Já que estamos em ritmo de férias, fim de ano batendo à porta e você só pensando no panetone e no amigo oculto, nada melhor que indicar para nossos leitores alguns bons filmes que contam boas histórias.
Pegue nossas indicações, prepare a pipoca e divirta-se, além de aprender um pouco sobre os assuntos tratados nos filmes. A maioria – senão todos – você provavelmente já viu, mas não custa nada rever um filme quando ele é realmente bom, concordam?
“O Senhor das Armas” (Lord of War, EUA, 2005)
“Há mais de 550 milhões de armas de fogo em circulação no mundo. É uma arma para cada doze pessoas no planeta. A única questão é: como armamos as outras onze?“
Dirigido por Andrew Niccol, o filme conta parte da vida e dos negócios escusos de Yuri Orlov, um grande contrabandista de armas. Dizem que o filme é uma junção de histórias de cinco traficantes, e traz para a tela um assunto complicado: o comércio ilegal de armas e munições, que vitimam centenas de milhares de pessoas todo ano, principalmente em países onde o governo não cuida muito bem da segurança de seu povo.
O filme mostra inclusive a importância que o fim da União Soviética teve no comércio ilegal de armas. Muita corrupção, pouca fiscalização e AKs-47 aos montes nas mãos de pessoas irresponsáveis e sedentas por riqueza e poder.
Porque o filme é bom: ele enfia o dedo em uma ferida que não cicatriza, independente do país e do governante. Se tem alguém comprando armas, tem alguém fabricando e vendendo. A cena inicial, mostrando a “vida” de uma bala, já vale o ingresso – ou melhor, a locação. E não se assuste com a presença de Nicolas Cage no papel principal, pois neste filme ele está atuando muito bem.
Cotação:
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“Gladiador” (Gladiator, EUA, 2000)
“O general que se tornou escravo. O escravo que se tornou gladiador. O gladiador que desafiou um império.“
Fazer uma lista de filmes históricos e não citar “Gladiador” é como fazer uma lista dos melhores jogadores de futebol do mundo e não incluir Franz Beckenbauer. Alguns vão torcer o nariz e dizer que o alemão não jogava futebol, mas sim algo parecido com o esporte bretão, mas é inegável sua contribuição para o esporte.
Assim é “Gladiador”. Dirigido por Ridley Scott, o filme não conta com fatos reais do Império Romano – pelo menos o assunto principal, que é a transformação de um general em gladiador depois deste ter sua morte ordenada pelo imperador Commodus, mas usa Roma como pano-de-fundo para uma das histórias mais espetaculares do cinema.
É, eu acho que a comparação com o futebol não foi lá muito bem feita, mas eu acho que vocês entenderam, não é?
Porque o filme é bom? Mesmo com alguns erros históricos, a película vale pela excelente atuação de Russell Crowe no papel do general Maximus e de Joaquin Phoenix no papel do imperador Commodus, além da reconstrução, mesmo que virtual, do Coliseu e do clima de barbárie e pane et circensis existente no Império Romano. Não à toa, o filme venceu o Oscar. E com razão.
Cotação:
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“Munique” (Munich, EUA, 2005)
O ponto de partida da história é o atentado ocorrido nas Olimpíadas de Munique, em 1972, pelo grupo terrorista palestino conhecido como “Setembro Negro”, que matou onze atletas israelenses. Direção corajosa de Steven Spielberg, “Munique” é um filme político, que tem como ponto central – mesmo que retratado de forma cruel – o amor do personagem Avner, interpretado por Eric Bana, pelo seu povo e seu país, afinal de contas ele entra para o Mossad para defender Israel.
Porque o filme é bom? Ele retrata outra ferida eternamente aberta: o conflito árabe-israelense. Mostra também um pouco da frieza da primeira-ministra Golda Meir em autorizar a caça aos palestinos envolvidos no atentado em um dos períodos mais turbulentos do conflito e o jogo político da década de 1970, quando até as duas superpotências da época – EUA e URSS – evitavam dar palpite no assunto, por motivos diversos e que extrapolavam a simples polarização político-ideológica da época.
Cotação:
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“Fomos Heróis” (We Were Soldiers, EUA, 2002)
Baseado no livro “We Were Soldiers Once… And Young”, escrito pelo general Hal Moore e pelo jornalista Joseph Galloway, “Fomos Heróis” é um dos melhores filmes de guerra que eu já vi, e certamente o melhor sobre a Guerra do Vietnã. Ele mostra a Batalha de La Drang, que foi a primeira grande batalha dos norte-americanos nesta polêmica guerra, sob o comando de Hal Moore, vivido por Mel Gibson. E antes que você fale “Mas você não pode dizer que este filme é melhor quando o assunto ‘Guerra do Vietnã’ já foi retratado pelo clássico ‘Platoon’!” eu tenho alguns argumentos:
Porque o filme é bom? É o primeiro filme a retratar o sofrimento dos familiares dos soldados, e o lado humano não só dos soldados americanos como também dos soldados vietnamitas. Antes, só me lembro de filmes que retratavam os asiáticos como uma espécie de bárbaros do século XX. As cenas de batalha são muito realistas e todos os principais atores estão muito bem afinados em passar para nós, espectadores, o drama de um combatente tanto na batalha quanto no treinamento para a mesma. Se você assistir o filme e se perguntar “por que toda esta guerra idiota?“, parabéns, você atingiu o objetivo do diretor Randall Wallace, que é fazer você refletir sobre a situação.
Cotação:
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“Diários de Motocicleta” (Diarios de motocicleta, 2004*)
Dirigido pelo brasileiro Walter Salles, o filme conta a história da lendária viagem de Ernesto Guevara e seu amigo Alberto Granado pela América do Sul em 1952. A ideia dos dois era percorrer o trajeto montados na moto de Granado, uma Norton 500 apelidada de “La Poderosa”, mas a viagem acaba se tornando mais do que uma simples aventura de dois amigos estrada afora.
Porque o filme é bom? “Diários…” é um filme divertido quando tem que ser divertido, e reflexivo quando tem que mostrar uma América do Sul rica em valores humanos mas pobre em desenvolvimento social da população nativa.
A crítica social, inclusive, é o que torna o filme tão especial e fundamental para todos que um dia já tentaram entender a cabeça do revolucionário “Che” Guevara. Com locações belíssimas – afinal de contas não é só o Brasil que tem lugares lindos na América do Sul – eu duvido que você não vai ficar com inveja da coragem que os dois amigos tiveram ao deixar a segurança do lar na Argentina para conhecer os vizinhos sentados em uma moto.
Como eu morro de inveja dos dois, o maior sonho da minha vida é fazer a mesma viagem, só que saindo do estado do Rio de Janeiro – onde eu moro – e conhecendo as capitais brasileiras do Sul, além de passar por Montevideo, antes de chegar a Buenos Aires e aí sim passar a seguir a trilha de Guevara e Granado. Um dia eu consigo… quem sabe?
Cotação:
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(*) Não coloquei o país do filme porque ele é uma produção conjunta de Brasil, Argentina, Chile, Peru, Inglaterra, EUA, Alemanha, Cuba e França.
Então… vocês estão sentindo falta de filmes sobre um período meio sangrento do século XX? Calma, gente! O próximo texto é só sobre filmes retratando a Segunda Guerra Mundial. Aguardem!










Bela lista. Eu adoro filmes de época e de cunho histórico, principalmente aqueles que não apelam tanto pra nostalgia e fotografia retrô, mais realistas. Tramas que se estendem por vários períodos da história geralmente são cansativas, como é o caso de Benjamin Button, mas podem dar em bons filmes, assim como E o Vento Levou, que vi faz pouco tempo e que me deixou encantado pela sua grandiosidade. Até vê-lo, nunca tinha entendido bem o que foi a Guerra Civil Americana.
Mas a 2ª Guerra é o meu período histórico favorito, ainda mais do ponto de vista britânico, influência da série Doctor Who. O filme que mais gosto sobre o assunto é Bastardos Inglórios. Mesmo não sendo nem um pouco fiel à história, Tarantino fez um excelente longa, que, assim como o seu post, mostra o cinema flertando com a história, a deixando um pouco mais interessante…
Pena que sinto que ainda não tivemos um filme que retratasse a “cruzada contra o terrorismo”. Guerra ao Terror não foi ruim, apesar de eu achar Zona Verde com Matt Damon melhor. Mas vamos e viemos, ambos os filmes podiam se passar em qualquer outro período da história, Vietnã, Guerra Fria, etc. A primeira obra que se aprofundou no assunto foi a série Homeland. Acho que a produção em si já é um marco, ao mostrar que a queda das torres não foi o suficiente para aflorar o patriotismo americano do século XX. Aposto que a crise colaborou bastante para isso.
Parabéns pelo blog.
Valeu pelo comentário, Pedro.
Quanto à Homeland, tem uma galera elogiando a série, acho que vou baixá-la e aproveitar o “acúmulo” de episódios e assistir tudo! Bastardos Inglórios é, convenhamos, “divertido”! rsrs