Já são mais de 50 anos desde que os revolucionários liderados por “El Comandante” Fidel Castro tomaram o poder em Cuba. O que era na teoria uma revolução para acabar com o regime do ditador Fulgêncio Batista acabou virando uma nova ditadura, agora sob a mão firme de Castro e seus homens de confiança.
Mas o que há de certo e de errado nesta história toda? Cuba sob as ordens de Batista era um país melhor ou não? A ditadura castrista melhorou as condições de vida da população? E as pessoas contrárias ao regime que morreram ou foram perseguidas até deixarem Cuba?
Vamos falar um pouco sobre a História da Revolução Cubana.
A ilha de Fulgêncio: Como era Cuba sob o regime de Batista.
Quando em 1895 José Martí liderou os criollos na luta contra a Coroa espanhola já não havia tanta resistência contrária à independência cubana. Mesmo assim, em 1898, entre os impasses e esta pequena resistência dos europeus em admitir a derrota, os EUA declararam guerra à Espanha e ajudaram Cuba em sua independência. A ilha ficou sob tutela militar dos norte-americanos desde 1° de janeiro de 1899 até 1902.
Os efeitos desta intromissão norte-americana perpetuaram-se nos anos seguintes. Diversas empresas dos EUA estabeleceram-se na ilha, criando uma elite local não só de cubanos – a grande maioria de brancos -, mas também de norte-americanos que viviam na ilha. Além disso, por ser um país abençoado com diversas – e belas – praias, Cuba nas primeiras décadas do século XX era um dos principais destinos de turistas que vinham dos EUA e de outras partes do mundo em busca de diversão, sol e, por que não, sorte nos cassinos espalhados por todo o país.
Em 1933 o oficial Fulgêncio Batista, nascido na província de Oriente em 1901, liderou a primeira revolta militar contra a administração local. Cuba sofria com presidentes que não tinham interesse em diminuir nem as desigualdades sociais, muito menos a latente criminalidade que imperava entre a população menos favorecida. Batista vai controlar a ilha entre 1933 e 1958, ora eleito presidente, ora indicando – e elegendo – fantoches, ora liderando um golpe.
Com espírito modernizador, Batista sabia que só com capital externo poderia tocar suas obras de reurbanização. Para isto, liberou a construção de cassinos mediante concessão estatal. Junto com os cassinos vieram os empresários interessados em construir mais hotéis de luxo e night clubs. Com estas medidas Batista impulsionou ainda mais o turismo na ilha, mas trouxe também os mafiosos dos EUA para bem perto.
Cuba virou uma espécie de “ilha da fantasia”: os mafiosos precisavam lavar o dinheiro ganho nos EUA e faziam isto em Cuba, nos hotéis e cassinos que eles – os mafiosos – mandavam construir. Além disto, a ilha também servia de trampolim para o tráfico de bebidas perante a Lei Seca norte-americana, além do contrabando de diamantes e ouro. Cuba virou uma porta segura de entrada e saída de dinheiro ilícito que ia diretamente engordar as contas bancárias dos mafiosos na Suíça.
Mas Batista não diminuiu as desigualdades sociais existentes antes de sua ascensão ao poder na ilha, além de não se preocupar em acabar com a violência e a fome que grande parte da população ainda convivia diariamente. Este cenário durou até 1952, quando Batista deu novo golpe de Estado, dissolvendo o congresso e rasgando a Constituição. A tortura e a perseguição política aumentaram. E é neste momento que aparece pela primeira vez a figura de Fidel Castro.
O assalto ao quartel Moncada:
Em 24 de julho de 1953, em Santiago, 162 jovens vindos de Havana, a maioria pertencentes à classe-média cubana, preparavam-se para invadir uma das maiores fortaleza do exército de Batista, o quartel Moncada. Liderados por Fidel Castro, advogado recém saído da faculdade, estavam reunidos em um sítio a 20 minutos de distância do quartel. Fidel não escolheu a data ao acaso. A cidade estava em festa, já que o carnaval em Cuba é comemorado no meio do ano. Todos contavam com a vigilância frouxa dos militares.
Um grupo seguiria de carro, imitando uma suposta comitiva que iria inspecionar o quartel. Fidel ia à frente desta comitiva, usando fardamento idêntico aos militares, e tentaria se passar por general. Outro grupo tentaria neutralizar o quartel de Bayamo, impedindo que reforços chegassem ao Moncada. Além destes dois lugares, mais dois grupos seguiriam para o Palácio da Justiça e o Hospital Civil – este último ficava bem próximo ao quartel.
As intenções eram tomar estes lugares, fazer um pronunciamento contra a ditadura de Batista pelo rádio do quartel incitando a população a lutar e distribuir as armas do quartel para os civis interessados a fazer parte da luta. Dos 162 jovens reunidos no sítio, só 120 tomaram coragem para seguir em frente no dia 26 de julho às 5 da manhã – quando estava marcado o início da operação.
A “comitiva” com Fidel foi desmascarada antes de chegarem às portas do quartel, mas Fidel conseguiu fugir. Os rebeldes incumbidos de render as sentinelas foram interceptados por uma patrulha do exército justamente na hora em que chegavam às portas do quartel. Após um grande tiroteio, Raúl Castro e Abel Santamaría, entre outros companheiros foram capturados. Alguns conseguiram fugir, mas foram capturados ou mortos nos dias seguintes.
Em Bayamo tudo deu errado! Os rebeldes foram identificados à distância e também houve tiroteio. Ao todo, cerca de 70 rebeldes foram presos e só nas ações de 26 de julho 18 partidários de Fidel foram mortos. Fidel foi encontrado dias depois pela Guarda Rural escondido em uma choupana em Sierra Maestra. Sua sorte é que o tenente que capturou Fidel levou-o à polícia de Santiago, e não ao quartel Moncada, onde provavelmente seria morto.
Levado a julgamento ainda em setembro de 1953, Fidel não aceitou os serviços dos advogados. Fez sua própria defesa, que entrou para a história com um discurso de cerca de duas horas. Entre frases célebres, Fidel teria dito aos juízes: “Condenem-me, não importa, a História me absolverá!” [1]. Sua defesa de nada adiantou, e Fidel foi condenado a 15 anos de prisão. Raúl Castro teve o mesmo destino, mas os dois cumpriram apenas 22 meses de detenção. Libertados, seguiram para o exílio no México, onde além de reunir mais simpatizantes da causa revolucionária cubana e elaborar um novo plano para derrubar o regime de Batista, também conheceriam um médico argentino que os ajudaria – e muito! – na revolução.
Do México à Sierra Maestra: Organizando o M-26-7.
Agora Fidel e Raúl tinham uma certa liberdade para organizar as próximas ações contra Batista. E foi nas reuniões na casa de Maria Gonzáles, uma cubana que fazia de seu apartamento uma espécie de quartel-general para cubanos e outros latino-americanos recém exilados que os dois conheceram o médico Ernesto Guevara, que tinha feito amizade com Ñico López, que também participou do fracassado ataque a Bayamo e conseguiu fugir para o México.
Che, como ficou conhecido pelos companheiros mais próximos, foi convencido por Fidel durante uma madrugada de conversas a participar da empreitada contra Batista. Che teria ficado animado com os ideais revolucionários de Fidel e ofereceu seus serviços médicos aos revolucionários.
Todos tiveram treinamento na fazenda de Alberto Bayo, um militar nascido em Cuba que teria lutado até na Guerra Civil Espanhola. Nesta fazenda os integrantes do M-26-7 – o Movimento 26 de Julio – recrutados por Fidel tiveram treinamento de tiro e táticas de guerrilha, aprendendo inclusive a manejar minas terrestres, limpar armas e construir pequenas bombas. Conta a lenda que Che, mesmo sofrendo de asma foi o primeiro da “turma” durante os treinamentos, com aproveitamento exemplar em todas as tarefas militares passadas por Bayo.
Em 25 de novembro de 1956, a bordo do iate Granma, 82 revolucionários espremiam-se junto com armas, munições, combustível e mantimentos onde só era recomendado navegar 20 pessoas rumo a Cuba. Foi uma baita de uma sorte o iate não afundar na travessia até a ilha, mais precisamente até a praia de Las Coloradas, na região de Niguero.
O desembarque, que estava marcado para o dia 30 de novembro, só aconteceu dia 2 de dezembro. Celia Sánches, responsável por organizar o M-26-7 em solo cubano, aguardava os rebeldes com cerca de 50 homens, jipes, mais armas e comida. Só que o rádio do Granma apresentou problemas e o atraso não foi comunicado aos guerrilheiros que aguardavam o desembarque. Com a demora e a falta de comunicação, os que aguardavam não puderam esperar, e os revolucionários ficaram desguarnecidos no desembarque.
Simultaneamente à chegada do Granma aconteceriam ataques em vários quartéis do exército cubano. Estes ataques aconteceram, mas quando os rebeldes desembarcaram – três dias depois! – o exército já estava de prontidão. Os revolucionários conseguiram desembarcar em meio ao manguezal próximo à praia, e no dia seguinte foram auxiliados por Tato Vega, um lavrador que os guiou por dois dias por algumas trilhas de Sierra Maestra. Só que no dia 5 de dezembro Tato simplesmente sumiu da comitiva e logo após os soldados de Batista cercaram os guerrilheiros. Cada um tentou se safar como pode, e dos 82 combatentes, somente 12 sobreviveram ao ataque.
Fidel, Raúl, Cienfuegos, Huber Matos e Che escaparam da emboscada, mas Batista fez correr a notícia que Fidel estava morto. Enquanto isso alguns guerrilheiros juntavam-se ao grupo. Logo Sierra Maestra seria um grande campo de batalha.
Rumo à Havana!
Fidel – na foto ao lado entre Raúl à esquerda e Cienfuegos à direita – sabia que Sierra Maestra seria o esconderijo perfeito. Lá teria como treinar novos guerrilheiros e lutar contra possíveis investidas do exército de Batista. Mas os combatentes não ficavam apenas escondidos. Suas táticas incluiam assaltos rápidos a pequenos quartéis e invasões a prédios policiais de vilas e cidades. Entravam, lutavam contra a resistência e saíam de lá com as armas.
Aos poucos alguns camponeses chegavam ao acampamento e pediam para fazer parte da luta. Outros não lutavam mas ajudavam com informações sobre o deslocamentos das tropas de Batista, mulheres ajudavam curando feridos, casas eram usadas como esconderijo.
Em maio de 1957 Fidel comandou o ataque ao quartel de El Uvero. Cerca de 80 guerrilheiros lutaram contra 53 oficiais aquartelados. Após a vitória os revolucionários saíram carregados de mais armas e munições. Já em 1958 foi fundado um batalhão só de mulheres! Comandadas por Isabel Rielo, as Marianas – como ficaram conhecidas, pois o batalhão homenageava Mariana Grajales, mãe de dois generais que lutaram ao lado de José Martí pela independência cubana – lutavam em pé de igualdade contra as tropas de Batista. Segundo Fidel, o batalhão das Marianas também era uma arma de efeito psicológico, afinal, qual soldado não se sentia humilhado por ser derrotado por mulheres?
No ano de 1958 a revolução já estava a pleno vapor. Fidel mandou Raúl e mais 50 homens até a região de Sierra Cristal. Consolidada a vitória na região, Raúl volta para Sierra Maestra com uma coluna de 500 homens. Che e Cienfuegos, responsáveis neste momento em sabotar o abastecimento dos soldados de Batista, mas também agregavam civis nas colunas. Quando em maio de 1958 Batista resolveu mandar cerca de 10 mil soldados invadir Sierra Maestra, já era tarde demais.

Fidel armou muito bem suas defesas, de modo que houve um controle total das ações de combate por parte dos revolucionários. De nada adiantou disponibilizar aviões e tanques para apoiar o exército. Os soldados de Batista ora eram encurralados, ora eram rechaçados até suas posições de defesa e aí sim atacados por um outro destacamento de guerrilheiros que vinha em sentido oposto.
É fato que as tropas de Batista não tinham treinamento correto para lutar contra os guerrilheiros, mas as vitórias em Sierra Maestra foram avassaladoras. Eram apenas 300 guerrilheiros contra cerca de 10 mil soldados, e a moral das tropas de Batista ficou muito baixa após agosto, quando grande parte dos soldados já tinha sido vencida. Fidel então manda Cienfuegos, Che e Jaime Vega e suas colunas para ocupar Las Villas.
Em dezembro, após pouca resistência do exército e com boa parte da população apoiando a causa revolucionária, os guerrilheiros tomaram Santiago, Santa Clara e, enfim, Havana. Batista, encurralado, fugiu da ilha deixando o governo livre para os revolucionários.
E agora, Fidel? Cuba Libre!… ou não?
Batista deposto, Fidel tratou de organizar o poder. Não queria que outra pessoa ficasse responsável pelos mandos e desmandos da ilha. Apoiado pelos companheiros, iniciou a prisão de vários militares e simpatizantes de Batista. Muitos foram para o temido paredón. Mas engana-se quem pensa que Fidel era comunista.
Havia sim o interesse em melhorar as condições de vida da população – pois de nada adiantava tomar o poder e cometer os mesmos erros de Batista -, mas Cuba logo após a revolução não estava alinhada com a URSS. Inclusive em 1959 Fidel visita Nova Iorque, ainda na condição de primeiro-ministro – o presidente empossado foi Manuel Urrutia Lléo, de orientação moderada – para acalmar os ânimos dos norte-americanos.
Praticamente 75% de todas as terras cultiváveis de Cuba estavam na mão de norte-americanos, além de empresas que mantinham instalações em Cuba. O jogo, outra atividade lucrativa, foi banido da ilha, e as praias antes exclusivas foram abertas a toda a população. Lógico que os EUA não gostaram nada disso. Fidel também iniciou um grande programa de redistribuição de terras, promovendo a reforma agrária para cerca de 200 mil camponeses e implantando o programa de agricultura coletiva. Também nacionalizou várias empresas norte-americanas e bancos, além baixar decretos para diminuir valores de aluguéis, luz, água, remédios e o preço dos livros escolares.
Durante 1960 os EUA iniciaram uma campanha anti-Fidel. O presidente Eisenhower aprovou um boicote aos produtos cubanos. Foi aí que Fidel começou a receber ajuda dos soviéticos, que passaram a comprar produtos cubanos. Nikita Krushev, dirigente máximo dos comunistas europeus, aproveitou para facilitar as relações comerciais entre os dois países, oferecendo inclusive recursos financeiros e militares para a manutenção da revolução.
Fidel tinha como negar a ajuda? Podia até tentar, mas no dia 15 de abril de 1961 John Kennedy autoriza a invasão norte-americana à Baía dos Porcos. Rechaçado pelos revolucionários, o ataque foi provavelmente o motivo que faltava para que Fidel e seus companheiros ficassem definitivamente ao lado da URSS
“Se o sr. Kennedy não gosta do socialismo, nós não gostamos do imperialismo. Não gostamos do capitalismo!”
Com estas palavras, durante o discurso de 1° de maio, entre as comemorações do Dia do Trabalho, Fidel sinaliza a orientação socialista. No mesmo dia anuncia o fim das eleições diretas e permite apenas a existência do Partido Comunista.
Estava definitivamente implantada a ditadura castrista.
Além do ataque à baía dos Porcos, Cuba ainda foi pivô da famosa Crise dos Mísseis, quando os EUA acusaram a URSS de colocar mísseis nucleares em solo cubano. E desde então a ilha sofre com um dos maiores e mais covardes bloqueios comerciais imposto pelos EUA. Enquanto existia o comunismo na antiga URSS, Cuba vivia tempos de glória, mas quando o império comunista teve fim em 1991 a população deixou de ter muitas regalias.
Mas Fidel construiu um país onde as pessoas tem acesso gratuito à educação e à saúde. Cuba ainda é uma referência na área médica e na produção de remédios e seu índice de analfabetismo beira o zero absoluto. As pessoas ganham realmente pouco com seu trabalho, mas para que você precisa ganhar muito dinheiro se sua saúde e sua educação são bancadas inteiramente pelo Estado?
Se você é jovem, pergunte para seus pais quanto eles gastam anualmente com a sua educação. E quanto custa uma ida ao médico para uma simples consulta – sem enfrentar filas, lógico! E se você é um pai ou uma mãe ou é jovem mas trabalha para pagar seus estudos e sua saúde, tem a exata noção de quanto gasta com isso tudo. Além dos impostos que são cobrados e não são revestidos em melhorias.
[Já entramos nesta discussão no texto sobre o filme SiCKO, do norte-americano Michael Moore. Vale a leitura]

Cuba “parou no tempo” por causa do embargo econômico, mas grande parte da população não deixa a ilha e apóia até hoje a revolução!
Além disso tudo, os mandos e desmandos de Fidel ainda motivam discussões acaloradas. Che teria saído da ilha por ter divergências quanto ao modo de Fidel governar. Outro que teria se desentendido com El Comandante foi Cienfuegos, que faleceu em um acidente de avião que até hoje não foi muito bem explicado. Isso sem contar os opositores que fugiram da ilha para não ir parar no temido paredón.
As discussões sobre o regime castrista poderiam ocupar mais uma centena de linhas e nós nem estaríamos na metade delas! Confesso que o texto já está grande demais e prefiro parar por aqui, e quem sabe voltamos à esta discussão em novo texto ou aqui mesmo nos comentários. Fiquem à vontade.
E se você chegou até aqui, um bônus que só os leitores fiéis merecem! (rsrs)
- Fotos de Cuba hoje, tiradas por Arissa Huerta, uma mexicana que se intitula “comunicóloga” (não sei o que exatamente quer dizer isso no México, mas as fotos são lindas!).
- Uma coleção de links especialmente selecionados pelo Alex Castro, blogueiro brasileiro que já visitou Cuba e sabe do que está falando quando elogia… e quando critica!
- E é claro que não pode faltar o blog da cubana Yoani Sanchés, que ficou famosa por suas críticas à situação social em Cuba.
Notas:
[1] Segundo o historiador cubano Antonio de La Cova, Fidel não teria pronunciado esta frase, e sim “O tempo, definitivamente, o dirá!”.









O leitor Fernando fez o comentário aí em cima, mas o mesmo foi apagado. Não sei se o rpóprio apagou, ou se foi erro do sistema de comentários. Se você, Fernando, deseja que o comentário seja realmente deletado, entre em contato que eu o faço. Eu reproduzirei o comentário aqui, pois já aconteceu no meu blog pessoal do leitor fazer o comentário e o mesmo simplesmente SUMIR.
Vamos ao comentário do Fernando:
"A grande pergunta é sobre quando realmente Cuba deixará de ser comunista. Será que Raul Castro com uma eventual morte do irmão teria a força dentro do atual quadro politico de Cuba? Será que existe um substituto a altura de Fidel? E por fim, qual é o caminho que a população Cubana deseja trilhar em um futuro proximo?"