Semana passada eu recebi da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República o livro “Direitos Humanos, percepções da opinião pública – análises de pesquisa nacional” que, como o próprio título informa, é uma coletânea de análises sobre uma pesquisa realizada em 2008 pela Secretaria, intitulada “Percepções sobre os Direitos Humanos no Brasil”, e está de acordo com os estudos e trabalhos para a implantação do PNDH-3.
Na autoria dos textos estão sociólogos, antropólogos, historiadores, assistentes sociais, jornalistas, advogados, enfim, algumas das várias cabeças pensantes da sociedade brasileira que estão acostumadas a estudar o ser humano.
Mas antes de comentar o livro, eu gostaria de falar um pouco sobre os Direitos Humanos.
A ONU e a Declaração dos Direitos Humanos:
Um documento importante para o pós-guerra.
A Declaração Universal dos Direitos Humanos foi assinada em 1948, e é considerado um dos documentos básicos da Organização das Nações Unidas (ONU), órgão que foi fundado em 1945, após a Segunda Guerra Mundial, com o intuito de intermediar e facilitar as relações entre países e povos nos campos econômicos e humanitários. A ONU em sua essência é um organismo imparcial e sem fronteiras que hoje tem 192 Estados-membros.
Na época, a ONU nasceu para substituir a antiga Liga das Nações. Era necessária a criação de um organismo internacional que intermediasse a cooperação entre os povos, principalmente no campo humanitário, já que o mundo começava a curar as feridas causadas pelo conflito mundial que durou entre 1939 e 1945 e matou, desabrigou e mutilou milhões de pessoas.
A Declaração tem trinta artigos, e foi construída pensando-se principalmente em proteger e respeitar a vida humana. E no artigo I já diz, de forma resumida:
Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotados de razão e consciência e devem agir em relação uns aos outros com espírito de fraternidade.
Este “espírito de fraternidade”, na minha opinião, resume o que é o “respeitar o próximo”, tão falado quando discutimos os Direitos Humanos. Você simplesmente não pode fazer ao próximo o que acharia errado que fizessem com você. Ou seja: preserve em sua volta bons valores sociais e espere isso do próximo.
E é aí que entra a pesquisa apresentada e discutida no livro editado pela Secretaria. Como é a percepção dos Direitos Humanos entre a população brasileira? O brasileiro sabe quais são exatamente seus direitos? Em que esferas o povo julga determinados direitos de forma correta e em que pontos o povo “esquece” que o próximo tem seus direitos e que eles tem que ser respeitados, mesmo quando o próximo age de alguma forma diferente do “normal”? Será que o “Outro”, por ser diferente, merece ter direitos?

O “Outro”:
Como o brasileiro enxerga seus semelhantes.
A pesquisa é reveladora no que diz respeito ao conhecimento do brasileiro quanto aos seus direitos. Ela indica que o brasileiro “médio” tem pleno conhecimento de seus direitos, ou pelo menos sabe uma boa parte deles. O problema começa quando discutimos estes direitos aplicados ao “Outro”. E já que eu estou citando tantas vezes o “Outro”, cabe uma rápida explicação:
O “Outro” seria qualquer pessoa que tem em sua vida valores sociais, políticos, religiosos e/ou morais diferentes do que nós estaríamos acostumados. Ou seja, se você é católico, para você o “Outro” pode ser uma pessoa que segue o espiritismo, o budismo ou até mesmo um cristão evangélico. Se você tem orientação heterossexual, o “Outro” pode ser um gay ou uma lésbica. A pessoa faz parte da mesma sociedade em que você está inserido, mas tem valores diferentes dos seus. O “Outro” também pode existir no aspecto econômico, podendo ser uma pessoa que tem uma condição financeira diferente da sua – independente de ser melhor ou pior.
E segundo a pesquisa, com relação ao “Outro” o brasileiro deixa a desejar. Para citar como exemplo, o repúdio à violência contra homossexuais não tem maioria na pesquisa. E ao responder se concordava ou não com algumas frases que nós já nos acostumamos a ouvir – e porque não, até a dize-las – duas coisas me chamaram muito a atenção.
Bandido bom é bandido morto?
Mas a polícia não pode atirar primeiro e perguntar depois…
Na pesquisa existem algumas contradições: quando perguntados se concordavam com a frase “bandido bom é bandido morto”, 43% dos entrevistados concordavam totalmente ou em parte com a afirmação. Mas quando questionados se a polícia agia certo em “atirar primeiro e perguntar depois”, já que a atividade policial é perigosa e eles – os policiais – tinham que pensar em primeiro lugar na sua própria defesa, 88% discordavam totalmente, ou em parte.
Na verdade, essa diferença de opiniões não chega a ser uma contradição – escrevi de propósito para chamar atenção. No Brasil, infelizmente, existe uma imagem de que os policiais, mesmo aqueles que nunca se desviaram de suas reais funções, estão sempre contrários à sociedade dita de bem. Essa falsa impressão do todo acontece porque infelizmente existem policiais corruptos, eles não são a maioria mas acabam sujando toda a corporação com atos contrários aos seus deveres básicos.
Neste caso, o “atirar antes e perguntar depois” causa nas pessoas uma estranha sensação de força, impunidade e julgamento precipitado que não é o papel da polícia. Quanto ao “bandido bom é bandido morto”, a sociedade precisa entender que os Direitos Humanos não são apenas para os humanos direitos. Normalmente nós ouvimos coisas deste tipo quando acontece um crime hediondo, que choca a sociedade. O criminoso é execrado e a opinião pública cai de pau em cima, cobrando soluções mais rígidas do Poder Judiciário.
O que nós precisamos entender é que é nosso direito exigir mudanças que beneficiariam a sociedade a todo momento, até que enfim elas aconteçam, não somente pedi-las quando acontece a barbaridade. Falta esta consciência ao brasileiro. Mas também precisamos entender que, segundo o artigo X da Declaração dos Direitos Humanos,
Todo ser humano tem direito, em plena igualdade, a uma justa e pública audiência por parte de um tribunal independente e imparcial, para decidir sobre seus direitos e deveres ou do fundamento de qualquer acusação criminal contra ele.
É, eu sei, já imagino o que você que está lendo está pensando. É difícil raciocinar desta forma quando temos casos investigados e provados de estupros, assassinatos, sequestros ou torturas. É até difícil entrar no mérito da questão, mas são direitos que até mesmo por serem cobrados pelos ativistas dos Direitos Humanos, acabam trazendo para o grupo uma aura “criminosa”. As pessoas que lutam pela plena aplicação dos Direitos Humanos – inclusive para os autores de crimes hediondos – não são criminosas, elas apenas estão lutando para fazer valer um documento que foi assinado em 1948 e que deveria ser aplicado em sua totalidade, inclusive pelos governos, que ao garantirem e aplicarem os direitos sociais diminuiriam as desigualdades e os crimes estimulados por estas desigualdades.
Agora, a contradição de verdade: os trabalhadores rurais “que invadem a terra dos outros deviam trabalhar para ver como é difícil ter as coisas” para 84% dos entrevistados, mas 68% acham “certo que certas terras improdutivas sejam ocupadas pelos trabalhadores rurais que querem trabalhar nelas”. Ou seja: muitos não sabem que a maioria dos invasores são, na verdade, pessoas que querem trabalhar nestas terras – sim, existem excessões, sabemos disto, mas a maioria dos sem-terras querem mesmo é terra para trabalhar.
Outros dados importantes estão, como eu já citei, no conhecimento dos direitos por parte da população.
Quais são meus direitos?
Grande parte dos entrevistados identificam e consideram como mais importantes os direitos sociais, seguido pelos direitos individuais ou civis. Completando a lista temos os direitos políticos, e os direitos ambientais e culturais tem um reconhecimento bem pequeno.
A verdade é que todos são direitos iguais e devem ser respeitados: direito à vida e à sobrevivência, à moradia digna, à liberdade de expressão, ao tratamento de saúde gratuito, à educação, ao trabalho, respeito aos idosos, segurança e direito de ir e vir, entre outros.
O livro é bem interessante e tem análises precisas sobre o painel dos Direitos Humanos no Brasil – e eu poderia ficar escrevendo sobre ele mais uns dois dias, nem falei da tortura, por exemplo. Eu recebi o mesmo ao mandar um email para a Secretaria e uma semana e meia depois ele estava sendo entregue em minha casa. Vi a oportunidade no Twitter da Secretaria, que estava distribuido o livro de forma gratuita. Queria agradecer ao pessoal da Secretaria, caso alguém venha a ler este texto, por disponibilizar o livro. E infelizmente não sei se ainda estão distribuindo o mesmo.
E como também é nosso direito e dever ter conhecimento de nossos direitos…
Referências:
- Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República.
- Declaração Universal dos Direitos Humanos (em português).









Muito bom o texto, vini!!
Direitos humanos é sempre um tema polêmico.. Muita gente acha que eles são absurdos, porque servem apenas pra defender bandidos..
Bobagem..
Esse semestre eu vou ter Direitos Humanos e as Relações Internacionais..
Vamos ver isso daí
todos nois podemos fazer alguma coisa para mudar este brasil basta que cobramos a autoridades para que nos de direitos de sermos fiscais voluntarios, faço denuncia a quer quem seja que falte com a lei, muitos perguntam nao tem medo de morrer se for por uma calsa justa nao vim para a sementes, os que praticam estas atitudews podem ate constrager eu fui constrangido sofri discriminaçao racial tive o local onde moro invdido sem mndato apagaram os videos do meu celular mais se esqueceram que existem varios dvd qual nao esta mais comigo esta rumo a brasilia e temos um grande ministro d justiça que e justo ao cobrar as leis deste paiz, antigamente somentes negros, e prostitutas e pobres iam para a cadeia, hoje ja podemos ver autoridades de varios escaloes sendo presos, isso esta mundando nunca no brasil se viu tantas prisoes, ja haviam bandidos de colarinhos mais se faziam de cegos, agora nao quem omite tambem pratica crimes ,so quero do senhor ministro da justiça que continue dando apoio, e tambem a imprensa como rede globo, veja , jornal estadao, folha de sp ,que vao atraz da verdade, exemplo os radares que estavam metendo a mao , isso e sim um brasil qual acredito e luto para mudar, porque temerei a morte se zumbi morreu, tiradentes morreu, chico mendes morreu, e o rei dos reis jesus morreu quando pregava a verdade ,
Adhara, tenho certeza que suas aulas terão discussões interessantes sobre o tema. Aguarde prá ver e depois não diga que eu não avisei! rsrs
Realmente muita gente acha que "Direitos Humanos só servem para defender bandido". Esse pensamento está ERRADO. Claro que existem ativistas que cobram dos órgãos punitivos a aplicação dos Direitos e acabam, digamos, "aparecendo" mais do que em outros casos. Mas existem vários outros ativistas que se preocupam em cobrar educação, saúde etc…
É que estes serviços existem. São falhos, mas existem.
quero fazer parte dos direitos humanos, na cidade onde estou de tanto ver injustiça me tornei um defensor nato dos injustiçados, denuncia de torturas, discriminaçao racial. evitei trez suicidios de uma mae com hiv e uma menina de 4 anos e um menino de 6 anos,um suicido de um rapaz com depresao, mais um rapaz espancado pela policia militar da cidade, colocando no youtube pontes 906, acredito que cada um de nois podemos mudar a vidas das pessoas, tenho varias denuncias de torturas praticadas por abusos da policia militar, de um gay qual foi humilhado por policias militares, levando tapa na cara, outro qual ainda esta todo quebrado pelo preconseito praticado por policias militares, muitos advogados temendo represaria abandonaram, nao atendem casos contra a policia militar, eu pego envio ao ministro da justiça a secretaria da igualdade racial, para que possam serem cobrados as autoridades quais sao responsaveis pelo estado, tem dado muito certo o nosso ministro da justiça, nao abandona quem quer que seja que esteja para praticar o bem e ajudar as leis deste paiz a ser igual a todos os cidadoes, ja que sabemos que violencia gera violencias, so desta forma quando todsos passarem a respeitar e um policial vestir sua farda e saber que so esta para cumprir a lei qual foi preparado, nao para mostrar que uma farta lhe da o direito de praticar todo tipo de atos errados e qual vem contra a lei,hoje observamos que o jogo de bichos e crime e nao pudemos ver nenhum policial prender um banqueiro do bicho a nao ser determinado pelo ministerio publico, sao atos errados que gera a compras de armas , e favorecimentos ao traficos de drogas,por este motivo quero uma credencial como voluntario dos direitos humanos, para que possa fazer ainda mais pelos menos favorecidos, quando cada um fizer sua parte , e nao temer denunciar policias qual violam as leis, hoje semntir se feliz porque leu e hopuvui dizer perla imprensa que o policial matou porque o cidadao estava colocando em risco a sua vida, caso tenham presenciados, denuncie porque nao podemos ter neste brasil dois tipos de assassinos, um por ironia do destino, e outro que esta para manter as leis deste brasil,nossas leis sao as melhores do mundo bastando somente cada cidadao denunciar caso uma autoridade nao tome providencia, denuncie seja juiz ou promotor ou advogados ou bandidos seja rico ou pobre nossas leis e e sao para todos seres humanos, poir este motivo quero fazer parte, ate agora fazendo por cointa propia, basta ver as denuncias qual envio para brasilia df,
agradeço de coraçao ao misitro da justiça e os direitos humanos
/somente uma uniao podemos mudar o nosso brasil
pesquisador.jose.de.pontes@hotmail.com