O Império dos Trópicos

7 de setembro de 1822. Às margens do riacho Ipiranga, em São Paulo, D. Pedro proclama a independência do Brasil. Antes de desafiar a Coroa e buscar a libertação da dependência econômica e política de Portugal, D. Pedro também inicia, no recém-fundado país, o único Império do continente americano.

Independência ou Morte, quadro de Pedro Américo (1888)

Apenas em 22 de setembro do mesmo ano é que a separação do Brasil seria informada de forma oficial por uma carta de D. Pedro a seu pai, D. João VI. Nela, D. Pedro ainda intitulava-se Príncipe Regente e considerava D. João VI, seu pai,, Rei do Brasil independente. A independência brasileira e a condição Real de D. João VI não foram aceitas por Portugal e pelos seus nobres, então Pedro I é coroado Imperador Constitucional e Defensor Perpétuo do Brasil em 12 de outubro de 1822.

Mas por que o Império brasileiro merece atenção?

O Brasil foi uma das primeiras colônias americanas a conseguir sua independência. E foi a única a manter uma Monarquia no poder. Se nós analisarmos apenas de forma superficial a época, veremos que as monarquias européias estavam perdendo força após a Revolução Francesa, e os ideais de liberdade, igualdade e fraternidade já estavam presentes no continente americano. Podemos citar, por exemplo, Toussaint l’Ouverture em 1791, seguindo justamente estes ideais e liderando os escravos haitianos, luta e consegue a independência do Haiti.

E não é só no Haiti que os ideais franceses têm força. Aos poucos, os países de colonização espanhola vão conseguindo suas independências, e implantando repúblicas. A grande maioria respondia à Coroa espanhola, tínhamos algumas colônias holandesas e francesas, e as 13 colônias dos E.U.A. respondiam aos ingleses. Ou seja: assim como o Brasil, estas colônias também eram controladas por monarquias européias.

A Revolução Francesa realmente muda o cenário do continente americano. No Brasil, estes ideais reforçarão a necessidade de uma Constituição, mas antes de sua promulgação, em 25 de março de 1824, os dois principais grupos políticos brasileiros, os Bonifácios e os Liberais, entraram em atrito. Os Bonifácios desejavam uma monarquia forte, já os Liberais defendiam a implantação de uma república. Venceu a vontade pela monarquia.

Foram 67 anos em que o país teve 4 poderes: Legislativo, Executivo, Judiciário e Moderador. Este último, exclusividade do Imperador, dava-o poderes absolutos sobre todos os outros três. D. Pedro I defende em discurso uma Constituição voltada para proteger os direitos dos súditos, mas na prática o Brasil continuava escravista e liderado nas pequenas praças pelos mesmos nobres e senhores de terras – brasileiros e portugueses – da época em que o Brasil era colônia de Portugal.

D. Pedro II, o Imperador com olhar no futuro:

Imperador D. Pedro II

Enquanto D. Pedro I ocupou-se em organizar o novo país, seu filho D. Pedro II foi coroado e governou um Brasil acostumado com as regalias escravistas, com um forte comércio com os ingleses e um produto que começava a ser apreciado no mundo todo: o café.

D. Pedro II pensou na modernização do Brasil. Com seus decretos permitiu a abertura de estradas de ferro, a instalação de manufaturas e recebeu bem os investidores que buscavam ampliar seus negócios na agricultura.

Com a Lei de Extinção do tráfico negreiro, em 1850, o Brasil começa a estimular a vinda de imigrantes – muitos italianos – para trabalhar nas lavouras. Os descendentes destes imigrantes, em um futuro próximo, também formarão grande parte da mão-de-obra das primeiras indústrias nacionais.

Só para nós termos uma idéia dos avanços na época em que D. Pedro II foi Imperador, só entre 1850 e 1860 foram fundadas 62 empresas industriais, 14 bancos, três caixas econômicas, 20 companhias de navegação a vapor, 23 companhias de seguros e oito estradas de ferro.

Em 1889 é proclamada a República, e o Brasil deixa de ter um governo monárquico e passa à administração republicana. Mais alguns (muitos) anos até boa parte da população ter direito a voto, e mais outros para que as mulheres pudessem votar. Avanços rápidos com a República, uma das justificativas para os Liberais ao desejarem o sistema de governo? No plano econômico, talvez sim, mas no plano social talvez o maior avanço tenha sido justamente a Abolição da Escravatura. E que aconteceu enquanto o Brasil ainda era o único Império dos Trópicos.

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