Santa Sofia &#8211; também conhecida como <strong>Hagia Sophia</strong>, que em grego significa &#8220;Sagrada Sabedoria&#8221; -, destruída durante a revolta de Nika. Hagia Sofia certamente é uma das maiores obras da arquitetura bizantina, e mesmo transformada em mesquita após a invasão otomana de 1453 e depois &#8220;desfigurada&#8221; pelos muçulmanos de sua arquitetura e objetos de decoração originais e transformada em museu no século XX &#8211; e esquecida posteriormente pelos governantes turcos -, a basílica ainda é um marco arquitetônico.</p>
<div id="attachment_1776" class="wp-caption aligncenter" style="width: 610px"><img class="size-full wp-image-1776" title="hagia-sophia-interior" src="http://www.historiazine.com/wordpress/wp-content/uploads/2012/04/hagia-sophia-interior.jpg" alt="" width="600" height="450" /><p class="wp-caption-text">Interior da basílica, cheia de influências islâmicas e cristãs...</p></div>
<h3>Os séculos posteriores: lutando contra os islãmicos e os cruzados cristãos.</h3>
<p>Um império não dura para sempre. Por maior que tenha sido o crescimento geográfico, militar, econômico e cultural de um reino, ele inevitavelmente será suplantado por outro exército maior ou melhor treinado, ou cederá &#8220;espaço cultural&#8221; para que outros povos ocupem seu espaço. Mas o Império Romano do Oriente sobreviveu por mil anos porque Constantinopla era uma verdadeira fortaleza e seus governantes sabiam usar a diplomacia.</p>
<p>Quando venciam algum inimigo ou perdiam alguma província, os romanos orientais buscavam formalizar um acordo de paz, uma trégua de algumas décadas, e ampliavam as relações comerciais com estes povos. Assim, conseguiam manter sua economia girando enquanto acalmavam a &#8220;gana financeira&#8221; do povo inimigo. Todos saíam ganhando, mas ninguém conseguia invadir Constantinopla. A capital do império permaneceu intacta por séculos, apenas sofrendo um ou outro levante interno &#8211; como o exemplo da Revolta de Nika &#8211; mas nunca cedendo à invasões estrangeiras. Sofria ataques? Sim, mas conseguia repelir quase todos com um relativo sucesso.</p>
<p>As constantes incursões cruzadas no Oriente Médio acabaram abalando a estrutura bizantina, que nesta época encontrava-se sob a liderança de generais não tão geniais quanto Belisário, e o império viu-se fragmentado após o saque de Constantinopla, promovido pelos cavaleiros da Quarta Cruzada em 1204. O pouco de território que ainda existia sob o domínio bizantino foi dividido em 4 reinos, e muito enfraquecidos, nunca mais retomaram a unidade dos séculos anteriores.</p>
<p>Constantinopla e a unidade do império também passaram por algumas guerras internas já nos séculos XIV e XV &#8211; já que principalmente a região dos Bálcãs havia se tornado uma imensa &#8220;colcha de retalhos&#8221; de povos, e é assim até hoje &#8211; e estas guerras enfraqueceram ainda mais o poder na região.</p>
<p>Já a expansão islãmica, iniciada no século VII, conquistou muitos territórios bizantinos e também abalou os alicerces de Constantinopla. Era mais um inimigo a ser vencido, além dos persas e dos &#8220;bárbaros&#8221; europeus que por séculos ameaçaram o império. Como os líderes muçulmanos também gostavam de manter acordos de paz sempre que o inimigo apresentava relativa força, a convivência foi se arrastando por séculos, com atritos localizados em algumas regiões, até que em 1453 os Turcos Otomanos tomaram Constantinopla e deram fim ao último resquício do antigo Império Romano.</p>
<div id="attachment_1778" class="wp-caption aligncenter" style="width: 647px"><img class="size-full wp-image-1778" title="Bizancio-Constantinopla-Istambul" src="http://www.historiazine.com/wordpress/wp-content/uploads/2012/04/Bizancio-Constantinopla-Istambul.jpg" alt="" width="637" height="425" /><p class="wp-caption-text">Vista da atual Istambul, antiga Constantinopla, antiga Bizâncio... e a Basílica de Santa Sofia em primeiro plano.</p></div>
<p>Hoje Constantinopla se chama Istambul e faz parte da Turquia &#8211; e atenção, a capital da Turquia é a cidade de Ancara, ok? -, e ainda é um &#8220;entroncamento&#8221; entre a Ásia e a Europa, e é considerada uma das cidades mais &#8220;interessantes&#8221; &#8211; culturalmente falando &#8211; dos dois continentes.</p>
<p>Resumir mil anos de História em um texto é pretensão demais, não é mesmo? Mas eu espero que vocês tenham gostado, futuramente nós falaremos mais deste assunto&#8230;<br />
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		<title>Resenha: &#8220;Dia D: Amanhecer de Heróis&#8221;</title>
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		<pubDate>Thu, 29 Mar 2012 17:20:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vinicius Cabral</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Apesar de não tirar qualquer mérito da publicação, o livro &#8220;Dia D: Amanhecer de Heróis&#8221;, do escritor Nigel Cawthorne, está mais para uma reportagem muito bem documentada sobre um dos eventos mais importantes da Segunda Guerra do que propriamente um livro contendo uma pesquisa histórica mais aprofundada sobre o tema. Mas como eu disse, o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Apesar de não tirar qualquer mérito da publicação, o livro <strong>&#8220;Dia D: Amanhecer de Heróis&#8221;</strong>, do escritor <strong>Nigel Cawthorne</strong>, está mais para uma reportagem muito bem documentada sobre um dos eventos mais importantes da <a href="http://www.historiazine.com/tag/segunda-guerra" title="Textos sobre a Segunda Guerra Mundial" target="_blank"><strong>Segunda Guerra</strong></a> do que propriamente um livro contendo uma pesquisa histórica mais aprofundada sobre o tema.</p>
<p>Mas como eu disse, o livro tem seus méritos.</p>
<p><img src="http://www.historiazine.com/wordpress/wp-content/uploads/2012/03/dia-d-capa.jpg" alt="" title="dia-d-capa" width="600" height="449" class="aligncenter size-full wp-image-1768" /></p>
<p>O autor optou, sabiamente, por expor os antecedentes do desembarque Aliado no Dia D antes de entrar nos detalhes do mesmo. Como sabemos, a Segunda Guerra teve reflexos no mundo todo, e muitos eventos estiveram ligados ou desencadearam diversas reações, tanto do Eixo como dos Aliados.</p>
<p>E algumas destas reações foram importantíssimas para que o Dia D desse certo enquanto invasão maciça contra uma força militar muito bem postada em suas linhas de defesa. Comandados por americanos e britânicos, os soldados que fizeram parte das Operações Overlord e Netuno em 6 de junho de 1944 tinham uma noção da resistência alemã que encontrariam pela frente. Além de já estarem ocupando a região por algum tempo, os alemães reforçaram todas as defesas já existentes e não estavam dispostos a ceder terreno para os Aliados.</p>
<p>Como exemplos dos fatos importantes antes do Dia D, podemos citar a experiência dos britânicos em combates diretos contra os alemães na África. Várias batalhas nas areias do deserto ajudaram a formar a &#8220;casca&#8221; necessária para enfrentar os alemães na Europa. Na época do Dia D, o responsável pelas defesas alemãs nas praias francesas era o mesmo Erwin Rommel que comandava os temidos Afrika Korps no Saara.</p>
<p>Aqui, um comentário rápido sobre &#8220;A Raposa do Deserto&#8221;: mesmo deslocado por Hitler para a região de Pas-de-Calais &#8211; graças à Operação Fortitude, criada justamente para confundir os alemães &#8211; , Rommel tinha certeza quase absoluta de que o desembarque Aliado ocorreria na região da Normandia, por isso manteve as linhas de defesa em constante alerta. Mas como ele não podia desobedecer ordens do Füher&#8230;</p>
<p>Os britânicos ainda tiveram papel fundamental no conflito quando lutaram bravamente nos céus do Canal da Mancha contra a Luftwaffe. Se a ilha da Inglaterra caísse sob o bombardeio dos alemães, os Aliados não teriam portos seguros tão proximo ao continente, o que dificultaria toda a ação.</p>
<p>Do lado norte-americano &#8211; que entrou na guerra de forma definitiva logo após o ataque japonês em Pearl Harbor, mas antes disso eles já estavam ajudando os britânicos, principalmente fornecendo insumos de guerra &#8211; a vitória na Batalha de Midway deu não só a vantagem no teatro do Pacífico como também, com o desenrolar dos combates contra os japoneses, uma certa tranquilidade para mobilizar mais tropas para a Europa naquele momento.</p>
<p><img src="http://www.historiazine.com/wordpress/wp-content/uploads/2012/03/dia-d-interno.jpg" alt="" title="dia-d-interno" width="600" height="300" class="aligncenter size-full wp-image-1769" /></p>
<p>O autor cita também o deslocamento massivo de soldados e equipamentos bélicos da Alemanha para invadir a URSS na Operação Barbarossa como um dos fatores importantes e decisivos. Não fosse a resistência russa a demandar cada vez mais material humano da Alemanha para uma invasão que com o tempo mostrou-se infrutífera, talvez os Aliados não tivessem tanta sorte no desembarque&#8230; apenas muito mais inimigos para combater na linha de frente.</p>
<p>O livro também conta com diversas fotos do conflito, ilustrando bem como foi toda a invasão aliada. Longe de atrapalhar a leitura, as fotos ajudam na &#8220;imersão&#8221; do tema, fornecendo mais informação a nós, leitores.</p>
<p>Como eu já disse, o autor não é um acadêmico de História, mas o livro é bem interessante. Como ele é colaborador de vários jornais e revistas dos EUA e da Inglaterra, não é de se espantar que o texto esteja bem construído. Cawthorn também é autor de alguns livros de ficção, e eu confesso que quando fui contatado pela editora para resenhar o livro eu fiquei um tanto quanto receoso. Mas nada que não fosse superado logo nas primeiras páginas, pois o trabalho ficou bem feito!</p>
<p>E vocês me desculpem, mas se eu começar a falar, acabo contando o livro todo, e a intenção do texto não é exatamente esta, não é mesmo?</p>
<p>Se você ficou interessado, pode ir no site da MBooks e comprar o livro clicando <a href="http://www.mbooks.com.br/cgi-bin/e-commerce/busca_e-commerce.cgi?lvcfg=mbooks&#038;action=saibamais&#038;codigo=801580" target="_blank">neste link</a>. Eu recomendo!<br />
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