Che Guevara

Ernesto Guevara Lynch de La Serna, nascido em Rosário (Argentina), em 14 de junho de 1928, e morto em La Higuera (Bolívia), em 9 de outubro de 1967, é considerado por muitas pessoas um dos maiores revolucionários da História.

Ernesto, como era chamado na infância – o apelido “Che” viria mais tarde, conta-se que em sua estadia no México, antes da Revolução Cubana – sofria de asma, foi educado na infância pela própria mãe, Celia de la Serna, uma mulher muito politizada e que certamente influenciou as idéias do filho. Sem sair de casa, na biblioteca da família, Che teve acesso às obras de Marx e Lenin e logo cedo tomou simpatia pelos ideais revolucionários.

Diários de Motocicleta:

Em 1952, com 23 anos, Che interrompe a faculdade de medicina iniciada em 1947 e parte com o amigo Alberto Granado e La Poderosa – uma motocicleta Norton 500 nem tão poderosa assim – em uma viagem pelo continente sulamericano. Os dois acabam conhecendo a realidade do continente in loco, tendo contato direto com os problemas das desigualdades sociais existentes na América Latina. Viram como o capitalismo pode ser cruel com quem não dispõe do capital, e tem apenas vender a sua força de trabalho para sobreviver.

No Chile, La Poderosa não resiste à estrada, e os dois amigos passam a viajar à pé ou de carona. No Peru, após passarem por Machu Pichu e Lima, colaboram por um tempo no leprosário San Pedro, e após passar também por Colômbia e Venezuela, Che termina a viagem pela América do Sul muito preocupado com a pobreza e a injustiça social existentes entre os povos do continente. Após seguir viagem até Miami em um avião de transporte de cavalos, Che retorna à Argentina para concluir seus estudos.

No fim de 1953, Che retorna à estrada com outro amigo, Ricardo Rojo, passando pela Bolívia e de lá seguindo até a Guatemala, onde o presidente, Jacobo Arbenz Guzmán, comandava uma ousada reforma agrária. Só que a postura esquerdista de Guzmán desagradava os EUA, pois o presidente estava tirando terras improdutivas de empresas norte-americanas e repassando para os camponeses. Assim, a CIA orquestrou um golpe de estado bem sucedido, tirando Guzmán do poder e instaurando uma ditadura favorável aos mandos e desmandos dos EUA. Che fica inconformado com a facilidade dos estadunidenses em implantar a ditadura, e com a apatia dos guatemaltecos em aceitar o imperialismo. Talvez tenha nascido aí o Che Guevara Revolucionário.

“Acima de tudo procurem sentir no mais profundo de vocês qualquer injustiça cometida contra qualquer pessoa em qualquer parte do mundo. É a mais bela qualidade de um Revolucionário.”

Fidel, México e a Revolução:

Por intermédio do amigo Ñico Lopez, Che conhece Raul Castro, e este apresenta o argentino para o irmão Fidel. Os dois irmãos cubanos estavam exilados após o malfadado golpe em 26 de julho de 1953 – o assalto ao Quartel Moncada -, que levou-os à prisão, e posterior exílio.

Fidel e Che passaram a noite debatendo política, sociedade e imperialismo norte-americano, entre outras coisas. Desta conversa ficou acertado que Che faria parte do grupo que iria à Cuba para depor o ditador Fulgêncio Batista. Os três, juntamente com Camilo Cienfuegos, partem para Cuba à bordo do iate Granma em 2 de dezembro de 1956, no total de 82 revolucionários(*) que, a partir de Sierra Maestra, levaram a revolução até Havana.

A História da Revolução Cubana eu pretendo contar em outros textos, mas Che foi além de Cuba! Após ajudar Fidel a organizar o país, foi até o Congo, e de lá para a Bolívia, onde sofreu uma emboscada, dizem, arquitetada pela CIA e executada pelo exército boliviano. Che morreu nesta emboscada, mas seus ideais continuam vivos até hoje.

Che não teorizou, nem escreveu soluções para outras gerações, mas buscou-as. Viveu e combateu a desigualdade, pois sentiu na péle e viu o sofrimento nos olhos do povo. Por isso sua luta é lembrada até hoje, e serve de exemplo para todos aqueles que desejam um mundo mais justo e menos desigual.

“Vale milhões de vezes mais a vida de um único ser humano do que todas as propriedades do homem mais rico da terra.”

(*) Dos 82 revolucionários, apenas 12 sobreviveram à emboscada armada pelos soldados da Guarda Rural próximo de Alegria del Pio, assim que desembarcaram na praia de Las Coloradas, atrasados alguns dias em relação ao combinado com os revolucionários que estavam em Cuba.

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