A História da Seleção Brasileira

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Ela já foi mais respeitada pelos campos ao redor do planeta e, dizem, sofreu algumas injustiças em alguns jogos ao longo da vida. Hoje passa por uma grande crise de identidade, já não é mais tão bem-vinda dentro de suas próprias “casas” e as pessoas responsáveis pela sua manutenção estão cada dia mais preocupadas em afastá-la de seus verdadeiros torcedores.

Criticada, contestada, xingada porém ainda (ainda?) amada, em 2014 a Seleção Brasileira de Futebol completa 100 anos. Vamos falar um pouco da História desta verdadeira “instituição do futebol mundial”.

O início de tudo, em Laranjeiras:

O futebol no Brasil ainda engatinhava, tínhamos poucos times por aqui que praticavam o esporte bretão quando, em 1914, foi fundada a Federação Brasileira de Sports, embrião da atual Confederação Brasileira de Futebol e primeiro órgão responsável por organizar um time oficial formado por jogadores que seriam selecionados de seus clubes para formar um time e representar o Brasil.

Antes disso, desde 1906 já existiam “combinados”, como o formado por jogadores do Rio de Janeiro e de São Paulo que enfrentaram a seleção da África do Sul no dia 31 de julho daquele ano no campo do Velódromo de São Paulo.

Mas a primeira Seleção mesmo, de verdade, foi formada em 1914. E o primeiro jogo foi contra a equipe do Exeter City, da Inglaterra – que hoje joga a terceira divisão inglesa e, diga-se de passagem, quer reeditar este encontro em 2014. O jogo, ou melhor, o match aconteceu no dia 21 de julho e a Seleção Brasileira venceu por 2 a 0, gols de Oswaldo Gomes e Osman.

ATUALIZAÇÃO [21/07/2014] - A CBF está cada dia pior. A entidade, sem motivo aparente, DESMARCOU o amistoso comemorativo com o Exeter City após aceitar o convite. Pelo menos para os ingleses e seus torcedores, festejar o surgimento da Seleção Brasileira e jogar no mesmo campo de 100 anos atrás continuou sendo um fato importante, e o time sub-23 do Fluminense fez as honras da casa.

À esquerda, o time do Exeter City e à direita a primeira Seleção Brasileira da História!

À esquerda, o time do Exeter City e à direita a primeira Seleção Brasileira da História!

O público que acompanhou o jogo no “estádio” das Laranjeiras, sede do Fluminense Football Club, foi estimado em cerca de 3 a 4 mil pessoas. Coloquei a palavra “estádio” entre aspas porque nesta época Laranjeiras ainda era apenas um campo de futebol onde o Fluminense mandava seus jogos, e os torcedores assistiam às partidas em pé, em volta do campo. Laranjeiras teria arquibancadas erguidas em volta do campo apenas em 1919, para a realização do Sul-Americano de Futebol, vencido pela Seleção Brasileira na final contra o Uruguai.

Bola do primeiro jogo da Seleção Brasileira exposta no Museu do Fluminense, em Laranjeiras (foto: arquivo pessoal)

Bola do primeiro jogo da Seleção Brasileira exposta no Museu do Fluminense, em Laranjeiras (arquivo pessoal)

É bom citar que a FIFA não reconhece a partida contra o Exeter como sendo o primeiro jogo oficial da Seleção, pois foi realizado contra um clube.

Assim, a “estreia” do time brasileiro contra outra seleção foi justamente em uma partida contra nossos maiores rivais, os italianos os argentinos, no dia 20 de setembro do mesmo ano.

Nossos hermanos venceram o amistoso por 3 a 0, e sete dias depois, aí sim valendo contra os argentinos a Copa Rocca, o Brasil venceu por 1 a 0 e trouxe a primeira de uma coleção de taças para casa.

Nos uniformes, o amarelo canarinho só apareceu na Copa de 1954:

No início de sua História o Brasil jogava com um uniforme branco, com detalhes em azul. E por muito tempo a Seleção utilizou uniformes com predominância destas duas cores. Apenas em 1954, na Copa da Suíça, é que a Seleção passou a usar como primeiro uniforme a camisa amarela, o short azul e os meiões brancos, enquanto o uniforme n° 2 manteve a tradição do antigo azul-e-branco.

Reprodução do uniforme da Seleção em 1914, utilizado pelo Brasil em um amistoso contra a França em 2004.

Reprodução do uniforme da Seleção em 1914, utilizado pelo Brasil em um amistoso contra a França em 2004.

Primeira camisa amarela do Brasil, utilizada na Copa de 1954. (Fonte)

Primeira camisa amarela do Brasil, utilizada na Copa de 1954. (Fonte)

A “Era Pelé” e a conquista do mundo:

As Copas do Mundo já eram disputadas desde 1930, mas o Brasil só ganhou sua primeira Jules Rimet em 1958, oito anos após amargar aquela que é sem dúvida a derrota mais doída de toda a História do futebol brasileiro. Em um Maracanã entupido de gente – as catracas do estádio quebraram e estima-se a presença de 200 mil pessoas – o Uruguai venceu o Brasil por 2 a 1 e sagrou-se bicampeão mundial.

Mas em 1958, na Suécia, um time que contava com a presença de craques como Nilton Santos, Didi, Bellini, Garrincha, Zito e Pelé, um moleque de 17 anos que começava a espantar o mundo, venceu seu primeiro Mundial.

A supremacia brasileira continuou em 1962, na Copa do Chile, com o time liderado por Garrincha, o “Anjo das Pernas Tortas”; em 1966, na Copa da Inglaterra, o Brasil perdeu para a pancadaria e o bom futebol da seleção portuguesa, mas em 1970 o México teve a felicidade de assistir O ESPETÁCULO!

Com várias atuações de gala e comandados pelo agora já aclamado Rei do Futebol – vulgo Pelé -, o Brasil passou por adversários de peso como Inglaterra e Uruguai, além de atropelar a Itália na final. Espero que a pessoa que postou o vídeo abaixo – dos gols da final da Copa de 1970 – nunca o apague…


Ah, mas o futebol naquela época era muito lento blábláblá…” Filho, volta pro seu playstation e não perturba, ok?

Pelé, O Rei, comemora seu gol na final contra a Itália em 1970

Pelé, O Rei, comemora seu gol na final contra a Itália em 1970…

Aquele time montado para a Copa de 70 é, sem dúvida, a maior equipe de futebol de todos os tempos. Se a Seleção já era respeitada pelos dois campeonatos anteriores, a partir de 1970 ela alcançou o status de incontestável, quase imbatível.

A perda da identidade e o “futebol comércio”:

Ok, estamos falando de futebol. Romantismos à parte, depois de 1970 o Brasil amargou 24 anos de “seca” e só foi conquistar novamente uma Copa do Mundo em 1994, nos EUA, de novo contra a Itália. Já nesta época muitos jornalistas esportivos alardeavam uma “falta de identidade” dos jogadores brasileiros com a Seleção. Antigamente, segundo eles, “o jogador brasileiro tinha orgulho de vestir a amarelinha”.

Identificados com a Seleção ou não, os jogadores levaram o Brasil à final em 1998, mas perderam para a boa seleção da França. E em 2002, na Copa da Coréia e Japão, o Brasil faturou seu quinto título, superando a Alemanha em um confronto até então inédito em mundiais, se tornando a única seleção do mundo a ter este número de conquistas.

Hoje a Seleção anda muito longe de seu torcedor. A saída precoce de muitos craques para o exterior e as constantes apresentações do Brasil para inglês ver, literalmente, transformaram a Seleção em uma equipe pouco conhecida dos brasileiros e nem tanto querida, principalmente por torcedores fanáticos por futebol e que tem seus times de coração jogando toda semana “em casa”, ao lado de seu torcedor.

Será que em 2014 a Seleção consegue escrever uma História diferente de 1950, desta vez vencedora? Vamos (tentar) torcer…

Fontes:

- A primeira partida da Seleção Brasileira de Futebol

- O Estádio das Laranjeiras

- Confederação Brasileira de Futebol

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3 comentários para “A História da Seleção Brasileira

  1. Excelente texto, apenas um dado não foi devidamente abordado e comentado.
    A seleção começou a perder a identidade, quando após o revés da copa de 1990 chegou-se a conclusão que havia uma escassez de bons jogadores para servir a seleção. Ok, ninguém lembra que a seleção do Lazzarone foi uma panela carioca dos infernos(desculpe aos amigos cariocas mas é verdade), mas dali para frente os técnicos medíocres passaram a convocar “jogadores guerreiros”, “operários” os “carregadores de piano” que é um eufemismo para “pereba esforçado”.
    Jogando cada vez pior é obvio que o interesse daqueles que gostam de assistir uma boa partida de futebol evanesceu e em contra-partida tem aumentado o números daqueles que gostam só de ganhar. Esses que não sabem a diferença de volante pra ponta de seleção engrossam as fileiras do exercito da mediocridade e futebol de resultado.
    Sou Corinthiano, brasileiro e gosto de futebol. Parreira, Zagallo, Dunga, Felipão e Fabio Rochembak não me representam.

  2. Excelente texto, Vinicius!

    Essa crise de identidade com a torcida é muito ruim para a Seleção. Deveria jogar mais aqui e menos em Londres. Mas acho que a Copa do Mundo aqui trará o torcedor de volta. Talvez já aconteça na Copa das Confederações, como foi na Copa América de 1989. No clima da Copa do Mundo, o povo voltará a ser a Seleção, e a Seleção voltará a ser o povo, como dizia o genial Nelson.

    Eu particularmente sempre torci e sempre vou torcer pela Seleção. Foi vendo os jogos dela que comecei a gostar de futebol. A simpatia pela Seleção é natural, até porque, como você bem escreveu, ela nasceu ali, no nosso gramado tricolor, no dia do nosso aniversário. :)

    Abraços!
    PC

    • Valeu, PC!
      Eu também sempre torci pela Seleção, mas confesso que nos últimos anos as sacanagens que a CBF fez com o Flu diminuíram bastante meu interesse pela amarelinha. E alguns recalcados aí ainda tem a pachorra de chamar a CBF de CBFlu, ao invés de reclamar que o próprio time não ganha jogo fora de casa e perde o Brasileiro por causa disso… enfim, o choro é livre.
      ST!!!

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