… nem os erros nas provas.
Nos últimos dias a mídia tem bombardeado o noticiário com os desdobramentos do último ENEM – o Exame Nacional do Ensino Médio. Aconteceram algumas falhas na impressão das provas, pessoas orientaram os alunos a preencher os cartões de resposta de forma errada e a coisa toda virou uma bola-de-neve com acusações de que o sistema é falho e o bom mesmo é manter eternamente o vestibular.
Como costumamos dizer, “o buraco é mais embaixo”!

Onde tem jovem, tem protesto. Mas tem gente que exagera!
Segundo o próprio site do ENEM, o exame é utilizado
“(…) como forma de seleção unificada nos processos seletivos das universidades públicas federais.
A proposta tem como principais objetivos democratizar as oportunidades de acesso às vagas federais de ensino superior, possibilitar a mobilidade acadêmica e induzir a reestruturação dos currículos do ensino médio.”
Proposta interessante. “Unificar os processos seletivos” e “induzir a reestruturação dos currículos do ensino médio” são duas idéias que, se levadas à sério, tem tudo para melhorar de forma qualitativa< o ensino brasileiro.
Mas porque a gritaria dos últimos dias com os erros ocorridos no último exame? Segundo o MEC, tirando as falhas de orientação das pessoas responsáveis por aplicar a prova, os erros de impressão – estes sim eu considero erros graves e de culpa direta do MEC, que deveria fiscalizar com mais rigor a impressão das provas – atingiram menos de 0,5% dos alunos. Este índice em um exame de abrangência nacional não deve ser celebrado, mas também não pode servir como bode expiátório para decretar a morte do exame.
E é aí que entra “o buraco mais embaixo”: muitas universidades hoje em dia – não só as públicas – estão usando o ENEM como forma de acesso às vagas. Se cada vez mais as universidades usarem o ENEM como forma de ingresso e a partir disto a educação no ensino médio tiver que promover melhorias em sua grade de ensino por causa da dificuldade das questões do ENEM acabará ocorrendo a “reestruturação dos currículos do ensino médio” que está proposta no site do ENEM. Vai demorar? Vai! Mas é um processo gradativo e que um dia chega ao seu ápice.
Traduzindo isto tudo que eu escrevi para o português coloquial: bye-bye cursinho pré-vestibular. E se as escolas públicas melhorarem – e é óbvio que aí entra uma série imensa de fatores que passam inclusive pela melhoria das condições de trabalho e de remuneração dos professores(*) -, bye-bye escola particular.
E quem perde com esta melhoria NACIONAL do ensino? Você que futuramente vai fazer o ENEM? Seus filhos que no futuro estudarão em escolas públicas com um ensino bem melhor e depois farão o ENEM em condições de entrar em uma excelente faculdade? Seus netos? Pense bem, reflita.
Estão criando uma bola-de-neve com erros de hoje para evitar uma bola-de-neve adversa amanhã.
Estou errado? O espaço dos comentários está à disposição…
Notas:
(*) eu sei que é um sonho talvez distante, mas não custa sonhar, concordam? Então antes de acabar este texto eu gostaria de chamar a atenção dos leitores para um outro texto publicado hoje, de autoria do professor Ítalo: “Falar de educação virou bordão?” LEIAM, neste texto ele aponta muita coisa que precisa melhorar na educação brasileira.









Eu acredito que o ENEM vem sendo boicotado!
Fernandes, se o ENEM sofre boicote eu não sei, pois não existem provas concretas. Mas os alunos deveriam apoiar mais do que protestar. Claro que eu também não vou pedir que os alunos recebam com sorrisos uma prova com falhas. As falhas existem, tem que ser corrigidas, mas não podemos transformá-las em terremotos.
E hoje, infelizmente, é o que está acontecendo…
Obrigado pelo comentário!
Brilhante !
Você está certo. Em tese, o Enem é uma proposta de unificação muito eficiente, mas a verdade é que o governo deixa a desejar em tudo o que faz. Não bastou o vazamento das provas e dados de estudantes no ano passado, neste ocorrem falhas na impressão.
O Enem não deve ser abolido, mas sim bem planejado, em todos os setores de sua produção.
Lembrou bem, Alessandro. Ano passado tivemos este problema do vazamento das provas. Estes, assim como os problemas deste ano, são falhas administrativas e que precisam sim de uma correção.
Podemos até dar um "desconto" pelo fato do exame ser nacional e tals, mas a verdade é que erros assim não podem acontecer com frequência. Isto gera um certo descrédito caso haja reincidência.
Obrigado pelo comentário.
está mais que certo!
O enem representa pra educação um medo que mta gente não quer enfrentar…