A Revolução Neolítica

Esta certamente foi a revolução mais longa que a humanidade já passou até hoje e foi o fator, ou melhor, o conjunto de fatores definitivos para iniciar o processo de sedentarismo de alguns povos que seriam as bases para as grandes civilizações da Antiguidade.

Pinturas rupestres

Enquanto processo histórico nós não podemos dar à Revolução Neolítica uma data exata de início, meio e fim. Como já dito, este foi um processo longo, que durou milênios até a consolidação. Sim, não se assustem, a Revolução Neolítica demorou milênios para se consolidar e não aconteceu ao mesmo tempo com todos os povos em todos os lugares do planeta.

Assim, os arqueólogos estimam que entre 10000 e 7000 a.C. – lembrando que a data pode variar dependendo do grupo e do local – o homem gradativamente adquiriu habilidades e costumes que permitiram todas estas mudanças.

Para classificação dos grupos humanos da época nós costumamos dizer que antes de passar pela revolução o grupo vivia em uma cultura Paleolítica, ou na “Idade da Pedra Lascada” – já ouviram esta expressão? Pois é, ela ajuda a diferenciar os dois estágios de desenvolvimento – e ao adquirir determinadas habilidades e costumes o grupo humano passou a viver em uma cultura Neolítica, ou na “Idade da Pedra Polida”.

Este período de transição recebe dos arqueólogos o nome de “Mesolítico”, quando os grupos humanos ainda não apresentavam uma definição exata do grau de desenvolvimento. Está complicado? Calma. Para começar entender o que mudou – e como mudou – nós precisamos falar rapidamente de como os homens viviam no Paleolítico.

A “Idade da Pedra Lascada”:

Os grupos humanos do Paleolítico eram nômades, caçadores e coletores. Utilizavam instrumentos simples para as tarefas do dia-a-dia. E quando se diz “simples”, imaginem um galho de árvore que quebrou formando uma ponta afiada servindo de lança para caça, ou pedras de tamanhos diversos, recolhidas à esmo, sendo usadas também para caça ou para quebrar a casca de castanhas ou nozes coletadas pelas mulheres da tribo.

Homem pré-histórico

Não havia domínio pleno do fogo. O homem conseguia fogo quando um raio caía em uma árvore e deixava alguns galhos em chamas. Alguns grupos já conseguiam domesticar este fogo, criando fogueiras que ajudavam a aquecer e iluminar a noite e eram vigiadas por uma pessoa ou um grupo de pessoas da tribo que também eram responsáveis por manter o fogo aceso, já que o elemento era considerado até mesmo sagrado entre os homens da Pré-História.

Com o tempo o homem percebeu que a carne era melhor consumida assada, e este hábito, de assar os alimentos, trouxe também mudanças na arcada dentária e causou até mesmo um certo recuo do maxilar. Da mesma forma que o homem com o tempo passou a combinar elementos para construir ferramentas “complexas” e esta complexidade do raciocínio causava mudanças cerebrais e até mesmo na postura, a mudança na forma de tratar o alimento a ser consumido mudou a constituição física do homem.

E o que mudou do Paleolítico para o Neolítico?

Como já citado, com o tempo o homem passou a construir ferramentas “complexas” para caçar. Unia pedras pontudas na ponta de lanças, usando cipó para amarrá-las. Daí ele tinha uma lança com poder maior de ferir sua caça. Aprendeu que a pedra pode ser “moldada” por outra pedra mais dura e passou a POLIR as pedras. Daí para criar o arco-e-flecha não foi tão fácil, mas aconteceu em algumas culturas.

O homem pré-histórico trabalhava e inventava costumes e instrumentos complexos simplesmente no sistema de “observação, tentativa-e-erro”. Um exemplo: ao observar que a semente caía no chão e dali nascia uma nova planta que dava mais frutos ou grãos, o homem passou a plantar – e por isso não podia deixar aquela terra tão cedo, adquirindo hábitos cada vez mais sedentários. Inicialmente plantavam em regiões próximas às cavernas onde viviam, mas quando o chão daquela região esgotava, passavam a plantar em outro local.

E onde não existiam cavernas, mas chão era fértil, o homem passou a construir pequenas habitações, que gradativamente foram ficando maiores e melhores, mesmo que ainda de formas bem rústicas.

Agricultores pré-históricos. Inicialmente as mulheres é que faziam todo o trabalho nas plantações.

Inicialmente as plantações ficavam sob responsabilidade das mulheres, mas com o tempo e o crescimento das áreas de plantação, o homem – em algumas tribos – deixou de lado parte da tarefa de caça e passou a ajudar no plantio. Para cobrir grandes áreas, por que não plantar mais próximo aos rios e consumir menos tempo na tarefa de regar a plantação?

As primeiras grandes civilizações da humanidade afloraram justamente às margens de grandes rios na Mesopotâmia, Egito e China. Só que estes rios tinham períodos de cheias, e estas cheias costumavam estragar as plantações. O trabalho humano para “domar” as águas dos rios também ajudou no desenvolvimento das primeiras civilizações, afinal de contas, construir extensos canais de irrigação não foi tarefa das mais fáceis.

No próximo texto nós trataremos destas mudanças de forma mais específica. Leia: A Revolução Neolítica – 2ª parte.

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Um comentário sobre “A Revolução Neolítica”

  1. tais jutercina marcate cardoso stein disse:

    eu achei muito legal a historia dos nossos antepassados

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