O leitor Fernando Nascimento mandou a seguinte pergunta:
Recentemente tive um trabalho para fazer, o trabalho se resumia em falar sobre o livro a Arte da Guerra de Sun Tzu, gostaria de saber se você tem alguma coisa sobre esse livro que foi escrito em mais o menos 500 a.C., gostaria de saber sobre o contexto histórico, ele é verídico?
Nós temos uma biografia escrita no séc II a.C. por um historiador conhecido como Sima Qian (Ssu-ma chi’ien), que descreve Sun Tzu como um general que viveu no séc. VI a.C. e serviu ao soberano de Wu. Mas esta biografia não é linear, e de acordo com os estudiosos do período, os reinos descritos pelo historiador na biografia deixam transparecer que o livro foi escrito provavelmente no séc. IV a.C. Portanto, a data aproximada que você colocou na pergunta está dentro desta margem.
Quanto à existência de Sun Tzu, esta informação pode ser questionada, pois assim como o escritor Homero – autor dos poemas épicos Ilíada e Odisséia – não há uma fonte 100% segura que afirme com precisão que Sun Tzu realmente existiu. Veja bem, não estou afirmando que o general nunca existiu, mas sim que o livro pode ter sido concebido inicialmente como uma reunião de textos voltados para o raciocínio bélico, como se fosse uma “filosofia da guerra”. Quem já teve a oportunidade de ler este livro sabe do que eu estou falando, pois certamente leu os primeiros tópicos.
“A guerra possiu cinco fatores fundamentais: o primeiro é a influência moral; o segundo, tempo; o terceiro, terreno; o quarto, comando; e o quinto, disciplina.” (cap. I – Planejamento bélico)
Sun Tzu vai além do combate puro e simples. Ele considera desde a preparação mental do soldado até o tratamento que deve ser dado ao inimigo capturado. Para ele, capturar e subjugar o inimigo é melhor que matar e destruir. E é engraçado observar hoje em dia que muitos executivos utilizam dos ensinamentos para o dia-a-dia empresarial. Seria a guerra do capitalismo? Não cabe à minha pessoa fazer este julgamento.
Mas eu gostaria de explicar rapidamente o contexto histórico em que os povos que viviam à volta de Sun Tzu estavam inseridos.
A China de Sun Tzu:
Não havia naquela época uma unidade chinesa. Existiam sim vários pequenos reinos – a maioria às margens dos rios Huang He e Yang-Tse -, e que foram unificados pela primeira vez em 221 a.C. sob a dinastia Qin.
Antes disso, tínhamos estes pequenos reinos lutando constantemente entre si, e destes atritos certamente Sun Tzu fez parte comandando os guerreiros de Wu. Mas foi por causa destes constantes atritos que eu disse anteriormente que o livro poderia ser uma compilação de textos diversos sobre guerra: existiam vários reinos, vários exércitos e vários generais comandando estes exércitos.
Além destes reinos, existiam também os povos nômades que viviam nas estepes do norte da China, da Mongólia e do Cazaquistão – lembrando sempre que estes países não existiam na época. A divisão política do mapa acima é apenas ilustrativa – e estes povos nômades constantemente entrando em atritos com os reinos chineses também influenciavam no desenvolvimento bélico destes reinos.
Aliás, por que vocês acham que a Muralha da China foi construída após a unificação dos reinos? Foi justamente para afastar os povos nômades. Só esqueceram de avisar isso para Gengis Khan no séc. XII…
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É isso, Fernando. O livro “A arte da guerra” foi concebido sob um ambiente que muitas vezes era hostil, e seus preceitos são utilizados até hoje por políticos, empresários, executivos, atletas, treinadores de equipes e administradores. Não cabe à minha pessoa fazer um paralelo entre as guerras da antiguidade chinesa e as guerras dos negócios de hoje. Mas eu posso sim indicar o livro para os leitores do site, não só como uma fonte histórica para entender um pouco da mentalidade bélica daquele tempo e daquela região, mas também como um livro motivacional (sim, por que não?). E não vou colocar link para o livro em PDF. Qualquer livraria vende o mesmo barato, é só procurar um pouco…
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Fernando Nascimento
Assim como em uma guerra na época de 500 A.C, uma empresa nos dias de hoje precisa de um líder um diretor um supervisor de departamentos, gerentes e colaboradores em geral, esses profissionais precisam estar sempre muito bem atualizados, munidos de todos os recursos possíveis em todos os aspectos para uma tomada de decisão rápida e certeira, exatamente como em uma guerra. Um planejamento estratégico bem feito é a melhor arma que um exercito de 2.500 ou empresa dos dias atuais precisa para “sobrevier”.
Tudo que é administrado com base em um planejamento detalhado e executado de maneira eficiente e eficaz, com a disciplina e dinâmica que o livro A Arte da Guerra nos oferece, estará sempre melhor preparado para enfrentar o mercado. A Arte da Guerra mostra com grande clareza como tomar a iniciativa e combater o inimigo seja ele qual for.