Trafalgar: a incrível vitória de Nelson

Pintura retratando um navio britânico, ao centro, invadindo a linha franco-hispânica.

Europa, início do século XIX. Após passar por um grande processo revolucionário, a França se vê acuada por forças reacionárias. Para livrar o país desta ameaça, um general baixinho, porém invocado toma as rédeas do exército francês. Vence batalhas importantes e vai além: toma o poder e inicia uma grande expansão militar pelo continente.

Até 1805 ninguém conseguiu parar as tropas do (então) imperador Napoleão Bonaparte. Até que no dia 21 de outubro, 33 navios da frota napoleônica – 18 franceses e 15 espanhóis – encontraram 27 navios britânicos na região do cabo Trafalgar, a uns 30Km do Estreito de Gibraltar, no litoral da Espanha.

Ali a estratégia de batalha do comandante inglês Horatio Nelson frustraria definitivamente os planos de Napoleão para invadir a Inglaterra.

O maior comandante inglês:

Horatio Nelson

Horatio Nelson nasceu em Norfolk no ano de 1758. De família relativamente abastada, ingressou na marinha britânica em 1771 como timoneiro do navio HMS Raisonnable.

Após servir em outros navios, conseguiu seu primeiro comando em 1778, logo após a eclosão da Guerra da Independência Americana. Entre suas várias viagens – servindo ou comandando – , Nelson foi à Ásia escoltar o transporte de cargas das colônias britânicas até a Europa, foi ao Pólo Norte – em uma expedição com o explorador Constantine Phipps – , além de diversos patrulhamentos e escoltas nas Américas Central e Norte.

Já muito experiente, Nelson foi um dos comandantes responsáveis pelo bloqueio continental imposto pela Inglaterra à França e seus aliados logo após o início das Guerras Napoleônicas.

Mesmo com o bloqueio, Napoleão tinha planos para invadir a Inglaterra. A princípio era um plano bem simples, bastava atravessar o Canal da Mancha. Mas como conseguir executar este plano contra a maior potência marítima do planeta na época? E pior: com seus navios aquartelados em diversos portos, vigiados de perto por uma força equivalente da marinha britânica?

A estratégia de Napoleão: Tirar os ingleses dos portos e fazê-los atravessar o Atlântico.

Napoleão tinha mais de mil navios preparados para transportar cerca de 100 mil homens e 7 mil cavalos para invadir a Inglaterra. Mas como já foi dito, os ingleses controlavam o Canal da Mancha bloqueando os portos franceses.

Na teoria, atravessar o canal era fácil. Mas a região estava lotada de navios ingleses...

Napoleão então mandou navios francesas atravessar o Atlântico e atacar os portos ingleses na América Central. A estratégia era tirar os ingleses de seus postos de vigília e desafogar o canal, além de agregar a ajuda de navios espanhóis durante a empreitada. Só que o plano não era lá muito inteligente para ser aplicado no mar. Era um plano ousado, sem dúvida, mas que dependia muito das marés e dos ventos para dar certo.

Alguns navios franceses até que conseguiram furar o bloqueio britânico em uns portos, mas os principais navios, entre os quais o Bucentaure, comandado pelo vice-almirante francês Pierre Villeneuve e que contava com 80 canhões – uma verdadeira fortaleza marítima – continuaram presos em Brest, na costa francesa.

Como o plano poderia dar errado, deu. Os franceses que atravessaram o bloqueio e rumaram para a América acabaram se perdendo no caminho. Nelson tinha saído atrás dos franceses – nesta época ele comandava o HMS Victory – , mas sem sucesso na caçada, deu meia-volta.Neste meio tempo, Napoleão adiou a invasão à Inglaterra e mandou Villeneuve ir para o Mediterrâneo apoiar a campanha da invasão à Áustria. Quando rumavam para o Mediterrâneo, os franceses e espanhóis toparam com a frota inglesa.

A Batalha de Trafalgar: uma manobra ousada de Nelson que também tinha tudo para dar errado…

Nelson já tinha combinado com os comandantes dos outros navios: iria sofrer danos iniciais causados pelos canhões inimigos mas o objetivo era infiltrar os navios ingleses no meio da frota franco-hispânica.Esta era a única forma de superar os canhões inimigos, que excediam em número os canhões ingleses. Nelson tinha o vento a favor e dispôs sua frota desta forma:

A idéia era infiltrar e dividir os inimigos. Os navios vermelhos são os ingleses. A linha superior era a comandada por Nelson e a inferior era comandada pelo vice-almirante Collingwood.

Nelson mandou os navios ingleses colocarem três balas em cada canhão. Os tiros perdiam o longo alcance, mas ganhavam em poder de destruição em curta distância. Na hora da batalha, Nelson utilizou as bandeiras de sinalização dos navios – também usadas para enviar ordens a outros navios – para escrever a frase:

England expects that every man do his duty.
“A Inglaterra espera que cada homem cumpra o seu dever.”

Conforme dá para perceber na disposição dos navios, os franceses e espanhóis iniciaram a batalha atacando com toda a força os ingleses, já que seus navios estavam de lado, com pelo menos metade dos canhões apontados para a frota britânica. E realmente os ingleses sofreram muitas avarias iniciais, mas logo entraram na linha franco-hispânica.

Para vocês terem uma noção da eficiência da estratégia de Nelson, a linha do vice-almirante Collingwood – ao sul – , ao conseguir fechar o cerco aos inimigos, acabou vencendo-os em apenas duas horas e meia de combate. Na linha superior, o Neptune, com 98 canhões, venceu fácil o Santíssima Trinidad, que contava com 130 canhões, pelo simples fato de que a artilharia inglesa disparou mais rápido!

Pintura retratando um navio britânico, ao centro, invadindo a linha franco-hispânica.

No centro do combate, Nelson se preocupou em perseguir o Bucentaure, onde estava Villeneuve. Sofreu cerca de 40 minutos de bombardeio, mas conseguiu passar pelo navio francês e disparar seus canhões lotados de balas. Seguindo o rumo, o HMS Victory acabou chegando bem perto do Redoutable, um perigoso navio francês que tinha quase toda sua tripulação preparada para o combate corpo-a-corpo, pois contava com alguns elementos da elite da infantaria imperial.

Apesar dos dois navios não se atracarem, seguiu-se a batalha e a troca de balas dos dois lados, agora com o HMS Victory auxiliado pelo Temeraire.

Mas um destes tiros de mosquete acabou acertando Horatio Nelson, que morreu no meio da batalha. Sem perder as esperanças e a vontade de vencer, os ingleses conseguiram fazer 17 navios se renderem e outros desistiram da batalha e seguiram para Cadiz, a grande maioria com sérias avarias e muitos mortos e feridos.

No fim, a Batalha de Trafalgar trouxe resultados satisfatórios para a Inglaterra. Napoleão nunca mais tentou desafiar os ingleses em uma batalha de larga escala e desistiu definitivamente de invadir a ilha.

As lutas no continente continuaram até 1815, e a Inglaterra ajudou os inimigos de Napoleão sempre que solicitada – ou quase sempre solicitada, como foi o caso do escoltamento da Família Real para o Brasil, quando os ingleses usaram de sua influência econômica para manter a realeza de Portugal longe do domínio napoleônico.

E Horatio Nelson foi alçado definitivamente na categoria dos heróis nacionais da Inglaterra. Nada mais justo!

E os franceses que não participaram da batalha – pasmem! – só ficaram sabendo da derrota 8 anos depois, quando Napoleão perdeu o poder! Sim, naquela época já existia a tal da manipulação da opinião pública…

Fontes:

Algumas informações podem ser vistas nesta página da Hemeroteca ABC (está em espanhol, mas dá para entender), e também na página da Encyclopedia Encydia (em português).

Textos relacionados:

Um comentário para “Trafalgar: a incrível vitória de Nelson

Comente, discuta, opine (mas sem escrever palavrão ou agressão verbal, ok?). Nossos comentários são moderados.