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	<title>HistóriaZine</title>
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	<description>A História descomplicada!</description>
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		<title>Galileu Galilei</title>
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		<pubDate>Tue, 14 Feb 2012 20:40:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vinicius Cabral</dc:creator>
				<category><![CDATA[História Geral]]></category>
		<category><![CDATA[História Moderna]]></category>
		<category><![CDATA[Europa]]></category>
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		<description><![CDATA[Físico, astrônomo, matemático e filósofo. Este foi Galileu Galilei, considerado &#8220;o pai da ciência moderna&#8221;, responsável por uma série de invenções e descobertas entre os séculos XVI e XVII que mudaram, de alguma forma, o modo como o homem entendia o mundo a sua volta. Mas é óbvio que ele encontraria certas &#8220;resistências&#8221;&#8230; A paixão [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Físico, astrônomo, matemático e filósofo. Este foi Galileu Galilei, considerado &#8220;o pai da ciência moderna&#8221;, responsável por uma série de invenções e descobertas entre os séculos XVI e XVII que mudaram, de alguma forma, o modo como o homem entendia o mundo a sua volta. Mas é óbvio que ele encontraria certas &#8220;resistências&#8221;&#8230;</p>
<h3>A paixão pela física e a matemática falou mais alto que a medicina:</h3>
<div id="attachment_1410" class="wp-caption alignleft" style="width: 230px"><img class="size-full wp-image-1410" title="galileu_galilei" src="http://www.historiazine.com/wordpress/wp-content/uploads/2012/01/galileu_galilei.jpg" alt="" width="220" height="316" /><p class="wp-caption-text">Galileu Galilei</p></div>
<p>Galileu Galilei nasceu na cidade de Pisa, na Itália, no dia 15 de fevereiro de 1564. Seu pai, Vicenzo Galilei, um comerciante de tecidos, amante da música e da matemática, sempre desejou que o filho estudasse medicina.</p>
<p>Assim, em 1581 Galileu iniciou seus estudos na Universidade de Pisa, mas largou a medicina quatro anos depois de forma definitiva para se dedicar ao estudo da física. Antes, Galileu já estava interessado na matemática e estudava meio que <em>escondido</em> do pai.</p>
<p>Em 1589 ele já era catedrático da matéria nesta mesma universidade e já iniciava suas primeiras investigações, principalmente no campo da mecânica, tentando descrever e explicar os fenômenos da física em linguagem matemática.</p>
<p>A principal contibuição de Galileu no campo da física foi adotar e defender o método científico de experimentação prática das teorias, combatendo o modelo aristotélico que era adotado anteriormente. Não bastava explicar o fenômeno por fórmulas (teoria), ele tinha que acontecer (prática) para facilitar o entendimento e comprovar a teoria. Como exemplo, podemos citar o &#8220;lendário&#8221; experimento feito na Torre de Pisa[*], quando Galileu soltou da mesma altura duas esferas de mesmo volume, mas de pesos diferentes, e as duas tocaram o chão ao mesmo instante, o que prova que objetos mais leves não caem mais devagar que os mais pesados.</p>
<div id="attachment_1411" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><img class="size-medium wp-image-1411" title="balança_hidrostatica" src="http://www.historiazine.com/wordpress/wp-content/uploads/2012/01/balança_hidrostatica-300x140.jpg" alt="" width="300" height="140" /><p class="wp-caption-text">Balança hidrostática</p></div>
<p>Ele desenvolveu também os fundamentos da mecânica com o estudo de máquinas simples como a alavanca e o uso do plano inclinado. Galileu também inventou a balança hidrostática, o compasso geométrico, uma régua calculadora e o termobaroscópio, usado para medir a pressão atmosférica, que acabou servindo mais como um termômetro.</p>
<p>Mas a principal invenção de Galileu &#8211; que nem foi uma invenção, mas sim um <em>aprimoramento</em> de um instrumento semelhante &#8211; talvez tenha sido sua ruína em uma época que questionar os dogmas católicos era comprar uma passagem só de ida para as temidas fogueiras da Inquisição&#8230;</p>
<h3>A luneta de Galileu e os olhos abertos para o Universo:</h3>
<blockquote><p>&#8220;Preparei um tubo de chumbo, nas extremidades do qual encaixei duas lentes de vidro, ambas planas de um lado, mas do outro lado uma esfericamente convexa e outra côncava. Aplicando o olho às lentes vi os objetos bastante mais próximos. Pouco depois construí outro telescópio mais perfeito, que aumentava os objetos cerca de sessenta vezes. Por fim, não me poupando a trabalhos nem despesas consegui construir para meu uso pessoal um instrumento tão perfeito que os objetos observados com ele pareciam aumentados cerca de cem vezes.&#8221; [<a href="http://www.educ.fc.ul.pt/docentes/opombo/seminario/galileu/inventos.htm" target="_blank">fonte</a>]</p></blockquote>
<p><strong>A luneta não foi uma invenção de Galileu.</strong> O crédito cabe ao holandês <strong>Hans Lippershey</strong>, que combinou uma série de lentes para poder observar objetos a grandes distâncias. Só que a invenção de Lippershey tinha lá suas falhas e limitações, já que os objetos observados ficavam distorcidos.</p>
<div id="attachment_1412" class="wp-caption alignleft" style="width: 256px"><img class="size-full wp-image-1412" title="luneta_Galileu" src="http://www.historiazine.com/wordpress/wp-content/uploads/2012/01/luneta_Galileu.png" alt="" width="246" height="339" /><p class="wp-caption-text">Luneta aprimorada por Galileu</p></div>
<p>Galileu teve conhecimento da invenção e logo construiu uma luneta que não apresentava distorções e ainda por cima era bem mais potente que a de Lippershey, alcançando com perfeição a visão de objetos em distâncias ainda maiores. Com sua luneta &#8211; já podemos chamá-la de telescópio? -, Galileu pode observar as crateras na Lua, as manchas solares, os satélites de Júpiter, os anéis de Saturno e as &#8220;fases&#8221; de Vênus, além de estudar as constelações Plêiades, Órion e Câncer, além da Via Láctea.</p>
<p>Óbvio que um instrumento desses nas mãos de uma mente privilegiada logo causaria alguma mudança na ordem vigente. E foi exatamente o que aconteceu, pois Galileu passou a defender o <strong>Heliocentrismo</strong> proposto por <strong>Nicolau Copérnico</strong>, que defendia que o Sol era o centro do Universo.</p>
<p>Hoje em dia esta teoria está errada, mas na época Copérnico, Galileu e Johannes Kepler &#8211; que defendia, além das teorias de Copérnico, o sistema de órbitas em elipse &#8211; abalaram os dogmas católicos e a teoria vigente do Geocentrismo, proposto por Ptolomeu lá no século II, que afirmava que a Terra era o centro do Universo.</p>
<p>Assim que Galileu publicou seus estudos no livro <strong>Sidereus Nuncius</strong> &#8211; &#8220;O Mensageiro das Estrelas&#8221; &#8211; em 1610, foi contestado pela Igreja Católica e teve que enfrentar o Tribunal da Inquisição.</p>
<h3>Além da ira da Igreja, a descrença de outros cientistas:</h3>
<p>Galileu não teve apenas problemas com a Igreja Católica &#8211; nós falaremos mais sobre isto daqui a pouco &#8211; mas também teve que lidar com a descrença de vários outros estudiosos da época.</p>
<p>Tementes à força da Igreja ou não, estes estudiosos contestavam Galileu de várias formas, acusando principalmente a capacidade do telescópio <em>inventado</em> por Galileu em aproximar as imagens. Alguns diziam que seria impossível as observações sem distorção de imagens, o que causaria dúvidas nas explanações de Galileu, enquanto outros apenas diziam que Galileu estava <em>delirando</em> quando se dispôs a observar o Universo e escrever sobre suas descobertas.</p>
<p>Enquanto isso a Igreja questionava Galileu em cima dos dogmas católicos, que afirmavam o Geocentrismo de Ptolomeu e tinha toda a sua Teologia baseada na <em>centralidade</em> da Terra, no qual baseou-se Tomás de Aquino ao desenvolver a Escolástica lá no início da <a href="http://www.historiazine.com/category/geral/media" target="_blank">Idade Média</a>. Inicialmente ele foi proibido de comentar, opinar ou escrever sobre o assunto.</p>
<p>Mesmo sabendo que outra mente brilhante da época, o cientista Giordano Bruno, já havia sido condenado pelo Tribunal da Inquisição à fogueira em 1600, Galileu não se calou e continuou publicando alguns livros sobre seus estudos e, mesmo sem <em>alfinetar</em> diretamente a Igreja &#8211; como no caso do Heliocentrismo -, ele foi convocado a negar suas ideias publicamente em 1616, com a Igreja já sob a liderança do papa Urbano VIII. Assim Galileu o fez perante o Tribunal, mas continuou seus estudos, já que Urbano VIII não considerava as teorias de Galileu e as de Copérnico como <em>hereges</em>, mas sim <em>temerárias</em>ao questionar os dogmas.</p>
<div id="attachment_1413" class="wp-caption aligncenter" style="width: 453px"><img class="size-full wp-image-1413" title="galileu_inquisicao" src="http://www.historiazine.com/wordpress/wp-content/uploads/2012/01/galileu_inquisicao.jpg" alt="" width="443" height="338" /><p class="wp-caption-text">Galileu no Tribunal da Inquisição, quadro de Cristiano Banti, pintado em 1857</p></div>
<p>Em 1632 Galileu publicou o <strong>Dialogo sopra i due massimi sistemi del mondo</strong> &#8211; &#8220;Diálogo sobre os dois principais sistemas do mundo&#8221; -, onde ele voltava a defender o Heliocentrismo. Mais uma vez convocado ao tribunal, Galileu foi condenado a negar mais uma vez suas teorias publicamente, além de ser banido para uma vila de Arcetri, perto de Florença, onde viveu o resto de sua vida em um regime semelhante à uma <em>prisão domiciliar</em>.</p>
<p>Seus livros foram incluídos definitivamente no <strong>Index</strong> &#8211; o conjunto de publicações proibidas oficialmente pelo Vaticano &#8211; mas continuaram sendo publicados nas regiões da Europa onde o <a title="A Reforma de Lutero" href="http://www.historiazine.com/2011/07/a-reforma-de-lutero.html">protestantismo</a> já era forte e acabava livrando a região da censura do Santo Ofício.</p>
<p>Ainda sobre a condenação, Galileu foi obrigado a dizer as seguintes palavras:</p>
<blockquote><p>“Abjuro, maldigo e detesto os citados erros e heresias.”</p></blockquote>
<h3>&#8220;Contudo, ela (a Terra) se move.&#8221;</h3>
<p>Galileu faleceu em 1642, confinado em Arcetri, cego, proibido de defender suas ideias junto às pessoas próximas porém &#8220;famoso&#8221; nos países <em>protestantes</em>.</p>
<p>Mas antes que alguém culpe somente a Igreja Católica pela ruína de Galileu, é importante citar que a maioria dos clérigos envolvidos com o julgamento aceitavam as ideias de Galileu como <strong>hipóteses</strong>. Ele foi julgado e condenado porque defendia suas descobertas como <strong>verdades científicas</strong>, o que não só questionava como <em>derrubava</em> o que era aceito e pregado pela Igreja como verdade absoluta.</p>
<p>E até os dias de hoje o que acontece com quem contesta o poder vigente? É bem por aí&#8230;</p>
<p>Somente cerca de 350 anos depois, agora nas duas últimas décadas do século XX, é que o papa João Paulo II reviu o processo inquisitório e absolveu Galileu, admitindo os erros da Igreja. Mesmo assim sua mente privilegiada e suas descobertas e defesas de teorias &#8211; mesmo erradas, já que nem o Sol é o centro do Universo &#8211; foram celebradas pelos físicos e astrônomos ao longo dos séculos. Como já dito, ele não é considerado o &#8220;pai da ciência moderna&#8221; à toa.</p>
<h3>Fontes:</h3>
<p>- <a href="http://www.museutec.org.br/previewmuseologico/galileu_galilei.htm" target="_blank">Biografia de Galileu</a> na Fundação Museu de Tecnologia de São Paulo.</p>
<p>- <a href="http://www.educ.fc.ul.pt/docentes/opombo/seminario/galileu/index.htm" target="_blank">Biografia de Galileu</a> na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.</p>
<p>- <a href="http://educacao.uol.com.br/biografias/galileu-galilei.jhtm" target="_blank">Biografia de Galileu</a> no UOL Educação.</p>
<p>[*] Este experimento de Galileu é considerado &#8220;lendário&#8221; pois muitos cientistas e historiadores contestam o fato de que ele realmente subiu na Torre de Pisa e realizou o experimento. Mas o resultado do experimento é mesmo aquele descrito na &#8220;lenda&#8221;.<br />
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		<title>A Crise dos Mísseis em Cuba</title>
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		<pubDate>Fri, 10 Feb 2012 21:08:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vinicius Cabral</dc:creator>
				<category><![CDATA[História Contemporânea]]></category>
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		<description><![CDATA[Um dos episódios mais tensos da Guerra Fria envolveu não só EUA e URSS mas também a ilha de Cuba, &#8220;pivô&#8221; do desentendimento entre as duas superpotências. Em 14 de outubro de 1962 um avião espião norte-americano sobrevoou Cuba e acabou descobrindo &#8211; e tirando fotos que comprovavam &#8211; uma série de construções que, aparentemente, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Um dos episódios mais tensos da <a title="Guerra Fria" href="http://www.historiazine.com/tag/guerra-fria" target="_blank">Guerra Fria</a> envolveu não só <strong>EUA e URSS</strong> mas também a ilha de <strong>Cuba</strong>, &#8220;pivô&#8221; do desentendimento entre as duas superpotências.</p>
<p>Em <strong>14 de outubro de 1962</strong> um avião espião norte-americano sobrevoou Cuba e acabou descobrindo &#8211; e tirando fotos que comprovavam &#8211; uma série de construções que, aparentemente, pareciam uma nova instalação militar na ilha. Ao observarem melhor as fotos, os analistas acabaram descobrindo que a construção não só era uma instalação militar como estava preparada para receber e lançar diversos mísseis nucleares.</p>
<p>Os soviéticos eram os responsáveis pela construção &#8211; porque Cuba não tinha tecnologia para tal empreitada -, e aí a coisa ficou realmente feia nas já frágeis relações diplomáticas entre EUA e URSS, representados, na época, pelos presidentes <strong>John Kennedy</strong> (EUA) e <strong>Nikita Kruschev</strong> (URSS).</p>
<h3>A instalação dos mísseis foi uma retaliação?</h3>
<div id="attachment_1572" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><img class="size-medium wp-image-1572" title="crise-dos-misseis" src="http://www.historiazine.com/wordpress/wp-content/uploads/2012/02/crise-dos-misseis-300x209.jpg" alt="" width="300" height="209" /><p class="wp-caption-text">Uma das fotos mostrando as instalações militares.</p></div>
<p>Quando analisamos a Crise dos Mísseis, normalmente nós citamos a instalação dos silos em solo cubano e o perigo iminente de uma guerra nuclear entre EUA e URSS. Mas o episódio vai além, ou melhor, tem antecedentes que por vezes não são lembrados.</p>
<p>Em 1961 os EUA fizeram dois movimentos no <em>tabuleiro</em> da Guerra Fria que desencadearam todo o &#8220;acidente diplomático&#8221; de outubro de 1962. Primeiro a CIA, autorizada pelo presidente Kennedy, articulou o <strong>&#8220;Ataque à Baía dos Porcos&#8221;</strong>, que envolveu refugiados cubanos que viviam nos EUA e tinha por objetivo derrubar o regime de Fidel Castro.</p>
<p>O ataque foi um fracasso, mas o acontecimento ajudou a aproximar cubanos e soviéticos, quando Fidel definitivamente alinhou sua política com as diretrizes da URSS, passando inclusive a receber ajuda econômica, já que os EUA também já boicotavam os produtos cubanos. Saiba mais sobre este e outros fatos da relação Cuba/EUA no <a title="A Revolução Cubana" href="http://www.historiazine.com/2010/09/la-revolucion.html">nosso texto sobre a Revolução Cubana</a>.</p>
<div id="attachment_1573" class="wp-caption aligncenter" style="width: 508px"><img class="size-full wp-image-1573" title="fidel-e-kruschev" src="http://www.historiazine.com/wordpress/wp-content/uploads/2012/02/fidel-e-kruschev.jpg" alt="" width="498" height="335" /><p class="wp-caption-text">Fidel e Kruschev: definitivamente alinhados após o malfadado ataque à Baía dos Porcos...</p></div>
<p>O segundo ato norte-americano foi <strong>instalar mísseis nucleares na Turquia</strong>, também em 1961, praticamente às portas de Moscou. Portanto, a instalação dos mísseis em solo cubano em outubro de 1962 pode ser entendido como uma retaliação soviética aos norte-americanos. E Cuba apenas aceitou a instalação porque, convenhamos, era <em>interessante</em> no momento ter algo em seu solo que causava medo nos EUA.</p>
<h3>&#8220;A Crise&#8221;:</h3>
<div id="attachment_1574" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><img class="size-medium wp-image-1574" title="kennedy" src="http://www.historiazine.com/wordpress/wp-content/uploads/2012/02/kennedy-300x216.jpg" alt="" width="300" height="216" /><p class="wp-caption-text">John Kennedy</p></div>
<p>Os EUA tinham um grave problema batendo à sua porta: uma ilha, a aproximadamente 150Km de seu território, que estava construindo instalações militares para alojar e lançar mísseis contendo ogivas nucleares. Jonh Kennedy, enquanto presidente dos EUA, não poderia deixar isto acontecer de forma alguma.</p>
<p>Os soviéticos apressaram-se em informar que os mísseis funcionariam apenas como defesa, caso sofressem um ataque, mas todo mundo sabia que, na prática, não era bem assim que a coisa funcionava. Pela distância, a URSS podia facilmente coordenar um ataque nuclear que destruiria boa parte dos EUA &#8211; assim como os EUA, a partir dos mísseis em solo turco, tinham condições suficientes de destruir muitas cidades soviéticas.</p>
<p>Kruschev chegou até a mandar uma carta a Kennedy em que ele garantia que os navios soviéticos que estavam a caminho de Cuba não levariam qualquer armamento nuclear caso os EUA garantissem que jamais iriam atacar os cubanos outra vez.</p>
<p>A população ficou alarmada, e os já neuróticos norte-americanos ficaram desesperados, construindo abrigos nucleares nos quintais de suas casas, começaram a estocar água e mantimentos com a intenção de tentar sobreviver ao máximo com suas famílias no caso de uma guerra nuclear.</p>
<p>Apesar de todos terem a certeza de que uma guerra deste porte não destruiria apenas os dois países como também grande parte da vida na Terra &#8211; e, portanto, era difícil de conceber um evento desta magnitude sem que antes os dois lados gastassem todos os argumentos diplomáticos e políticos -, ninguém queria esperar para ver se realmente alguém teria coragem de apertar o botão do fim-do-mundo.</p>
<p>Kennedy e Kruschev iniciaram uma série de conversas tensas e demoradas, com o intuito de resolver a situação. Toda a tensão demorou 13 dias, de 17 a 29 de outubro, e teve momentos de real possibilidade do início de uma guerra. Kennedy chegou a afirmar que <strong>não hesitaria em usar os mísseis norte-americanos em retaliação</strong>, caso os silos em solo cubano não fossem desativados e os mísseis levados de volta à URSS.</p>
<p>No fim, Kruschev <em>costurou</em>um acordo que previa a retirada dos mísseis norte-americanos da Turquia, e ordenou que as instalações em solo cubano fossem desativadas.</p>
<div id="attachment_1575" class="wp-caption aligncenter" style="width: 586px"><img class="size-full wp-image-1575" title="reuniao-ONU-misseis-em-Cuba" src="http://www.historiazine.com/wordpress/wp-content/uploads/2012/02/reuniao-ONU-misseis-em-Cuba.jpg" alt="" width="576" height="383" /><p class="wp-caption-text">Reunião na ONU onde os diplomatas norte-americanos apresentaram as fotos com as instalações militares em solo cubano.</p></div>
<h3>As consequências da Crise dos Mísseis:</h3>
<p>A Guerra Fria ficou caracterizada por confrontos indiretos das duas superpotências em <em>teatros de guerras</em> em outros países. Assim foi no Vietnã e no Afeganistão, só para citar dois exemplos.</p>
<p>Mas a Crise dos Mísseis trouxe os dois governos às negociações diretas, o que causou reais atritos diplomáticos. Uma coisa era você apoiar revolucionários ou reacionários &#8220;locais&#8221; contra o inimigo, oferecendo armas e até mesmo suporte e apoio militar, outra coisa era negociar diretamente com o &#8220;inimigo&#8221;, prevendo ou prevenindo uma guerra nuclear.</p>
<p>Com isso, o fim das negociações trouxe aos dois governos &#8211; e aos países &#8220;aliados&#8221; &#8211; uma certa &#8220;luz&#8221; quanto ao início de uma guerra que tinha tudo para acabar com o planeta. Tanto norte-americanos quanto soviéticos, juntamente com a Inglaterra, assinaram em 1963 um tratado que proibiam os testes com armas nucleares. Mesmo assim a China iniciou seus testes em 1964, já que eles não tinham nada a ver com o tratado dos três países.</p>
<p>E em 1967 foi assinado o <strong>TNP</strong> &#8211; Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares &#8211; entre 58 países, que hoje já conta com a adesão de 189 nações, inclusive o Brasil, e que previa o fim da produção de armamento nuclear pelos países detentores da tecnologia e o fim da distribuição e ajuda aos países não-detentores de tecnologia nuclear para produção de armas, além de regulamentar o desenvolvimento de tecnologia nuclear para a produção de energia elétrica e outros fins pacíficos.</p>
<p>Este tratado entrou em vigor em 1970, mas China e França, que já tinham tecnologia nuclear só foram aceitar o tratado em 1992.</p>
<p>Hoje temos talvez uma nova &#8220;crise&#8221; nuclear, já que os EUA acusam o Irã de estar, secretamente, desenvolvendo armas nucleares ao invés de usar a tecnologia apenas para produzir energia para consumo próprio. É bom citar também que o TNP não previa o fim das armas nucleares, mas sim o fim da proliferação das mesmas.</p>
<p>É óbvio que os EUA não acabaram com todas suas ogivas, e provavelmente todos os países que tinham armas nucleares não as desativaram por completo. O perigo de uma guerra nuclear é bem menor do que naqueles 13 dias de 1962, mas ele ainda existe, e hoje o maior medo dos EUA é que uma destas ogivas caiam nas mãos de algum grupo terrorista.</p>
<p>É esperar &#8211; e torcer &#8211; para que nada dê errado enquanto ainda existir qualquer ogiva nuclear no mundo&#8230;</p>
<h3>Para saber mais:</h3>
<p>- <a title="TNP" href="http://www.cnen.gov.br/Doc/pdf/Tratados/TRAT0001.pdf" target="_blank">Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares</a>.</p>
<p>- Vejam o filme <a href="http://www.adorocinema.com/filmes/13-dias/" target="_blank">&#8220;13 dias que abalaram o mundo&#8221;</a>. Ele faz uma boa reconstituição destes dias tensos.<br />
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		<title>A Balaiada</title>
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		<pubDate>Wed, 08 Feb 2012 20:26:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vinicius Cabral</dc:creator>
				<category><![CDATA[Brasil Império]]></category>
		<category><![CDATA[História do Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Balaiada]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Revoltas do Brasil Imperial]]></category>

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		<description><![CDATA[Assim como todas as outras revoltas do Brasil imperial, a Balaiada também foi causada pelas demandas sociais do período. Neste caso, o estopim da revolta foi o enfraquecimento econômico da província do Maranhão, que tinha sua economia baseada na pecuária e na exportação de algodão e viu seu principal produto sofrer uma forte concorrência de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Assim como todas as outras <a href="http://www.historiazine.com/tag/revoltas-do-brasil-imperial">revoltas do Brasil imperial</a>, a Balaiada também foi causada pelas demandas sociais do período. Neste caso, o estopim da revolta foi o enfraquecimento econômico da província do Maranhão, que tinha sua economia baseada na pecuária e na exportação de algodão e viu seu principal produto sofrer uma forte concorrência de outro país, neste caso, o algodão norte-americano, lá pelos idos de 1836-1837.</p>
<p>Mas não era só isso, afinal de contas, estamos falando do Maranhão&#8230;</p>
<h3>A luta pelo poder local:</h3>
<p><img class="alignleft size-full wp-image-1387" title="balaiada" src="http://www.historiazine.com/wordpress/wp-content/uploads/2011/12/balaiada.jpg" alt="" width="300" height="450" />A província do Maranhão englobava três estados atuais: Maranhão, Piauí e uma parte do Ceará. E havia uma forte disputa política na província entre os <strong>conservadores</strong>, chamados de <em>cabanos</em> &#8211; não confundir com os cabanos da <a href="http://www.historiazine.com/2012/01/a-cabanagem.html" title="A Cabanagem">Cabanagem</a>, ok? &#8211; e os <strong>liberais</strong>, conhecidos como <em>bem-te-vis</em>.</p>
<p>Assim como ocorreu na Cabanagem, a população local também se viu pegando em armas logo após a independência para enfrentar os portugueses que ainda desejavam a manutenção da província como colônia de Portugal. E depois da consolidação da independência, a situação sócio-econômica da grande maioria do povo não sofreu qualquer melhoria.</p>
<p>No meio deste jogo político pós-consolidação a população sofria com a disputa. A maioria dos conservadores eram fazendeiros, que faziam valer sua força econômica para influenciar a política da região. E estes mesmos fazendeiros empregavam a maioria dos &#8220;homens livres&#8221; &#8211; sertanejos que viviam da lavoura e da atividade pastoril, entre outros pequenos ganhos &#8211; e, claro, também contavam com parte da mão-de-obra escrava existente na província.</p>
<p>Com a crise do algodão, o dinheiro que antes circulava pela província <em>rareou</em>, e como não havia muito apoio da capital &#8211; como em todas as outras províncias mais isoladas &#8211; a população acabou se metendo na disputa política quase como uma forma de sobrevivência naquela situação.</p>
<p>Na época, os conservadores buscavam uma forma de enfraquecer ainda mais os liberais. Com o <strong>Regresso Conservador</strong> promovido pela regência de Araújo Lima [<a href="http://www.historiazine.com/2011/09/periodo-regencial-as-regencias-trinas-e-as-regencias-unas.html" target="_blank">leia mais aqui</a>] e a <strong>Lei dos Prefeitos</strong>, que dava autonomia local para que a província nomeasse os governantes, os conservadores faziam pressão para que seus &#8220;nomes de confiança&#8221; &#8211; ou eles próprios &#8211; fossem nomeados para perpetuar os mandos e desmandos na região. Qualquer semelhança com a política <em>atual</em> da região não é mera coincidência.</p>
<p>Só que naquela época a população, que não votava, resolveu se rebelar.</p>
<h3>O início da revolta:</h3>
<div id="attachment_1385" class="wp-caption alignright" style="width: 310px"><img class="size-medium wp-image-1385" title="Raimundo_Gomes_balaiada" src="http://www.historiazine.com/wordpress/wp-content/uploads/2011/12/Raimundo_Gomes_balaiada-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /><p class="wp-caption-text">Estátua de Raimundo Gomes</p></div>
<p>Em 13 de dezembro de 1838, um grupo de vaqueiros liderados por <strong>Raimundo Gomes</strong> e apoiados pela Guarda Nacional &#8211; destacamento formado por cidadãos &#8220;normais&#8221;, que não tinham treinamento militar &#8211; invadiu a cadeia de Vila da Manga, que era sub-presidida por José Egito, de orientação conservadora.</p>
<p>A intenção de Raimundo Gomes era libertar seu irmão, que havia sido preso sem um bom motivo aparente, além de também libertar outros presos que ali estavam na mesma condição. O que fez a Guarda Nacional apoiar Raimundo e o grupo de vaqueiros foi o descontentamento com a política local.</p>
<p>Nesta ocasião, o grupo tomou o controle da Vila e recebeu o apoio do líder quilombola <strong>Cosme Bento</strong>, que contava com cerca de três mil escravos evadidos a seu lado.</p>
<p>Sabendo do ocorrido, os bem-te-vis até tentaram manipular a situação a seu favor, mas a adesão de Manuel Francisco dos Anjos Ferreira, também conhecido como <strong>Manuel Balaio</strong> deu o tom altamente popular à revolta, o que não impediu a participação de bem-te-vis no conflito, ao lado dos revoltosos.</p>
<p>Seguiu-se uma série de vitórias dos balaios, e a principal delas ocorreu na Vila de Caxias em 1839, segunda cidade mais importante da província, só perdendo para a capital. Conta-se que quando os revoltosos tomaram a cidade, ouvia-se nas ruas o seguinte canto:</p>
<blockquote><p>&#8220;O Balaio chegou!<br />
O Balaio chegou.<br />
Cadê branco!<br />
Não há mais branco!<br />
Não há mais sinhô!&#8221;</p></blockquote>
<p>Os rebeldes logo organizaram um Conselho Militar e formaram uma Junta Provisória, com a participação de elementos bem-te-vis. Uma delegação foi enviada à capital São Luís para entregar ao presidente da Província as propostas para o fim da revolta: anistia para os revoltosos, o fim da Lei dos Prefeitos, expulsão dos portugueses natos e diminuição de direitos aos naturalizados e instauração de processo para os presos existentes nas cadeias, já que a maioria estava ali por pensar de forma diferente de algum fazendeiro.</p>
<h3>O começo do fim e a repressão de Lima e Silva:</h3>
<p>Óbvio que o governo da província não aceitou as exigências dos revoltosos. Neste meio tempo, cabanos e bem-te-vis que não estavam contentes com a revolta já estavam quase que <em>falando a mesma língua</em>, interessados no fim dos balaios. Começaram então a <strong>subornar membros envolvidos na revolta</strong>, tentando enfraquecer o movimento. Também solicitaram ajuda da capital, e a província logo recebeu o contingente de vários soldados deslocados de outras províncias para reprimir o levante popular. O então coronel fluminense <strong>Luís Alves de Lima e Silva</strong> &#8211; o futuro <strong>Duque de Caxias</strong>- foi nomeado presidente da província.</p>
<div id="attachment_1386" class="wp-caption alignleft" style="width: 287px"><img class="size-medium wp-image-1386" title="caxias" src="http://www.historiazine.com/wordpress/wp-content/uploads/2011/12/caxias-277x300.jpg" alt="" width="277" height="300" /><p class="wp-caption-text">Caxias</p></div>
<p>Após alguns combates, Lima e Silva concedeu anistia aos revoltosos em 1840, o que provocou a rendição imediata de cerca de 2500 balaios, entre eles Raimundo Gomes, o principal líder, que foi expulso da província.</p>
<p>Dos que restaram, Manuel Balaio e Cosme Bento recusaram-se a aceitar a anistia, sofreram pesada repressão e acabaram mortos. Bento ainda fugiu para o Piauí, mas com o movimento enfraquecido, foi capturado e enforcado em 1842. Todos os escravos <em>fugidos</em> que participaram da revolta e não morreram no combate foram reescravizados.</p>
<p>Em 1841 Lima e Silva já dava como encerrado na província qualquer resquício de manifestação popular contrário ao governo local.</p>
<p>A repressão à Balaiada marcou o início da chamada &#8220;política da pacificação&#8221;, pela qual Lima e Silva sufocou as principais agitações que ocorreram durante o segundo reinado.</p>
<h3>Fontes:</h3>
<p>- &#8220;<a href="http://bibliotecavirtual.clacso.org.ar/ar/libros/brasil/cpda/estudos/cinco/clau5.htm" target="_blank">Balaiada: a guerrilha sertaneja</a>&#8220;. Artigo de Claudete Maria Miranda Dias, professora da UFPI.</p>
<p>- &#8220;<a href="http://www.scielo.br/pdf/his/v24n1/a03v24n1.pdf" target="_blank">Balaiada: construção da memória histórica</a>&#8220;, de Maria de Lourdes Monaco Janotti.<br />
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</ul>
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		<title>A lenda da origem dos incas</title>
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		<pubDate>Sat, 04 Feb 2012 16:45:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vinicius Cabral</dc:creator>
				<category><![CDATA[América Pré-Colombiana]]></category>
		<category><![CDATA[História Geral]]></category>
		<category><![CDATA[América]]></category>
		<category><![CDATA[Cuzco]]></category>
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		<description><![CDATA[Um dos povos pré-colombianos mais importantes da História não tem uma origem 100% conhecida, mesmo após décadas de pesquisas histórico-arqueológicas movidas por diversos profissionais através dos anos. Muitos apontam os incas como um povo que teria descendido de um grupo étnico conhecido como taipicala e migrado para a região próxima a Cuzco e dos vales [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Um dos povos pré-colombianos mais importantes da História não tem uma origem 100% conhecida, mesmo após décadas de pesquisas histórico-arqueológicas movidas por diversos profissionais através dos anos. Muitos apontam <a title="Os Incas" href="http://www.historiazine.com/2009/08/os-incas.html">os incas</a> como um povo que teria descendido de um grupo étnico conhecido como <strong>taipicala</strong> e migrado para a região próxima a Cuzco e dos vales do rio Urubamba e do rio Huatanay por volta do ano 1200.</p>
<div id="attachment_1544" class="wp-caption alignleft" style="width: 250px"><img class=" wp-image-1544 " title="Rio-Urubamba" src="http://www.historiazine.com/wordpress/wp-content/uploads/2012/02/Rio-Urubamba.jpg" alt="" width="240" height="353" /><p class="wp-caption-text">O vale do rio Urubamba foi muito importante para o desenvolvimento do povo inca.</p></div>
<p>Esta é a definição da &#8220;origem&#8221; dos incas mais aceita hoje em dia, até mesmo pelos achados arqueológicos que confirmam estas informações e provam que houve uma migração na época e que a partir desta migração a civilização inca desenvolveu-se na região.</p>
<p>Mas é óbvio que não existe apenas a definição &#8220;histórica&#8221;, baseada em achados arqueológicos. Os próprios incas tinham uma história que contava suas origens e que era transmitida de forma oral ou através de gravuras nas cerâmicas, nas paredes dos templos e nas peças de ouro. Na verdade, existem duas versões que explicam a origem do povo inca: a <strong><a title="A lenda dos irmãos Ayar (em castelhano)" href="http://www.historiacultural.com/2010/01/leyenda-hermanos-ayar-mito-inca.html" target="_blank">&#8220;lenda dos irmãos Ayar&#8221;</a></strong> e a <strong>&#8220;lenda de Manco Capac e Mama Ocllo&#8221;</strong>, e as duas, apesar de serem parecidas, tem seus detalhes e particularidades.</p>
<p>Aqui nós vamos falar da segunda lenda, já que a primeira eu pesquisei bastante e não encontrei uma <em>exatidão</em> nos relatos, há muita informação e pouca certeza, como em toda tradição oral que se preze. Mas se você que está lendo tiver curiosidade, eu deixei o link acima para um site que explica um pouco sobre esta lenda. Está em castelhano, mas dá para entender.</p>
<h3>&#8220;A lenda de Manco Capac e Mama Ocllo&#8221;:</h3>
<p>Segundo esta lenda, os habitantes do lado norte do lago Titicaca viviam como &#8220;animais selvagens&#8221; &#8211; e aqui talvez nós podemos fazer uma comparação com os primeiros grupos humanos viviam na <a href="http://www.historiazine.com/category/geral/prehistoria">Pré-História</a>, sem qualquer organização social.</p>
<div id="attachment_1545" class="wp-caption alignleft" style="width: 249px"><img class=" wp-image-1545 " title="manco-capac-mama-ocllo" src="http://www.historiazine.com/wordpress/wp-content/uploads/2012/02/mancocapac.jpg" alt="" width="239" height="320" /><p class="wp-caption-text">Manco Capac e Mama Ocllo</p></div>
<p>O deus-sol, <strong>Inti</strong>, decidiu que estes seres mereciam passar por um &#8220;processo civilizatório&#8221;. Assim, ele criou um casal, Manco Capac e Mama Ocllo, e pediu que os dois fossem até a Terra para construir um grande império e civilizar estes povos, mas antes eles deveriam encontrar o lugar para construir a capital.</p>
<p>Os dois aceitaram a missão e emergiram da espuma do lago Titicaca, na Isla del Sol, munidos de um cetro de ouro, e rumaram para o norte.</p>
<p>Conta a lenda que a beleza de suas roupas e o brilho das jóias e do ouro que os dois carregavam fizeram com que as pessoas daquela região percebessem o casal como dois deuses &#8211; como eles realmente eram &#8211; e passaram a segui-los, mesmo que secretamente.</p>
<p>Manco Capac e Mama Ocllo procuraram o local exato por algum tempo. A ordem dada por Inti era que eles deveriam fixar o império em um lugar de terras férteis, e para saber se a terra era realmente fértil eles deveriam afundar o cajado de ouro até o fim, tendo a certeza que ali seria fácil plantar e colher com abundância.</p>
<p>Um belo dia eles chegaram até os pés do cerro Huanacauri, e ali, no vale do rio Huatanay o cajado enfim foi &#8220;sugado&#8221; pela terra. Capac e Ocllo iniciaram então a construção da cidade de <strong>Cuzco</strong>, conhecida também como &#8220;Umbigo do Mundo&#8221;, futura sede do império inca. Também ensinaram o povo que os seguiu a plantar, construir casas, cozinhar, enfim, cumpriram a &#8220;missão&#8221;, o pedido feito pelo deus-sol ao criá-los e <em>civilizaram </em>o povo.</p>
<div id="attachment_1546" class="wp-caption aligncenter" style="width: 650px"><img class="size-full wp-image-1546" title="cerro-Huanacauri" src="http://www.historiazine.com/wordpress/wp-content/uploads/2012/02/cerro-Huanacauri.jpg" alt="" width="640" height="480" /><p class="wp-caption-text">Cerro Huanacauri.</p></div>
<p>Assim como todos os personagens lendários que existem mundo afora, Manco Capac e Mama Ocllo não tem sua existência confirmada por achados arqueológicos. Muitos consideram que realmente existiu tal casal e que eles foram os primeiros líderes incas, e à história dos dois foi <em>agregada</em> a lenda da criação do povo.</p>
<p>Outras pessoas acreditam que esta é apenas uma lenda, e nenhum dos dois realmente existiu. De qualquer forma, vale o registro desta interessante manifestação cultural dos povos andinos, concordam?</p>
<p><strong>Ps.:</strong> este texto foi motivado pelo <a href="http://www.historiazine.com/2009/08/os-incas.html#comment-657">pedido de ajuda da leitora Luana</a> no nosso texto sobre os incas. Aí está, Luana, espero que te ajude de alguma forma.<br />
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		<title>Marie Curie</title>
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		<pubDate>Wed, 01 Feb 2012 21:02:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vinicius Cabral</dc:creator>
				<category><![CDATA[História Contemporânea]]></category>
		<category><![CDATA[História Geral]]></category>
		<category><![CDATA[França]]></category>
		<category><![CDATA[História das Mulheres]]></category>
		<category><![CDATA[Marie Curie]]></category>
		<category><![CDATA[Polônia]]></category>
		<category><![CDATA[Prêmio Nobel]]></category>

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		<description><![CDATA[Maria Salomea Sklodowska, que mais tarde ficou conhecida no mundo inteiro como Marie Curie, nasceu em Varsóvia, na Polônia, em 7 de novembro de 1867. Filha de um professor de ensino secundário, ela recebeu uma boa educação. Durante sua juventude, enquanto estudava Química ainda em Varsóvia, Maria envolveu-se com alguns grupos estudantis meio revolucionários, que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Maria Salomea Sklodowska, que mais tarde ficou conhecida no mundo inteiro como <strong>Marie Curie</strong>, nasceu em Varsóvia, na Polônia, em 7 de novembro de 1867.</p>
<p>Filha de um professor de ensino secundário, ela recebeu uma boa educação. Durante sua juventude, enquanto estudava Química ainda em Varsóvia, Maria envolveu-se com alguns grupos estudantis meio <em>revolucionários</em>, que naquela época nasciam aos montes no Leste europeu e teve que deixar a cidade &#8211; na época a Polônia fazia parte do reino da Rússia, e é óbvio que estes grupos lutavam contra o Czar e não eram bem vistos pelos russos.</p>
<p>O local escolhido para fugir foi a cidade de Cracóvia, que na época estava sob domínio do império austríaco. Mas ela não ficou muito tempo por lá. Em 1891 Maria foi até Paris, onde pode enfim terminar seus estudos em Física e Matemática pela Universidade de Sorbonne.</p>
<p>É também em Paris que ela vai conhecer seu marido e principal parceiro em suas pesquisas mais importantes.</p>
<h3>Pierre Curie, o amor e a Ciência:</h3>
<div id="attachment_1531" class="wp-caption alignleft" style="width: 277px"><img class="size-full wp-image-1531" title="Pierre-e-Marie-Curie" src="http://www.historiazine.com/wordpress/wp-content/uploads/2012/02/Pierre-e-Marie-Curie.jpg" alt="" width="267" height="294" /><p class="wp-caption-text">Marie e Pierre Curie</p></div>
<p>Ao mudar-se para Paris, &#8220;Maria&#8221; passou a ser conhecida como &#8220;Marie&#8221;, e após o término da faculdade conheceu o professor <strong>Pierre Curie</strong>, ainda em 1894. Os dois, aproximados pelo professor Wierusz-Kolwalski, trocaram ideias sobre investigação científica, acabaram percebendo que tinham muita coisa em comum, se apaixonaram e casaram no ano seguinte.</p>
<p>A união talvez tenha sido o <em>caso de amor</em> mais importante para a Ciência. Juntos, os dois concluiram pesquisas fundamentais no campo da Física e da Química.</p>
<p>Logo em 1896, o casal iniciou uma série de pesquisas juntamente com outro importante cientista da época, o francês <strong>Henri Becquerel</strong>, que havia descoberto a radioatividade no mesmo ano, pesquisando sais de <strong>urânio</strong>. O trabalho dos três levou à descoberta de novos elementos radioativos, pois o minério pesquisado, o <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Pechblenda" target="_blank">pechblenda</a>, continuava emitindo radiação mesmo após ter seu urânio retirado por completo. É óbvio que existiam outros elementos no mesmo minério que também emitiam radiação.</p>
<p>Assim, Pierre e Marie descobriram o <strong>polônio</strong> e o <strong>rádio</strong>, dois elementos com um poder radioativo maior que o urânio. &#8220;Radioativo&#8221; e &#8220;radioatividade&#8221;, inclusive, foram termos cunhado pelos dois cientistas para designar a energia que é liberada espontaneamente por estes elementos.</p>
<p>O mais interessante de tudo é que os dois trabalhavam em um laboratório improvisado e com equipamentos precários. Mesmo a falta de estrutura para as pesquisas &#8211; que hoje em dia faz uma diferença tremenda e na época do casal Curie certamente fazia uma diferença muito maior &#8211; não impediu o trabalho dos dois. E o reconhecimento não tardou tanto.</p>
<h3>O Prêmio Nobel:</h3>
<p>Marie, Pierre e Becquerel foram laureados com o <strong>Prêmio Nobel de Física</strong> de 1903 por causa destas pesquisas iniciais com os elementos radioativos. Segundo a Academia, o prêmio foi dado&#8230;</p>
<blockquote><p>&#8220;&#8230; em reconhecimento aos extraordinários resultados obtidos por suas investigações conjuntas sobre os fenômenos da radiação, descoberta por Henri Becquerel&#8221;.</p></blockquote>
<p>E em 1911 Marie Curie recebeu o <strong>Prêmio Nobel de Química </strong>pela descoberta do polônio e do rádio. Ela, inclusive, é a única pessoa a receber DOIS Prêmios Nobel em categorias científicas diferentes!</p>
<div id="attachment_1532" class="wp-caption aligncenter" style="width: 610px"><img class="size-full wp-image-1532" title="diploma-premio-nobel-curie" src="http://www.historiazine.com/wordpress/wp-content/uploads/2012/02/diploma-premio-nobel-curie.jpg" alt="" width="600" height="400" /><p class="wp-caption-text">Um dos dois diplomas do Prêmio Nobel recebido por Marie Curie</p></div>
<p>Os prêmios foram mais que merecidos. Marie e Pierre, além de descobrir os dois elementos químicos, não patentearam o modo de extrair os elementos do pechblenda. Deixando o <em>modus operandi</em> em aberto e liberado para ser realizado por outros cientistas ao redor do mundo, os dois contribuíram ainda mais para a Ciência, pois outros físicos e químicos puderam utilizar o mesmo método para estudar outros elementos radioativos.</p>
<p>Pierre faleceu em 1906, vítima de um acidente rodoviário, e Marie ocupou a sua cadeira de Física na Sorbonne, e em 1914 foi nomeada diretora do Laboratório Curie do Instituto do Radium, fundado pela Universidade de Paris.</p>
<h3>Uma vida dedicada ao estudo da radioatividade:</h3>
<p>Apenas <em>descobrir</em> a radiação não foi suficiente para Marie Curie se sentir satisfeita com seu trabalho. Ela nunca parou de estudar e descobrir meios para &#8220;domar&#8221; a radioatividade.</p>
<p>Por causa dela o uso dos aparelhos de radiografia, que utilizam os raios-x para auxiliar médicos e enfermeiros no tratamento de pacientes, é usado em larga escala até hoje. Ela foi uma das defensoras mais ferrenhas da tecnologia &#8220;descoberta&#8221; por Wilhelm Roentgen em 1895 ser usada na medicina.</p>
<p>Marie também participou de todas as <strong>Conferências de Solvay </strong>até 1933. Esta conferência começou em 1911, em Bruxelas, sem uma periodicidade definida, e tem por objetivo reunir os melhores físicos da época para discutir questões fundamentais da Física Quântica. A última edição aconteceu em 2008 e também reuniu as mentes mais brilhantes de nossa época.</p>
<div id="attachment_1533" class="wp-caption aligncenter" style="width: 460px"><img class="size-full wp-image-1533" title="conferencia-de-solvay" src="http://www.historiazine.com/wordpress/wp-content/uploads/2012/02/conferencia-de-solvay.jpg" alt="" width="450" height="288" /><p class="wp-caption-text">Primeira Conferência de Solvay, em 1911. Marie Curie está logo à frente apoiando a cabeça com a mão direita enquanto conversa com Henri Poincaré. A brincadeira nesta foto é: encontre Albert Einstein!</p></div>
<p>Marie Curie não pode participar de outras Conferências de Solvay devido aos &#8220;ossos do ofício&#8221;&#8230; ela faleceu em 1934, aos 67 anos, vítima de <strong>leucemia</strong>, provavelmente causada pela <strong>exposição excessiva à radiação</strong> durante suas pesquisas. Mesmo assim, ela deixou para o mundo uma filha igualmente brilhante.</p>
<p>Irène Joliot-Curie, sua filha mais velha, recebeu o Nobel de Química em 1935, um ano após sua morte, por descobrir, juntamente com seu marido &#8211; o também físico e químico Jean-Frédéric Joliot-Curie -, a radioatividade artificial, que produziu um maior conhecimento da estrutura dos núcleos atômicos e das partículas subatômicas. Com esta descoberta abriu-se a possibilidade da transmutação dos elementos, ou melhor &#8211; para nós leigos -, a transformação de alguns elementos em elementos diferentes.</p>
<p>Ela ainda foi homenageada pelo químico Glenn Seaborg, que batizou de <strong>cúrio</strong> um dos elementos que ele descobriu em suas pesquisas nos EUA, já nas décadas de 1940 e 1950.</p>
<h3>Para saber mais:</h3>
<p>- <a href="http://www.nobelprize.org/nobel_prizes/physics/laureates/1903/marie-curie-bio.html" target="_blank">Biografia de Marie Curie</a> no site do Prêmio Nobel (em inglês)<br />
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		<title>Os Hindus</title>
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		<pubDate>Mon, 30 Jan 2012 22:00:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vinicius Cabral</dc:creator>
				<category><![CDATA[História Antiga]]></category>
		<category><![CDATA[História Geral]]></category>
		<category><![CDATA[Ásia]]></category>
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		<description><![CDATA[A origem de um dos povos mais importantes da Ásia remonta de meados do segundo milênio a.C., quando os drávidas iniciaram a ocupação da região da Índia conhecida como Pendjab &#8211; ou Punjab, a &#8220;região dos cinco rios&#8221; -, próximo ao rio Indo e, assim como os harappeanos, que viviam no Paquistão, alcançaram um relativo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A origem de um dos povos mais importantes da Ásia remonta de meados do segundo milênio a.C., quando os <strong>drávidas</strong> iniciaram a ocupação da região da Índia conhecida como <strong>Pendjab</strong> &#8211; ou Punjab, a &#8220;região dos cinco rios&#8221; -, próximo ao rio Indo e, assim como os <a title="Os Harappeanos" href="http://www.historiazine.com/2009/07/os-harappeanos.html">harappeanos</a>, que viviam no Paquistão, alcançaram um relativo desenvolvimento a partir do domínio das técnicas de construção de canais de irrigação e consequente controle das cheias dos rios da região.</p>
<p>O termo &#8220;hindu&#8221; é antigo e tem origem persa, que significa &#8220;o (povo) que vive do outro lado do rio (Indo)&#8221;.</p>
<p>As cidades drávidas tinham ruas largas e casas de pedras que contavam com saneamento, além de grandes espaços voltados para a plantação. Eles também tinham um <strong>forte comércio</strong> com os povos vizinhos. Mas por volta do século XVIII a.C. os <strong>arianos</strong> invadiram a região dos cinco rios, escravizaram o povo drávida e a partir desta invasão muitos historiadores consideram como o início da civilização e do povo hindu.</p>
<h3>A implantação do sistemas de castas:</h3>
<p><img class="alignleft size-full wp-image-1500" title="pendjab-punjab" src="http://www.historiazine.com/wordpress/wp-content/uploads/2012/01/pendjab-punjab.jpg" alt="" width="260" height="370" />Os arianos dominaram o povo drávida e controlaram toda a região, tanto no campo militar quanto no religioso e administrativo. Restava aos drávidas a submissão aos arianos, o trabalho forçado ou a fuga para o sul, já que o povo não era lá muito <em>guerreiro</em> e não impôs muita resistência à invasão ariana. Mesmo assim os invasores sentiram a necessidade de legitimar a ocupação, e para isto foi criado o sistema de <strong>castas</strong>, onde cada pessoa já nascia determinada a viver em uma classe social até sua morte.</p>
<p>O <em>veículo</em> utilizado para difundir o sistema de castas foi justamente a <strong>religião</strong> &#8211; do qual trataremos com mais detalhes no decorrer do texto. Politeístas, os arianos incorporaram alguns costumes dos povos da região e se apoiaram ideia de que todos nasciam do corpo do deus Brahma, e algumas partes do corpo significavam uma casta diferente. Era impossível ascender uma classe, além de ser proibido questionar ou desafiar alguém que nasceu em uma casta superior. Como o casamento entre castas também era proibido, não havia ideologia &#8211; ou melhor, teologia &#8211; melhor para controlar um povo.</p>
<p>É bom citar que este <em>sistema</em> de castas já existia nos costumes dos povos da região &#8211; pois já era previsto nas escrituras sagradas (Vedas) -, mas os arianos tornaram a classificação algo importantíssimo na hierarquia social do povo.</p>
<p>As castas são as seguintes:</p>
<p><strong>Brāhmanas:</strong> os sacerdotes e os membros <em>letrados</em> da sociedade, nascidos da cabeça do deus. Eram considerados a casta mais importante;<br />
<strong>Kṣatrya ou Xátrias:</strong> eram os guerreiros, que muitas das vezes também tomavam posições políticas. Nascidos dos braços dos deus, dividiam o controle da sociedade com os brahmanes. Os xátrias cuidavam da parte bélica e administrativa enquanto os brahmanes da parte espiritual;<br />
<strong>Vaiśya ou Vaicias:</strong> eram os comerciantes, os artesãos, os camponeses enfim, os profissionais <em>comuns</em> da sociedade. Segundo a lenda, teriam nascido das pernas do deus Brahma;<br />
<strong>Sūdras:</strong> nascidos dos pés de Brahma, eram os servos, de um modo geral, que prestavam serviços a uma casta superior. Também existiam artesãos e camponeses, além de operários diversos;<br />
<strong>Párias:</strong> estes nasceram do pó abaixo dos pés de Brahma, eram os marginalizados da sociedade. Hoje em dia são chamados de <em>dalit</em> ou <em>haryens</em>, e sempre foi a casta mais miserável da sociedade hindu. Quando alguém desrespeitava algum membro de uma casta superior, podia ser rebaixado a um pária e deveria viver como tal, à margem da sociedade, até a morte.</p>
<p>Os arianos não destruíram a estrutura das cidades drávidas, de forma que a região não sofreu modificações estruturais profundas. Por causa justamente da implantação das castas é que nós temos até hoje uma sociedade hindu entrelaçada com sua religião, assim como os árabes, apesar da Constituição indiana, promulgada em 1950, proibir a discriminação e a <em>separação</em> da sociedade em castas.</p>
<p>Além disso, é importante citar que os hindus não estão delimitados pelas fronteiras da Índia, como normalmente costumamos ler por aí. Eles constituem um povo comum e que vive <em>espalhado</em> pelos atuais territórios do Paquistão, Nepal, Singapura, Bangladesh e Sri Lanka, entre outros países asiáticos, além dos imigrantes que vivem em outros continentes.</p>
<h3>A religião hindu:</h3>
<div id="attachment_1501" class="wp-caption aligncenter" style="width: 610px"><img class="size-full wp-image-1501" title="rio-ganges" src="http://www.historiazine.com/wordpress/wp-content/uploads/2012/01/rio-ganges.jpg" alt="" width="600" height="400" /><p class="wp-caption-text">Rio Ganges. Apesar da poluição, é um rio sagrado.</p></div>
<p><strong>Politeístas</strong>, os hindus adoram três deuses principais: <strong>Brahma</strong>, a divindade criadora, responsável pela alma universal, <strong>Vishnu</strong>, a entidade preservadora da criação, e <strong>Shiva</strong>, a entidade destruidora.</p>
<p>Também seguem os textos sagrados conhecidos como <strong>Vedas e Upanixades</strong>, além dos <strong>Tantras, Puranas, Ágamas e o Bagavadguitá</strong> &#8211; todos escritos em sânscrito -, que também são textos importantes do hinduísmo. Os Vedas, principais textos hindus e datados de aproximadamente 4000 a.C. &#8211; e adotados pelos arianos após a <em>invasão</em> -, contêm as verdades eternas reveladas pelos deuses e a ordem (dharma) que rege os seres e as coisas.</p>
<p>A fé também é voltada para o culto aos <strong>avatares</strong> (devas), que são manifestações corporais do poder supremo e incorporam as características de um dos três deuses principais. Desta forma, os hindus cultuam cerca de 300 mil divindades diferentes, cada uma adaptada de acordo com a realidade cultural dos praticantes. Muda a região, mudam os costumes e a realidade social dos fiéis, mudam os avatares.</p>
<p>Os hindus foram responsáveis pela construção de templos belíssimos e que estão espalhados por todo o sul da Ásia.</p>
<div id="attachment_1502" class="wp-caption aligncenter" style="width: 610px"><img class="size-full wp-image-1502" title="Angkor" src="http://www.historiazine.com/wordpress/wp-content/uploads/2012/01/Angkor.jpg" alt="" width="600" height="400" /><p class="wp-caption-text">Templo de Angkor, no Cambodja: simplesmente lindo!</p></div>
<div id="attachment_1504" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-1504" title="Prambanan" src="http://www.historiazine.com/wordpress/wp-content/uploads/2012/01/Prambanan.jpg" alt="" width="500" height="332" /><p class="wp-caption-text">Templo de Prambanan, que fica na ilha de Java, na Indonésia</p></div>
<p>Um dos principais <em>personagens</em> do hinduísmo é o Buda <strong>Siddhartha Gautama</strong>, um príncipe que viveu por volta do século V a.C. e que renunciou a tudo para dedicar-se à vida espiritual. Segundo seus seguidores, ele chegou a uma evolução espiritual tão grande que atingiu a iluminação, por isto ele é normalmente chamado de &#8220;o iluminado&#8221; ou &#8220;o despertado&#8221;.</p>
<div id="attachment_1505" class="wp-caption alignleft" style="width: 235px"><img class="size-full wp-image-1505" title="buda" src="http://www.historiazine.com/wordpress/wp-content/uploads/2012/01/buda.jpg" alt="" width="225" height="350" /><p class="wp-caption-text">Buda</p></div>
<p>Fundador do <strong>budismo</strong>, os ensinamentos espirituais de Gautama são tão respeitados e citados mundo afora que normalmente nós não nos damos conta de que o budismo é uma vertente do hinduísmo.</p>
<p>Depois de atingir a iluminação &#8211; aos 35 anos -, Gautama peregrinou até morrer, aos 80, por diversas regiões do sul da Ásia, espalhando seus conhecimentos e arrebatando seguidores por onde passava. Seus ensinamentos foram passados pelos seus seguidores às novas gerações pela via oral, e apenas 400 anos depois é que foram reunidos e compilados de forma escrita.</p>
<p>Independente disto, tanto Buda quanto outros líderes espirituais que o sucederam ajudaram a difundir o hinduísmo por vários países asiáticos.</p>
<p>Como religião comum a várias culturas diferentes, o hinduísmo pode ser comparado ao cristianismo, que engloba vários povos com suas diversas culturas em torno de uma crença comum, mas que também tem suas particularidades e divisões &#8211; católicos, evangélicos, ortodoxos etc&#8230; &#8211; Mas, pensando bem, o cristianismo veio DEPOIS do hinduísmo, ou seja: é melhor comparar o cristianismo ao hinduísmo, e não o contrário.</p>
<p>Enquanto terceira maior religião &#8211; em número de seguidores &#8211; do mundo, o hinduísmo também se confunde com o povo hindu, o grupo étnico proveniente lá daquela &#8220;união&#8221; entre arianos e drávidas, entre outros povos que viviam na região. Por séculos eles tiveram relativa paz, ou pelo menos só contavam com conflitos internos ou contra povos próximos. Como também tinham a vocação para o comércio, os hindus dificilmente foram importunados por seus vizinhos &#8211; até mesmo porque a cadeia de montanhas do Himalaia dificultava a penetração dos povos exteriores.</p>
<p>Só no século XV, instigados pelas especiarias produzidas na Ásia, é que os europeus resolveram atravessar os oceanos atrás do comércio por aquelas terras.</p>
<p>Nos séculos seguintes, a industrialização e a busca por mercados consumidores vai aproximar ainda mais, mesmo que a contragosto, europeus e hindus. A Índia, <em>berço</em> do hinduísmo, foi colônia britânica até meados do século XX, quando um simpático senhor conhecido como Mahatma Gandhi desafiou os ingleses e instigou seus pares a buscar a independência.</p>
<p>Mas isto é assunto para outro texto&#8230;</p>
<h3>Para saber mais:</h3>
<p>- <strong>&#8220;A História da Civilização da Índia&#8221;</strong>, texto de Vanderlei Wessler. Tem uma discussão interessante sobre colonização, uso dos Vedas pelos arianos para dominar o povo hindu. Vale a lida. [<a href="http://oatmayoga.com.br/a-historia-da-civilizacao-da-india/" target="_blank">link</a>]</p>
<p>- <strong>&#8220;O príncipe hindu Sidarta Gautama, o iluminado&#8221;</strong>, texto de Caco de Paula para a revista Superinteressante [<a href="http://super.abril.com.br/religiao/principe-hindu-sidarta-gautama-iluminado-442777.shtml" target="_blank">link</a>]<br />
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		<title>A Segunda Guerra no Facebook</title>
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		<pubDate>Thu, 26 Jan 2012 20:29:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vinicius Cabral</dc:creator>
				<category><![CDATA[Colunas]]></category>
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		<description><![CDATA[Todos nós sabemos que a Segunda Guerra Mundial foi um dos eventos mais tristes da nossa História enquanto seres humanos dotados de polegar opositor e intelecto superior e que por causa disso nós não deveríamos fazer piada com o acontecimento. Da mesma forma, eu acho que toda a intenção de transmitir conhecimento é válida, mesmo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Todos nós sabemos que a <a href="http://www.historiazine.com/tag/segunda-guerra" target="_blank">Segunda Guerra Mundial</a> foi um dos eventos mais tristes da nossa História enquanto seres humanos <i>dotados de polegar opositor e intelecto superior</i> e que por causa disso nós não deveríamos fazer piada com o acontecimento.</p>
<p>Da mesma forma, eu acho que toda a intenção de transmitir conhecimento é válida, mesmo que ela venha de uma forma mais <i>divertida</i> que o habitual. Quando eu citei o &#8220;maluco&#8221; que está <a href="http://www.historiazine.com/2011/11/a-segunda-guerra-no-twitter.html">transmitindo a Segunda Guerra</a> via Twitter, a intenção foi exatamente a de divulgar uma forma alternativa de transmitir o conhecimento, de despertar a curiosidade de quem usa a rede social.</p>
<p>E dia desses eu descobri uma postagem antiga &#8211; ela é de março de 2010 &#8211; no site <a href="http://www.collegehumor.com/article/5971108/omg-wwii-on-facebook" target="_blank">College Humor</a> que mostra a Segunda Guerra caso os países fossem usuários do Facebook. Nem vou ficar me alongando no texto, vejam! (está em inglês mas dá para entender)</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-1381" title="segunda_guerra_facebook" src="http://www.historiazine.com/wordpress/wp-content/uploads/2011/12/segunda_guerra_facebook.jpg" alt="" width="480" height="5802" /></p>
<p>Por que ninguém me mostra uma coisa dessas, hein?<br />
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		<title>A Revolução Chinesa</title>
		<link>http://www.historiazine.com/2012/01/a-revolucao-chinesa.html</link>
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		<pubDate>Thu, 19 Jan 2012 21:46:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vinicius Cabral</dc:creator>
				<category><![CDATA[História Contemporânea]]></category>
		<category><![CDATA[História Geral]]></category>
		<category><![CDATA[Ásia]]></category>
		<category><![CDATA[China]]></category>
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		<description><![CDATA[Enquanto marco histórico, podemos assinalar o ano de 1949 como o principal da Revolução Chinesa. Mas enquanto processo histórico, nós precisamos entender os antecedentes da revolução para poder estudar o ano de 1949 e seus anos posteriores deste que foi um dos principais movimentos populares do século XX. Os antecedentes da Revolução Chinesa: Chiang Kai-shek, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Enquanto marco histórico, podemos assinalar o ano de 1949 como o principal da Revolução Chinesa. Mas enquanto processo histórico, nós precisamos entender os antecedentes da revolução para poder estudar o ano de 1949 e seus anos posteriores deste que foi um dos principais movimentos populares do século XX.</p>
<h3>Os antecedentes da Revolução Chinesa:</h3>
<dl id="attachment_1399" class="wp-caption alignleft" style="width: 210px;">
<dt class="wp-caption-dt"><img class="size-full wp-image-1399" title="Chiang_Kai-shek" src="http://www.historiazine.com/wordpress/wp-content/uploads/2011/12/Chiang_Kai-shek.jpg" alt="" width="200" height="267" /></dt>
<dd class="wp-caption-dd">Chiang Kai-shek, líder do Kuomintang a partir de 1925</dd>
</dl>
<p>Durante todo o século XIX e início do século XX as potências imperialistas européias – em especial a Inglaterra – <em>mandaram e desmandaram</em> na China. O interesse comercial na região era grande pois não é de hoje que nós temos muita gente vivendo por lá. O raciocínio é aquele de sempre: muita gente, muita procura por produtos, muito comércio.</p>
<p>Ainda no início do século XX os chineses se mobilizaram para expulsar os estrangeiros de suas terras e seus negócios. Xuantong, o último imperador da dinastia Manchu, foi deposto por forças populares que acabaram com o Império chinês e fundaram a <strong>República da China</strong> em 1911. Este evento é conhecido como <strong>Revolução Xinhai</strong>.</p>
<p>Houve, inicialmente, uma diminuição da interferência européia no comércio chinês, mas o <strong>Japão</strong> passou a estender suas garras pela região, principalmente após 1915. Com o início da <a href="http://www.historiazine.com/tag/primeira-guerra">Primeira Guerra Mundial</a> os europeus, enfraquecidos pelo conflito, deram lugar definitivo para os japoneses na influência comercial da China. Para vocês terem uma ideia, o Japão chegou a controlar cerca de 45% do território chinês entre as décadas de 1930 e 1940.</p>
<p>A população, que já não suportava a miséria, principalmente no campo, apoiou a criação do <strong>Partido Comunista Chinês</strong> em 1921, mas seus integrantes logo foram perseguidos pelas lideranças do <strong>Kuomintang</strong>, o Partido Nacionalista, que passou a controlar a China a partir de 1911. O Kuomintang foi fundado logo após a Revolução Xinhai, de forma que o partido estava completamente <em>entranhado</em> no governo chinês.</p>
<p>Acuados por um governo que era submisso ao Japão e que não atendia às suas necessidades, os chineses, liderados por membros do Partido Comunista, pegaram em armas para expulsar os japoneses &#8211; principalmente durante a Segunda Guerra Mundial &#8211; e aproveitaram a oportunidade para também expulsar o Kuomintang do poder. Era o início da Revolução.</p>
<h3>Mao Tsé-tung, o “Grande Timoneiro”:</h3>
<p>O Kuomintang foi expulso em 1949, e seus líderes fugiram para a ilha de <strong>Formosa</strong>, onde fundaram a cidade de <strong>Taiwan</strong> e uma nova República da China. À frente do governo da <strong>República Popular da China</strong>, agora um país comunista, ficou <strong>Mao-Tsé-tung</strong>, um ex-jornalista que é considerado até hoje por muitos chineses como um grande militar, estrategista e mentor político. Propagandas políticas à parte, Mao foi o principal responsável por <em>libertar</em> os chineses da dominação imperialista que já durava mais de um século.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-1400" title="mao_poster_01" src="http://www.historiazine.com/wordpress/wp-content/uploads/2011/12/mao_poster_01.jpg" alt="" width="580" height="402" /></p>
<p>Seu conjunto de ideias, realizações políticas e contribuições teóricas para o marxismo são conhecidas como <strong>maoísmo</strong>. O que difere o governo de Mao dos outros governos comunistas da época é que a partir de 1956 a China rompeu relações com a URSS. Aquela <em>ajudinha</em> dada pelos soviéticos aos países que se alinhavam à sua política deixou de abastecer a China. O que estava dando certo &#8211; como exemplo podemos citar que os chineses conseguiram <strong>ampliar a produção agrícola</strong> do país <strong>em 70%</strong> em poucos anos &#8211; começou a ter que ser gerido apenas com recursos chineses.</p>
<p>Mao Tsé-tung levou à frente três grandes planos de desenvolvimento a partir de 1955:</p>
<p><strong>1) Coletivização da agricultura e sociedade (1955-1957):</strong></p>
<div class="mceTemp" style="text-align: justify;">
<dl id="attachment_1402" class="wp-caption alignleft" style="width: 215px;">
<dt class="wp-caption-dt"><img class="size-medium wp-image-1402" title="mao_poster_02" src="http://www.historiazine.com/wordpress/wp-content/uploads/2011/12/mao_poster_02-205x300.jpg" alt="" width="205" height="300" /></dt>
<dd class="wp-caption-dd">E tome propaganda!</dd>
</dl>
</div>
<p>O país inteiro passou por um grande processo de <strong>socialização coletiva</strong>. Ao todo mais de 24 mil comunas foram fundadas, onde <strong>todo o trabalho era dividido</strong>, possibilitando que principalmente as mulheres pudessem servir ao campo, com o objetivo de aumentar ainda mais a produção de alimentos.</p>
<p>O governo chinês ainda fornecia gratuitamente seis serviços básicos para o cidadão: alimentação, assistência médica, escolas, funeral, corte de cabelo e acesso à cultura &#8211; na maioria das comunas o serviço <em>cultural</em> disponível era o cinema.</p>
<p><strong>2) O Grande Salto Avante (1958-1960):</strong></p>
<p>O objetivo principal era <strong>industrializar ao máximo a economia chinesa</strong> e gerar finalmente a igualdade socialista. O plano era baseado nos &#8220;saltos de desenvolvimento&#8221; soviéticos.</p>
<p>Estas duas iniciativas não deram muito certo, e a China acabou sofrendo com a <strong>pior fome do século</strong>, entre os anos de 1959 e 1960. Milhares de camponeses morreram porque não tinham o que comer, e a sociedade chinesa se viu desestruturada.</p>
<p>O que deu errado? Bom, Mao Tsé-tung se afastou por um tempo da política interna da China. Meio isolado, voltou em 1966 denunciando ideias capitalistas e burguesas no seio da sociedade, o que teria atrapalhado o estabelecimento do comunismo pleno. Ele então propôs a terceira tentativa de livrar definitivamente a China do Capitalismo&#8230;</p>
<h3>A Revolução Cultural Chinesa:</h3>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align: justify;">
<dl id="attachment_1403" class="wp-caption aligncenter" style="width: 590px;">
<dt class="wp-caption-dt"><img class="size-full wp-image-1403" title="revolucao_cultural_chinesa" src="http://www.historiazine.com/wordpress/wp-content/uploads/2011/12/revolucao_cultural_chinesa.jpg" alt="" width="580" height="404" /></dt>
<dd class="wp-caption-dd">Mao Tsé-tung iluminando a estrada da Grande Revolução Cultural Proletária&#8230;</dd>
</dl>
</div>
<p>Mao Tsé-tung e muitos líderes políticos chineses achavam que não só <strong>as idéias e modos burgueses estavam atrapalhando o desenvolvimento do país</strong> como também desejavam distância do modelo soviético de administração, considerado pela alta cúpula chinesa como falido, atrasado, onde os burocratas soviéticos viviam com mordomias que o resto da população não tinha acesso.</p>
<p>Segundo o cientista político Kenneth Lieberthal,</p>
<blockquote><p>&#8220;Mao tinha quatro objetivos: corrigir o rumo das políticas do Partido Comunista Chinês; substituir seus sucessores por líderes mais afinados com o que pensava; assegurar uma experiência revolucionária à juventude chinesa; e tornar menos elitistas os sistemas educacional, cultural e de saúde&#8221; [<a href="http://mundoestranho.abril.com.br/materia/o-que-foi-a-revolucao-cultural-chinesa" target="_blank">fonte</a>]</p></blockquote>
<p>Mao também desejava mudar o modo de pensar dos chineses, já que as tradições milenares, seguidas por milhões de pessoas em todo o país eram consideradas reacionárias &#8211; talvez por respeitar demais a hierarquia e dificultar as denúncias quando um &#8220;chefe&#8221; prejudicava seus &#8220;comandados&#8221; em troca de <em>mordomias</em>? Quem sabe este era realmente o problema? Reflitam sobre isto e, certo ou não, Mao tinha razão em culpar certos hábitos culturais chineses.</p>
<p><img class="alignleft size-medium wp-image-1404" title="guarda_vermelha_01" src="http://www.historiazine.com/wordpress/wp-content/uploads/2011/12/guarda_vermelha_01-255x300.jpg" alt="" width="255" height="300" />O que sabemos de certo e que passou para a História é que foram formados em todo o país destacamentos da <strong>Guarda Vermelha</strong>, formados principalmente por jovens estudantes doutrinados pelo Livro Vermelho &#8211; um livro que continha uma série de escritos atribuídos a Mao Tsé-tung &#8211; e comandados por Jiang Qing, esposa de Mao.</p>
<p>O objetivo principal da Guarda Vermelha era atacar os &#8220;Quatro Velhos&#8221; da sociedade: as &#8220;velhas ideias&#8221;, a &#8220;velha cultura&#8221;, os &#8220;velhos hábitos&#8221;, e os &#8220;velhos costumes&#8221; da China.</p>
<p>Na prática muita gente foi atacada &#8211; e até mesmo morta &#8211; por ter um pensamento diferente do que estava escrito no Livro Vermelho e no que Mao Tsé-tung e os líderes chineses tinham como ideologia para o país. Livros foram queimados, peças de teatro e filmes tiveram suas exibições proibidas, produtos do ocidente não entravam na China, pessoas e ideias foram perseguidas e proibidas de &#8220;existir&#8221;.</p>
<p>Só que toda radicalização cobra seu preço. Neste caso, com o tempo a Guarda Vermelha começou a se dividir em diversas facções que seguiam cada qual sua interpretação do que seria melhor para a Revolução Cultural. Óbvio que o movimento foi perdendo força, até que <strong>em 1976 Mao Tsé-tung faleceu e a entrada de Deng Xiao-ping no poder acabou com a Revolução Cultural.</strong></p>
<p>Xiao-ping também abriu gradativamente o país para as tecnologias externas, e o processo gradativo de modernização e abertura do capital chinês foi &#8211; em uma visão superficial &#8211; tão bem feito que hoje a China é uma das maiores potências do mundo. Se a população continua sem liberdade de expressão, aí é outra História&#8230;</p>
<h3>Fontes:</h3>
<p>- Todos os posters que ilustram este texto eu tirei <a href="http://chineseposters.net/themes/mao-cult.php" target="_blank">deste site</a>.</p>
<p>- &#8220;<a href="http://www.educacional.com.br/reportagens/china/maotsetung.asp" target="_blank">1949: A revolução socialista de Mao Tsé-tung</a>&#8220;.</p>
<p>- HOBSBAWN, Eric. <strong>&#8220;A era dos extremos&#8221;</strong>. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.</p>
<p>- &#8220;<a href="http://www.alaic.net/ponencias/UNIrev_Queiroz.pdf" target="_blank">Propaganda Política na China: história e questões contemporâneas</a>&#8220;, artigo de Adolpho C. Françoso Queiroz.<br />
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		<title>As Mulheres e o Poder na Roma Antiga</title>
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		<pubDate>Thu, 12 Jan 2012 19:14:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vinicius Cabral</dc:creator>
				<category><![CDATA[Convidados]]></category>
		<category><![CDATA[História Antiga]]></category>
		<category><![CDATA[História Geral]]></category>
		<category><![CDATA[Europa]]></category>
		<category><![CDATA[História das Mulheres]]></category>
		<category><![CDATA[Mulheres]]></category>
		<category><![CDATA[Roma]]></category>

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		<description><![CDATA[Por: Cláudia Ribeiro Silvaem 12 de janeiro de 2012 A mulher na Roma arcaica tem suas funções limitadas à produção de membros para a defesa e o desenvolvimento do Estado. Muito embora em teoria seja vista como igual aos homens, na pratica as formas jurídicas dos primeiros tempos irão submete-la a séculos de exclusão social. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Por: Cláudia Ribeiro Silva</strong><br />em 12 de janeiro de 2012</p>
<p>A mulher na Roma arcaica tem suas funções limitadas à produção de membros para a defesa e o desenvolvimento do Estado. Muito embora em teoria seja vista como igual aos homens, na pratica as formas jurídicas dos primeiros tempos irão submete-la a séculos de exclusão social. Mas as conquistas territoriais feitas pelo romano, e o contato deste com outros povos, irá trazer a este império não apenas riquezas, mas também novas formas de cultura e discernimento de novos valores morais, que levarão a cabo suas concepções arcaicas de sociedade, principalmente no que tange a influência feminina junto ao público.</p>
<p>No entanto o que realmente pesará para que a mulher saia da obscuridade que lhe fora imposta por séculos, será principalmente o <strong>poder</strong> que estas irão adquirir ao <strong>tomarem posse de sua herança material e moral.</strong></p>
<h3>Como os romanos “classificavam” as mulheres?</h3>
<p>Os romanos dos primeiros tempos classificavam as mulheres em duas categorias; as que <strong>deviam ser protegidas</strong>, e as <strong>cuja pureza não importava</strong>. As mulheres oriundas das famílias da aristocracia romana eram da primeira categoria, as que deveriam ser protegidas. Estas eram consideradas sagradas, pois só o casamento entre romanos gerava cidadãos para Roma. Segundo o autor Pierre Grimal,</p>
<blockquote><p>“Consideradas oficialmente como simples companheiras, elas querem entretanto desempenhar um papel determinante no exercício ou na transmissão de um poder da qual o costume e a lei as exclui.”<strong>[1]</strong></p></blockquote>
<p><img class="alignleft size-full wp-image-1420" title="mulheres-romanas" src="http://www.historiazine.com/wordpress/wp-content/uploads/2012/01/mulheres-romanas.jpg" alt="" width="270" height="375" />Mas para se entender a emancipação da mulher é necessário que se compreenda que o amor e o casamento não são conseqüências um do outro, e que apesar de necessário o casamento não é um prazer, mas um dever de procriação, pois o Estado precisa de novos cidadãos para serví-lo na paz e na guerra. Na velha moral a esposa era “função” de cidadão e chefes de família, além de uma das numerosas decisões dinásticas. Para a mulher no entanto o casamento não passaria de uma honrosa prisão.</p>
<p>Não obstante, o mesmo Grimal defende que a instituição do casamento era uma das mais sólidas e respeitadas, pois era a garantia da grandeza de Roma. E que ao contrário do que parece a mulher não era escrava. Além do que, a vida civil autônoma não era negada somente a elas, mas também aos filhos, pois toda a autoridade pertencia aos chefes de família.</p>
<p>Para o romano o casamento é a comunhão entre o direito divino e o humano, uma criação, pois com ele começava uma associação que ultrapassava os cônjuges. O marido não seria amo e sim seu equivalente. O autor também nos diz que havia três formas de casamentos, não exatamente diferentes, pois eram apenas diferentes ritos juridicamente equivalentes, destinados a tornar a jovem esposa pupila de seu marido.</p>
<p>Eram eles: o <strong><em>Confrarreatio</em></strong> na velha sociedade patrícia, o <strong><em>Coemptio</em></strong> que cai em desuso no final da República, e o casamento de fato <strong><em>per usum</em></strong> que na prática fazia analogia a transmissão de propriedade, que em longo prazo permanecerá com o pai e em certa medida aos poucos terá efeito emancipador sobre as mulheres<strong>[2]</strong>.</p>
<p>A mudança de valores morais ocorrida a partir do século II a.C e a dissolução dos valores antigos não se devem somente ao movimento de expansão, às guerras e indenizações de guerra ou no pensamento grego, mas em certa medida no nascimento de uma espécie de capitalismo. Jean-Noël Robert nos diz que antes mesmo das <a title="As Guerras Púnicas" href="http://www.historiazine.com/2010/11/as-guerras-punicas.html" target="_blank">guerras púnicas</a>, Roma já era uma cidade poderosa.</p>
<p>As guerras de expansão trouxeram a Roma não apenas <strong>novos valores à sociedade</strong>, mas também <strong>incontáveis riquezas</strong>. Roma era agora a capital de todo o mundo conhecido. A rústica civilização baseada no trabalho dará lugar a uma sociedade urbana ociosa. As fortunas agora são grande fonte de poder. A mudança de valores morais irá contribuir para a evolução jurídica do casamento. A patrícia romana que até então ignora qualquer prazer em sociedade, pois é educada estritamente para o casamento, vai adquirir cultura e refinamento, para assim poder se manifestar ainda que indiretamente de forma pública.</p>
<div id="attachment_1421" class="wp-caption aligncenter" style="width: 610px"><img class="size-full wp-image-1421" title="mulheres-seriado-spartacus" src="http://www.historiazine.com/wordpress/wp-content/uploads/2012/01/mulheres-seriado-spartacus.jpg" alt="" width="600" height="300" /><p class="wp-caption-text">Atrizes interpretando mulheres romanas na série Spartacus: ali também tem um pouco de realidade na ficção.</p></div>
<p>No entanto o casamento ainda era uma instituição que firmava o orgulho de casta. Grimal diz que o casamento não garantia felicidade ou o prazer conjugal, mas à medida que as mulheres conquistam a liberdade tomam conciência de seu papel. Nos últimos anos da República a emancipação quase que total da mulher, pois agora elas também adquirem o direito ao divórcio e a gerir sua própria fortuna e ao enviuvar casam novamente, pelo coração ou pela ambição, em geral tornam-se grandes mulheres de negócios.</p>
<h3>Mas estas mudanças bastaram para melhorar a condição das romanas casadas?</h3>
<p>O escritor romano Suetônio em seu livro “A vida dos doze Césares” relata que já durante o império a instituição do casamento era um dos instrumentos que possibilitavam a aliança de apoio mutuo entre as <em>Gens</em>, e que poderiam determinar a ascensão de dinastias. <strong>Os cônjuges antes escolhidos pelo princípio agora são escolhidos pela conveniência.</strong> O casamento <em>per usum</em> garantindo a tutela nas mãos do pai e a manutenção dos bens da esposa consigo, irá servir aos interesses de sua própria <em>gens</em>, e passa a interferir nas carreiras.</p>
<p>Sem dúvida pode-se afirmar que a partir da evolução jurídica do casamento que a mulher romana irá imiscuir-se cada vez mais nos assuntos relacionados ao Estado. A interferência antes realizada através da religião será respaldada pela força do orgulho de casta, pela aquisição de uma cultura superior, e pelo poder moral, político e econômico e que estas herdarão de seus pais. Jean-Noël Robert defende que&#8230;</p>
<blockquote><p>“portanto, dado o valor puramente jurídico e moral do casamento, pode se dizer que a mulher vai conquistar uma certa liberdade à custa de seu dever.”<strong>[3]</strong></p></blockquote>
<p>No entanto e necessário observar que, já no nascimento do mundo romano, ainda que em seus rústicos e austeros primeiros dias, é que se inicia o processo de ascensão da mulher Grimal relata:</p>
<blockquote><p>&#8220;&#8230;Em Roma todo o sexo feminino que via reconhecida oficialmente a sua função essencial na sociedade – e não só a função à qual a natureza o destina, que é a fecundidade. Tantas honras acumuladas surpreende quem pretende considerar apenas a condição jurídica da mulher romana na época arcaica. Na realidade a lenda nos mostra que é preciso atenuar as conclusões que acreditaríamos dever tirar dos textos jurídicos. Na verdade o nascimento de Roma assinalou a ascensão da mulher e instaurou o reconhecimento de valores quase inteiramente estranhos à idade heróica do mundo Grego.&#8221;<strong>[4]</strong></p></blockquote>
<p>Diferentemente do que ocorrera na idade heróica do mundo Grego, <strong>o próprio surgimento do mundo romano assinala a ascensão da mulher.</strong> Desde sua fundação a sociedade romana ira encarar o sexo feminino como par equivalente ao masculino. Muito embora o endurecimento das formas jurídicas do período arcaico tenha tentado ocultar o verdadeiro papel da romana na construção de sua sociedade, infligindo a esta uma posição inferior.</p>
<p>Por conta disto o casamento romano dos primeiros tempos revela-se sombrio. A mulher não possui autonomia. Não obstante, quando a velha moral dá lugar a uma nova, e a humanização substitui a rude virtude guerreira, o romano se torna mais complacente à influencia feminina. Ao tornar-se companheira e não mais pupila esta irá imiscuir-se da vida pública de seu marido e seus filhos.</p>
<p>Munidas da liberdade obtida pela evolução jurídica e de costumes, existiram em Roma muitas patrícias cuja influencia herdada de seus pais e a herança que possuíam as tornavam influentes dentro da <em>Urbe</em>, por força de suas grandes fortunas, que a nova ordem irá estabelecer como fonte de poder político. Por conta disto, algumas destas mulheres não só interferirão como irão <strong>manipular o poder em Roma</strong>, para seus maridos, seus filhos, e até para si mesmas.</p>
<h3>Sim, algumas mulheres <em>mandaram</em> em Roma!</h3>
<p>Muito embora em teoria este poder feminino fosse impossível, pelo Direito, de ser exercido, um dado número de exemplos nos leva a crer que foi exercido de fato. Alguns desses exemplos chegaram até nós. E este poder será de grande proporção uma vez que já na Antiguidade Tardia, segundo Philippe Áries, o mundo romano agora cristão irá providenciar formas de se evitar que “desponte a ameaça de mulheres virem a exercer influencia na igreja graças a sua fortuna, cultura ou coragem superior.”[5]</p>
<p>Segundo Áries, no fim do século IV estas mulheres, membros da aristocracia senatorial, são tão influentes que o clero, temendo este poder, veta toda e qualquer possibilidade das mulheres terem acesso ao poder público dentro da Igreja. Este poder se consolida de tal forma que até mesmo irá sobrepujar as leis que tentavam subjugá-lo. Haverá em Roma Imperatrizes-consortes que se tornarão, não pelo Direito, mas Imperadores <em>de fato</em>, mulheres que se tornarão <em>Paterfamílias</em> <strong>[6]</strong>, até mesmo no comando de legiões.</p>
<p>Ao longo de doze séculos da civilização romana os costumes evoluíram e embora as mulheres devessem se ater à vida particular, frequentemente desempenhavam papéis importantes na política. Áries e Duby, no entanto nos diz:</p>
<blockquote><p>&#8220;O que se chamou de &#8216;emancipação&#8217; no começo do império era essencialmente uma liberdade nascida do desdém. As mulheres da classe senatorial podiam fazer o que quisessem desde que não interferissem com a política&#8221;.<strong>[7]</strong></p></blockquote>
<div id="attachment_1422" class="wp-caption alignleft" style="width: 207px"><img class="size-medium wp-image-1422" title="imperatriz-livia" src="http://www.historiazine.com/wordpress/wp-content/uploads/2012/01/imperatriz-livia-197x300.jpg" alt="" width="197" height="300" /><p class="wp-caption-text">Estátua da imperatriz Livia</p></div>
<p>É provável que na maior parte dos casos isso tenha ocorrido, mas os indícios trazidos até nós nos dão conta de que <strong>existiam sim mulheres de grande influência no Estado romano.</strong> Algumas foram extremamente poderosas, a ponto de exercerem poder sobre todo Império.</p>
<p>A exemplo de <strong>Cornélia</strong>, filha de Cipião o Africano, mãe dos Gracos que, de acordo com Grimal, a proporção de sua influência era tal que esta ao enviuvar foi pedida em casamento por Ptolomeu Evergara &#8211; rei do Egito à época -, que esperava obter com essa aliança auxílo dos poderosos de Roma na guerra contra o seu irmão, pois à volta de Cornélia estariam os homens que decidiam os destinos de Roma. Esta seria a responsável pelos ideais que influenciaram os filhos, pelas correntes de pensamento que agitaram seu século e pela crise que assinala o declínio da República Aristocrática na Roma do século II a.C.</p>
<p>Podemos também citar a imperatriz <strong>Lívia</strong> que, sem a qual, segundo Suêtonio e Grimal, o Império não teria se consolidado. Ou ainda a imperatriz <strong>Agripina</strong>, que de acordo com Suetônio, “após sua ascensão, Nero entrega à mãe a administração soberana de todos os negócios públicos e privados de Roma”<strong>[8]</strong> . E pelo relato de Grimal, &#8220;em cinco anos destrói a autoridade de Cláudio, impõe Nero como seu sucessor, e concretiza o que os reinos anteriores não conseguiram: a unidade política de Roma&#8221;.<strong>[9]</strong></p>
<h3>Conclusão:</h3>
<p>Ao longo de doze séculos da civilização romana os costumes evoluíram. A rígida moral necessária ao período arcaico e ao processo de construção do mundo romano irá se adaptar às necessidades inerentes à consolidação desta civilização. À medida que Roma se consolida e expande suas fronteiras, entrando em contato com outros povos e culturas, a necessidade de normas jurídicas mais flexíveis não significará o abandono dos valores que alicerçaram os romanos como uma grande nação, mas um passo rumo a novos tempos.</p>
<p>Dentro deste processo estão incluídos os mecanismos que estruturam o casamento romano, que seria para esta civilização o núcleo primordial de sua sociedade, e um dos seus principais pilares de sustentação. Sendo assim, uma vez que os costumes e as normas jurídicas que regem o casamento, a família e consequentemente o Estado, torna-se mais flexível, dará à patrícia romana uma mobilidade social, antes inconcebível em função da rudeza dos tempos arcaicos.</p>
<p>É a partir do século II a.C que estas transformações podem ser observadas, mesmo antes que esta sociedade toma-se os rumos que por fim possibilitaram as mulheres da classe senatorial uma certa mobilidade social. As patrícias romanas cultivaram ao longo da história de Roma o orgulho de suas gens . Este orgulho de casta fará com que estas possam buscar meios de se manifestar publicamente mesmo quando não era possível.</p>
<p>Mesmo quando a interferência feminina passa a ser tolerada, pela tradição herdada de seus nomes, ou por suas fortunas, a patrícia romana ainda assim não poderá exercer cargos públicos. Por conta desta impossibilidade muitas farão suas “carreiras” através de seus filhos, de seus maridos ou seus irmãos.</p>
<p>E através dos homens de sua família, a princípio, que estas mulheres irão exercer uma influência e um poder por vezes superior ao de seus pares. A influência que num primeiro momento se restringe aos da sua casta irá estender-se ao seu círculo de amigos. O poder que lhes confere o direito ao divórcio e ao acúmulo e controle de suas heranças, irá tornar a romana uma negociável fonte de poder e prestígio. Algumas ao se tornarem objetos de ascensão, não mais se contentarão em apenas exercer influência indireta, irão construir em torno de si círculos de poder. Um poder pessoal e direto que transcenderá a razão das leis escritas ou consuetudinárias. Estas se tornarão dignas de serem lembradas até nossos dias, pela coragem e inteligências superiores com que conduziram suas “carreiras”, e os rumos de sua sociedade.</p>
<h3>Notas e fontes:</h3>
<p><strong>[1]</strong> GRIMAL, Pierre. &#8220;<em>O amor em Roma</em>&#8220;. São Paulo: Martins Fontes, 1991. Pág. 21</p>
<p><strong>[2]</strong> &#8211; “Confarreatio” era a forma de casamento religioso utilizado no período pré-clássico romano. Era um casamento caracterizado pelo apego as tradições e por um misto de religiosidade e festas.<br />
- “Coemptio” era a modalidade de casamento que começou a ser usada quando da possibilidade de união entre patrícios e plebeus. Era uma espécie de venda simbólica, solene da mulher ao marido. Com a generalização da “Coemptio”, a “Confarreatio” foi caindo em desuso. O casamento atual tem uma relação histórica com essa forma de casamento, devido ao seu enfoque contratual.<br />
- “Per usum” era a forma de casamento mais habitual na República Romana; era o casamento de fato, que se tornava de direito após um ano de coabitação contínua. Para escapar da consolidação do casamento e da conseqüente “Manu” (&#8220;manu&#8221; era o poder do PaterFamilias sobre a mulher) do marido, a mulher ausentava-se de casa por três noites consecutivas, interrompendo o “Usus”.</p>
<p><strong>[3]</strong> ROBERT, Jean-Noël. &#8220;<em>Os prazeres em Roma</em>&#8220;. São Paulo: Martins Fontes, 1995. pág. 191.</p>
<p><strong>[4]</strong> GRIMAL, Pierre. &#8220;<em>O amor em Roma</em>&#8220;. São Paulo: Martins Fontes, 1991. pág. 26.</p>
<p><strong>[5]</strong> ARIÈS, Philippe; DUBY, Georges. &#8220;<em>História da vida privada I: do Império Romano ao ano mil</em>&#8220;. 19ª ed. São Paulo: Companhia da Letras, 2006. Pág. 269</p>
<p><strong>[6]</strong> &#8220;Paterfamílias&#8221; era o chefe supremo, quase sacerdote.</p>
<p><strong>[7]</strong> ARIÈS, Philippe; DUBY, Georges. &#8220;<em>História da vida privada I: do Império Romano ao ano mil</em>&#8220;. 19ª ed. São Paulo: Companhia da Letras, 2006. Pág. 238</p>
<p><strong>[8]</strong> SUETÔNIO. &#8220;<em>A vida dos doze Césares</em>&#8220;. 5ª ed. São Paulo: Ediouro, 2003. Pág. 347</p>
<p><strong>[9]</strong> GRIMAL, Pierre. &#8220;<em>O amor em Roma</em>&#8220;. São Paulo: Martins Fontes, 1991.</p>
<p>- Todas as definições dos termos romanos foram retirados de MACHADO, Moacyr. S. M; (org). &#8220;<em>Apostila do Direito Romano: Pessoa e Direito Família</em>&#8220;. Pernambuco. Universidade Federal de Pernambuco</p>
<h3>Sobre a autora:</h3>
<p><img class="alignleft size-full wp-image-1424" title="claudia" src="http://www.historiazine.com/wordpress/wp-content/uploads/2012/01/claudia.jpg" alt="" width="120" height="120" /><strong>Cláudia Ribeiro Silva</strong><br />
Cláudia é graduada em Licenciatura Plena em História pelo Centro Universitário Augusto Motta (UNISUAM) do Rio de Janeiro.</p>
<p><a href="https://twitter.com/#!/ClaudiaRisil" target="_blank">Twitter</a> da Cláudia.<br />
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		<title>França abriga o maior museu sobre a Primeira Guerra Mundial</title>
		<link>http://www.historiazine.com/2012/01/museu-da-primeira-guerra-musee-de-la-grande-guerre.html</link>
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		<pubDate>Wed, 11 Jan 2012 15:39:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vinicius Cabral</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Em 11 de novembro de 2011(*) o presidente francês, Nicolas Sarkozy, inaugurou o que seguramente é o maior museu sobre a Primeira Guerra Mundial. O &#8220;Musée de la Grande Guerre&#8221; fica em Meaux, região que fica a 40 quilômetros a nordeste de Paris e que abrigou várias batalhas importantes ao longo da guerra que deveria [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em 11 de novembro de 2011(*) o presidente francês, Nicolas Sarkozy, inaugurou o que seguramente é o maior museu sobre a <a href="http://www.historiazine.com/tag/primeira-guerra" target="_blank">Primeira Guerra Mundial</a>. O <strong>&#8220;Musée de la Grande Guerre&#8221;</strong> fica em Meaux, região que fica a 40 quilômetros a nordeste de Paris e que abrigou várias batalhas importantes ao longo da guerra que deveria servir para <em>acabar com todas as outras guerras</em>&#8230; o que, sabemos, não deu lá muito certo, pelo menos até 1939&#8230;</p>
<p><img src="http://www.historiazine.com/wordpress/wp-content/uploads/2012/01/museu-da-primeira-guerra.jpg" alt="" title="museu-da-primeira-guerra" width="515" height="343" class="aligncenter size-full wp-image-1441" /></p>
<p>A coleção exposta no museu tem uma particularidade interessante: é quase todo o acervo do arqueólogo amador e colecionador <strong>Jean-Pierre Verney</strong>, que gastou décadas para juntar todo o material que agora está organizado e exposto para todos que quiserem apreciar e saber um pouco mais sobre &#8220;A Grande Guerra&#8221;. Verney também trabalhou anos como fotógrafo até se tornar arquivista do Ministério para os Veteranos na França. Aí ficou um pouco &#8220;fácil&#8221; colecionar os artefatos, concordam?</p>
<p><img src="http://www.historiazine.com/wordpress/wp-content/uploads/2012/01/uniformes-museu-da-primeira-guerra-300x226.jpg" alt="" title="uniformes-museu-da-primeira-guerra" width="300" height="226" class="alignleft size-medium wp-image-1442" />Independente disto, não podemos deixar de admirar o trabalho do francês, hoje com 65 anos. Nascido no fim da <a href="http://www.historiazine.com/tag/segunda-guerra" target="_blank">Segunda Guerra</a>, Verney sempre foi um admirador do assunto, principalmente das chamadas &#8220;guerras de trincheiras&#8221;, e esta modalidade de combate não faltou nos campos de batalha franceses durante a Primeira Guerra.</p>
<p>No museu nós poderemos encontrar, além de uniformes dos soldados de vários países que lutaram naquele conflito, centenas de armas, canhões, sirenes, cantis, munições, bombas, granadas, máscaras de gás e até mesmo &#8220;obras de arte&#8221; feitas com munições por soldados entediados nas trincheiras.</p>
<p>O museu conta até com uma pistola Browning FN, modelo 1910, o mesmo modelo que <a href="http://www.historiazine.com/2011/09/para-entender-o-inicio-da-primeira-guerra-mundial.html">Gavrilo Princip usou para matar o arquiduque Francisco Ferdinando</a>, da Áustria, e sua esposa Sofia em 1914, evento este que serviu como &#8220;estopim&#8221; do conflito.</p>
<p>O site do museu você pode acessar clicando no link do &#8220;<a href="http://www.museedelagrandeguerre.eu/" title="Museu da Primeira Guerra Mundial" target="_blank">Musée de la Grande Guerre</a>&#8221; e seguem abaixo algumas fotos&#8230;</p>
<div id="attachment_1443" class="wp-caption aligncenter" style="width: 485px"><img src="http://www.historiazine.com/wordpress/wp-content/uploads/2012/01/bombas-museu-da-primeira-guerra.jpg" alt="" title="bombas-museu-da-primeira-guerra" width="475" height="315" class="size-full wp-image-1443" /><p class="wp-caption-text">Bombas utilizadas durante o conflito</p></div>
<div id="attachment_1444" class="wp-caption aligncenter" style="width: 594px"><img src="http://www.historiazine.com/wordpress/wp-content/uploads/2012/01/uniformes-museu-da-primeira-guerra_02.jpg" alt="" title="uniformes-museu-da-primeira-guerra_02" width="584" height="330" class="size-full wp-image-1444" /><p class="wp-caption-text">Detalhes de um dos uniformes expostos</p></div>
<div id="attachment_1446" class="wp-caption aligncenter" style="width: 610px"><img src="http://www.historiazine.com/wordpress/wp-content/uploads/2012/01/canhao-museu-da-primeira-guerra.jpg" alt="" title="canhao-museu-da-primeira-guerra" width="600" height="380" class="size-full wp-image-1446" /><p class="wp-caption-text">Um dos muitos canhões usados no conflito e ainda preservados</p></div>
<div id="attachment_1447" class="wp-caption aligncenter" style="width: 608px"><img src="http://www.historiazine.com/wordpress/wp-content/uploads/2012/01/uniformes-museu-da-primeira-guerra_03.jpg" alt="" title="uniformes-museu-da-primeira-guerra_03" width="598" height="398" class="size-full wp-image-1447" /><p class="wp-caption-text">Mais uniformes...</p></div>
<div id="attachment_1449" class="wp-caption aligncenter" style="width: 610px"><img src="http://www.historiazine.com/wordpress/wp-content/uploads/2012/01/trator-TAR-museu-da-primeira-guerra.jpg" alt="" title="trator-TAR-museu-da-primeira-guerra" width="600" height="380" class="size-full wp-image-1449" /><p class="wp-caption-text">Trator de artilharia Latil 4X4 TAR, utilizado para rebocar canhões para o front.</p></div>
<h3>Notas:</h3>
<p>(*) 11 de novembro é também conhecido como o &#8220;Dia do Armistício&#8221;, quando em 1918 a Primeira Guerra teve seu fim &#8220;oficial&#8221; com a assinatura do Armistício de Compiègne, na França.</p>
<p>- Retirei algumas informações do texto da profa. Heloísa Broggiato no <a href="http://www2.uol.com.br/historiaviva/noticias/museu_primeira_guerra_franca.html" target="_blank">HistóriaViva</a> e também na notícia da abertura do museu no <a href="http://entretenimento.uol.com.br/ultnot/reuters/2011/11/11/franca-abre-museu-de-guerra-gracas-a-tesouro-de-colecionador.jhtm" target="_blank">UOL Entretenimento</a>.<br />
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