Os Harappeanos

Provavelmente você que está lendo este post nunca ouviu falar desta civilização. Não sinta-se culpado. Nós estamos acostumados a estudar e buscar informações da Antiguidade apenas das civilizações do Crescente Fértil e do Mediterrâneo (Egito, Mesopotâmia, Grécia, Roma…).

Pois saibam que na Ásia outras civilizações floresceram quase na mesma época que a egípcia e mesopotâmica, e também à margem de rios importantíssimos: o Ganges (Índia), o Yang-Tsé e o Huang Ho (China) e o Indo (Paquistão). E foi à margem deste último que cresceu a civilização harappeana.

Harappa e Mohenjo-Daro:

Ruínas de Mohenjo-Daro

A civilização harappeana desenvolveu-se onde hoje é o território do atual Paquistão, e seu auge aconteceu aproximadamente entre os anos 2200 e 1900 a.C., mas os primeiros assentamentos organizados foram datados de 2600 a.C.

As duas maiores cidades da região – Harappa e Mohenjo-Daro – eram agrupamentos organizados e suas ruas tinham ângulos retos, como se fossem vias projetadas, assim como as dezenas vilas e pequenos povoados próximos que faziam parte do complexo nas duas regiões. De acordo com as escavações realizadas na região até agora, os arqueólogos e historiadores chegaram a algumas conclusões:

- As semelhanças entre as duas cidades deixa margem ao entendimento que a região vivia sob um governo comum. Os planos de construção das cidades eram bem semelhantes, e até mesmo o formato e o tamanho dos tijolos usados na construção das moradias era o mesmo. Muitas casas tinham dois andares, e um pátio central, para onde convergiam todas as janelas da casa;

- Existiam grandes espaços públicos, como este da foto acima. Reparem na simetria das construções, e os tijolos com ângulos bem definidos. Casas de banho também foram encontradas nas proximidades do centro das cidades;

- O povo não conheceu classe social. Templos e palácios não foram encontrados nas escavações, e os mortos eram enterrados de forma simples, ao contrário de outras civilizações da Antiguidade que tratavam os mortos com rituais e celebrações. Mas a sociedade era dividida de acordo com os trabalhos que os grupos desempenhavam, mas sem muita importância hierárquica;

- O cultivo do solo era feito de forma bem semelhante aos mesopotâmios, egípcios, chineses e hindus, com canais de irrigação levando a água do Indo até as áreas de plantio e alguns diques ao longo do rio para controlar a vazão das águas. Cultivavam trigo, cevada, ervilha, cézaro, tâmara, arroz e melão.

- Além do cultivo avançado do solo, os harappeanos também tinham um comércio bem desenvolvido, inclusive com os povos vizinhos. E não eram um povo guerreiro. Poucas fortificações foram encontradas, e as armas também são escassas nas escavações. Mas havia uma cidadela fortificada no centro das cidades, e estima-se que as mesmas serviam de proteção contra possíveis ataques inimigos.

- O idioma até hoje permanece um mistério. Nas escavações foram encontrados centenas de selos, feitos com barro, e neles estão gravadas cerca de 400 figuras diferentes. Não deixaram escritos nem figuras nas pedras ou nas construções, muito menos usavam papiros. O que não deixa de ser curioso, pois se eram mercadores, provavelmente precisavam de alguma forma de registro dos negócios. Provavelmente as figuras encontradas nos selos eram os registros, mas os arqueólogos não souberam ainda determinar exatamente se elas tinham significado fonético, numérico ou ideográfico.

- Eram politeístas, com especial atenção para a Deusa-Mãe. Os deuses tinham formas humanas e representações masculinas e femininas.

O declínio da civilização:

As razões para o abandono da população do vale do Indo ainda são incertas. Talvez com o desmatamento das margens, a erosão tenha levado muitos sedimentos rio abaixo, dificultando o cultivo das terras e alagando as cidades durante os períodos de cheias. Com o povo passando fome e tendo que reconstruir continuamente as cidades após as cheias, é possível que toda a população tenha migrado para outras regiões.

Os arianos invadiram a região por volta de 2000 a.C., e chegaram específicamente na área do rio Indo por volta de 1700 a.C., mas existe na história dos habitantes contemporâneos um acontecimento climático – provavelmente uma grande enchente – que praticamente acabou com as cidades por volta de 1600 a.C. Qual é o verdadeiro motivo do declínio, não se sabe. Os arqueólogos apenas têm a certeza de que por volta de 1500 a.C. os vestígios da civilização harappeana praticamente sumiram do mapa, talvez por causa de um declínio interno e problemas com as plantações e com o clima.

Vista de outras ruínas em Mohenjo-Daro

Hoje a região tem um clima árido, mas a população que vive próxima aos sítios arqueológicos também tem métodos parecidos de cultivo das poucas áreas com plantações. A maioria do povo paquistanês vive bem próximo à linha de pobreza, e a maior contradição – assim como acontece, por exemplo, com os iraquianos – é que o passado da região foi riquíssimo.

Para saber mais:

Fonte de algumas fotos no site oficial organizado pelos arqueólogos

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