Remember, remember, the fifth of november

O título do texto é uma frase que ficou famosa – ou melhor, alcançou um número maior de pessoas – após o lançamento do filme “V de Vingança”, dirigido por James McTeigue e que conta a estória de V, um homem que luta pela liberdade do povo inglês frente à opressão do governo.

A estória original, publicada nos quadrinhos, é do sempre genial Alan Moore e foi desenhada por David Lloyd. Na narrativa, V usa suas táticas de sabotagem para enfrentar diretamente o governo inglês, que havia virado uma espécie de “nazi-fascismo britânico” após os EUA serem praticamente destruídos em uma guerra biológica. Novos líderes mundiais, os governantes ingleses suprimiam a liberdade do povo em nome da paz.

Mas quem inspirou V a lutar pela liberdade?

Guy Fawkes e a Conspiração da Pólvora:

Na noite do dia 5 de novembro de 1605, um grupo de conspiradores católicos pretendia explodir o Parlamento britânico – essa construção aí ao lado. Este dia foi escolhido pois o rei Jaime I, protestante, estaria presente para a abertura da sessão parlamentar. Além de matar o rei, os conspiradores desejavam também a morte de grande parte da aristocracia protestante além, é claro, dos parlamentares presentes.

O plano era detonar 36 barris de pólvora no subsolo do prédio. Só que o plano foi descoberto quando já estava tudo pronto para a detonação. Os soldados responsáveis pela segurança do prédio chegaram ao local e encontraram apenas um homem tomando conta dos barris de pólvora. Exatamente Guy Fawkes, que era especialista em explosivos e ficou responsável por detonar os barris.

Preso e torturado, Fawkes acabou entregando o nome dos outros conspiradores, e todos também foram presos e condenados. Acusado de traição contra a coroa e por tentativa de assassinato, Fawkes foi enforcado em 31 de janeiro de 1606.

Mas onde entra Fawkes, V, e toda esta História/estória nos dias de hoje?

Anarquia ou vontade de por fim à (des)ordem vigente?

As pessoas não devem ter medo de seus governos. Os governos é que devem ter medo de seu povo. (Já pensaram nisso?)

Na estória de Alan Moore o personagem V usa a história de Guy Fawkes como inspiração e motivação para seu objetivo. V queria acabar com a ordem vigente pois ele mesmo havia sofrido nas mãos do próprio governo.

O modo de atingir seus objetivos pode ser errado – através da violência – mas qual seria a solução se o Estado está se lixando para o povo, e o povo está alienado atrás de uma TV assistindo uma realidade virtual?

Hoje em dia, quando observamos movimentos como o Occupy Wall Street ou os protestos da população grega contra a Comunidade Européia e os bancos de seu país ou então a chamada “Primavera Árabe”, com protestos e quedas de ditadores no Egito, Tunísia e Líbia, nós na verdade não estamos testemunhando a população lutar contra a ordem vigente, quebrando regras em nome de melhorias para a própria população?

Quando o grupo Anonymous delata pessoas que estavam distribuindo conteúdo indevido – pornografia infantil – em uma rede de computadores mais segura que a internet “normal” – portanto, teoricamente livre de vigilância formal -, eles não estariam defendendo interesses de pessoas desamparadas pelo próprio governo, que não age contra a pedofilia no mundo “real”?

Vai um pouquinho de pólvora aí, já que teu governo não te dá assistência e ainda te reprime?

E preparem-se, pois a História não nega: revoluções não acontecem da noite para o dia. Elas são processos que demoram anos, décadas, até explodirem de vez. O que estamos assistindo hoje pode ser o início de uma nova forma dos governos tratarem seus povos. Não será o fim do Capitalismo, mas ele deverá se adaptar, os tubarões terão que deixar de ganhar muito para que sobre mais para o povo poder viver bem.

E os governos terão que deixar práticas protecionistas favoráveis aos próprios tubarões e também a corrupção de lado a fim de servir melhor ao povo.

Ou isto ou as vias de fato. A pólvora. E as máscaras de Guy Fawkes nos rostos da população.

Para saber mais:

- “Terrorismo e Mídia em V de Vingança: O terrorista e sua representação“. Texto da Profa. Dra. Patrícia V. L. de Araujo e Michele Aparecida Evangelista.

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